Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — Quadrix 2025
Medicina›Clínica Médica Humana
Código
qg602544
Banca
Quadrix
Órgão
Fundação do ABC
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Generalista
Uma mulher de 48 anos de idade apresentou fadiga progressiva, parestesias em membros inferiores e queilite angular. O hemograma revelou Hb 9,5 g/dL, VCM 112 fL, leucócitos 3.500/mm³ e plaquetas 140.000/mm³.Com base nesse caso clínico hipotético, assinale a opção que apresenta, respectivamente, a hipótese provável e o primeiro exame a ser solicitado.
Aanemia aplástica e solicitar mielograma
Banemia por álcool e dosar GGT e função hepática
Csíndrome mielodisplásica e realizar biópsia de medula
Danemia ferropriva e dosar ferritina e ferro sérico
Eanemia megaloblástica por deficiência de vitamina B12 e dosar B12 sérica
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GabaritoE — anemia megaloblástica por deficiência de vitamina B12 e dosar B12 sérica
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Anemia megaloblástica: raciocínio clínico e investigação inicial
Gabarito: letra E. O quadro — anemia macrocítica (VCM 112 fL) com pancitopenia leve, parestesias em membros inferiores e queilite angular — é clássico de anemia megaloblástica por deficiência de vitamina B12, e o primeiro exame a ser solicitado é a dosagem sérica de B12. A combinação de macrocitose com sintomas neurológicos (parestesias) é o achado que fecha o diagnóstico sindrômico e direciona a investigação.
A anemia megaloblástica é uma anemia macrocítica (VCM > 100 fL) causada por defeito na síntese de DNA, resultante da deficiência de vitamina B12 ou de folato. A deficiência de B12, em particular, cursa com manifestações neurológicas — parestesias, alterações de sensibilidade, ataxia — que são a chave para diferenciá-la da deficiência isolada de folato. A queilite angular (fissuras nos cantos da boca) é uma manifestação epitelial comum nas carências de vitaminas do complexo B. No hemograma, além da macrocitose, pode haver pancitopenia leve (leucopenia e trombocitopenia discretas), como no caso: Hb 9,5 g/dL, leucócitos 3.500/mm³ e plaquetas 140.000/mm³.
O raciocínio diagnóstico segue uma sequência lógica: primeiro, classifica-se a anemia pelo VCM (macrocítica, normocítica ou microcítica); depois, dentro do grupo macrocítico, investigam-se as causas mais comuns — deficiência de B12, deficiência de folato, uso de álcool, drogas antimetabólitas, síndromes mielodisplásicas e hipotireoidismo. A presença de sintomas neurológicos praticamente exclui a deficiência isolada de folato e aponta fortemente para B12. O primeiro exame a ser solicitado é a dosagem sérica de vitamina B12 (e, idealmente, também de folato), pois é um teste simples, não invasivo e de alta sensibilidade para confirmar a suspeita.
Na prática, o médico deve estar atento a um detalhe importante: a macrocitose pode preceder a anemia, e níveis baixos de B12 podem existir sem anemia — a chamada "falsa anormalidade". Por isso, a correlação clínico-laboratorial é essencial. No caso apresentado, a tríade anemia macrocítica + parestesias + queilite angular é praticamente diagnóstica de deficiência de B12, e a dosagem sérica é o passo inicial obrigatório antes de qualquer procedimento invasivo, como mielograma ou biópsia de medula.
A pegadinha desta questão está em oferecer alternativas que correspondem a outras anemias com apresentações diferentes: a anemia aplástica e a síndrome mielodisplásica cursam com pancitopenia, mas geralmente com VCM normal ou macrocitose sem sintomas neurológicos; a anemia ferropriva é microcítica (VCM baixo); e a anemia por álcool pode ser macrocítica, mas não explica as parestesias. O critério decisivo é a associação de macrocitose com sintomas neurológicos — é exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
A anemia aplástica cursa com pancitopenia, mas o VCM costuma ser normal ou discretamente aumentado, e não há sintomas neurológicos característicos. O mielograma é um exame invasivo, indicado quando há suspeita de falência medular ou infiltração neoplásica — não é o primeiro exame para uma anemia macrocítica com sintomas neurológicos. A hipótese de anemia megaloblástica é muito mais provável, e a dosagem de B12 deve preceder qualquer procedimento invasivo.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A anemia por álcool pode causar macrocitose, mas não explica as parestesias em membros inferiores nem a queilite angular. A dosagem de GGT e função hepática é útil para avaliar hepatopatia alcoólica, mas não é o primeiro exame diante de um quadro com forte suspeita de deficiência de B12. A presença de sintomas neurológicos é o diferencial que afasta essa hipótese como principal.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A síndrome mielodisplásica (SMD) pode cursar com anemia macrocítica e pancitopenia, mas é um diagnóstico de exclusão, mais comum em idosos, e não explica as parestesias. A biópsia de medula é um exame invasivo, reservado para quando a investigação inicial não esclarece a causa ou quando há suspeita de doença hematológica primária. Antes de qualquer procedimento invasivo, deve-se descartar as causas mais comuns e tratáveis de anemia macrocítica, como a deficiência de B12.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A anemia ferropriva é microcítica (VCM baixo), não macrocítica. O VCM de 112 fL praticamente exclui a deficiência de ferro como causa isolada. A dosagem de ferritina e ferro sérico é indicada para anemia microcítica, não para macrocítica. Além disso, a ferropriva não causa parestesias nem queilite angular (embora possa causar queilite, é menos característica). A alternativa confunde o padrão morfológico da anemia.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A anemia megaloblástica por deficiência de vitamina B12 é a hipótese mais provável: anemia macrocítica (VCM 112 fL), pancitopenia leve, parestesias em membros inferiores (neuropatia periférica por deficiência de B12) e queilite angular. O primeiro exame a ser solicitado é a dosagem sérica de vitamina B12, que confirma o diagnóstico de forma simples e não invasiva. A resposta espelha exatamente o raciocínio clínico: reconhecer o padrão macrocítico com sintomas neurológicos e investigar a causa mais comum e tratável.
NÃO CAIA NESSA!
A banca oferece alternativas com anemias de padrões morfológicos diferentes (ferropriva = microcítica) e com exames invasivos (mielograma, biópsia) para confundir. O candidato que não associa macrocitose + parestesias à deficiência de B12 pode cair na síndrome mielodisplásica, que também cursa com macrocitose e pancitopenia. A chave é lembrar que sintomas neurológicos são praticamente exclusivos da deficiência de B12 entre as anemias macrocíticas — e que a dosagem sérica é o primeiro passo, antes de qualquer procedimento invasivo.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, ao ver anemia macrocítica (VCM > 100 fL), monte o raciocínio em etapas: 1) descartar deficiência de B12 e folato (dosar ambos); 2) se houver sintomas neurológicos, pensar em B12; 3) se B12 e folato normais, considerar álcool, drogas, SMD e hipotireoidismo. Exames invasivos (mielograma, biópsia) só após excluir as causas tratáveis. Essa sequência resolve a maioria das questões sobre anemia macrocítica.
Gabarito: letra E — anemia megaloblástica por deficiência de vitamina B12, com dosagem sérica de B12 como primeiro exame.