Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — Quadrix 2025
Medicina›Doenças Infecto-Parasitárias
Código
qg602541
Banca
Quadrix
Órgão
Fundação do ABC
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Generalista
Um paciente de 65 anos de idade apresentou endocardite infecciosa com culturas positivas para Streptococcus gallolyticus (antigo S. bovis).Com base nesse caso clínico hipotético, assinale a opção que apresenta a conduta adicional que é obrigatória na avaliação desse paciente
Arastreamento para câncer colorretal com colonoscopia
Bressonância cardíaca para avaliação de abscesso
Csorologia para Chlamydia spp
Dinício imediato de anticoagulação
Etomografia de tórax para excluir foco pulmonar
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GabaritoA — rastreamento para câncer colorretal com colonoscopia
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Endocardite infecciosa por Streptococcus gallolyticus e rastreamento de neoplasia colorretal
Gabarito: letra A. A associação clássica entre Streptococcus gallolyticus (antigo S. bovis) e neoplasia colorretal torna obrigatório o rastreamento com colonoscopia em pacientes com endocardite infecciosa por esse agente. Essa conduta é recomendada por diretrizes de infectologia e cardiologia, pois a bactéria frequentemente coloniza o trato gastrointestinal, e a endocardite pode ser a primeira manifestação de um tumor ou pólipo intestinal.
A endocardite infecciosa (EI) é uma infecção do endocárdio, geralmente valvar, que se manifesta com febre, sopro cardíaco e fenômenos embólicos. O diagnóstico é baseado nos critérios de Duke, que combinam achados clínicos, microbiológicos e ecocardiográficos. No caso de S. gallolyticus, a bactéria tem uma particularidade: ela é um estreptococo do grupo D que coloniza o trato gastrointestinal e está fortemente associada a lesões precursoras de câncer colorretal, como pólipos adenomatosos e adenocarcinomas. Estudos mostram que até 60% dos pacientes com bacteremia ou endocardite por esse agente apresentam neoplasia colorretal, o que justifica a recomendação de colonoscopia como parte da avaliação obrigatória.
A razão dessa associação é a capacidade do S. gallolyticus de aderir ao colágeno e à matriz extracelular expostos em tecidos neoplásicos, facilitando a translocação bacteriana para a corrente sanguínea. Assim, a endocardite pode ser a primeira pista de uma lesão intestinal ainda assintomática. Por isso, a diretriz da American Heart Association (AHA) e da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC) recomenda que todo paciente com EI por S. gallolyticus seja submetido a colonoscopia, mesmo na ausência de sintomas gastrointestinais.
Na prática, o rastreamento deve ser realizado após a estabilização clínica do paciente, geralmente durante a internação ou nas primeiras semanas após a alta, para evitar complicações do procedimento em um paciente ainda séptico. A colonoscopia permite a detecção e a ressecção de pólipos, prevenindo a progressão para câncer e reduzindo a morbimortalidade associada.
A pegadinha desta questão está em confundir a conduta obrigatória para S. gallolyticus com outras avaliações que podem ser necessárias em outros contextos de EI, mas que não são específicas nem obrigatórias para esse agente. A banca oferece opções como ressonância cardíaca, sorologia para Chlamydia, anticoagulação e tomografia de tórax, que podem ser úteis em outras situações, mas não são a conduta adicional obrigatória neste caso. O candidato deve lembrar que a associação com neoplasia colorretal é a marca registrada desse patógeno.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta induzir o candidato a escolher um exame de imagem cardíaca (ressonância) ou uma conduta terapêutica (anticoagulação), que são medidas importantes em outras complicações da EI, mas não são a conduta obrigatória específica para S. gallolyticus. A palavra-chave é a associação com câncer colorretal — se o agente é S. gallolyticus, a colonoscopia é obrigatória, independentemente de sintomas gastrointestinais.
Endocardite por S. gallolyticus: Associação clássica (Neoplasia colorretal (pólipos, adenocarcinoma), Até 60% dos casos); Mecanismo (Aderência ao colágeno exposto, Translocação bacteriana); Conduta obrigatória (Colonoscopia (rastreio), Após estabilização clínica)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A colonoscopia é a conduta obrigatória na avaliação de pacientes com endocardite infecciosa por Streptococcus gallolyticus (antigo S. bovis). A forte associação entre esse agente e neoplasia colorretal (pólipos e adenocarcinomas) torna o rastreamento mandatório, mesmo sem sintomas gastrointestinais. A diretriz da AHA e da ESC recomenda a colonoscopia para todos os pacientes com EI por esse patógeno, pois a endocardite pode ser a primeira manifestação de uma lesão intestinal.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A ressonância cardíaca pode ser útil para avaliar complicações como abscesso perivalvar, mas não é uma conduta obrigatória específica para S. gallolyticus. A avaliação de abscesso é indicada em casos de suspeita clínica ou ecocardiográfica de complicação, não como rotina para todos os pacientes com EI por esse agente. A conduta obrigatória é o rastreamento de neoplasia colorretal.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A sorologia para Chlamydia spp não tem relação com a endocardite por S. gallolyticus. A sorologia para Coxiella burnetii (febre Q) é um critério maior de Duke para EI, mas não se aplica a este caso. A conduta obrigatória é a colonoscopia, não a sorologia para Chlamydia.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A anticoagulação não é indicada na endocardite infecciosa, exceto em situações específicas como prótese valvar mecânica com indicação prévia. Na EI, a anticoagulação pode aumentar o risco de hemorragia intracraniana, especialmente em pacientes com fenômenos embólicos. Não é uma conduta obrigatória e não tem relação com o agente S. gallolyticus.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A tomografia de tórax pode ser útil para avaliar focos pulmonares ou complicações embólicas, mas não é uma conduta obrigatória específica para S. gallolyticus. A associação com neoplasia colorretal é a característica marcante desse agente, tornando a colonoscopia a conduta obrigatória.