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Questão de Medicina — Pneumologia — Quadrix 2025

MedicinaPneumologia
Código
qg602555
Banca
Quadrix
Órgão
Fundação do ABC
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Generalista
Um homem de 72 anos de idade com DPOC grave foi admitido com exacerbação aguda, apresentando: pH = 7,28; PaCO₂ = 62 mmHg; PaO₂ = 54 mmHg em ar ambiente; SatO₂ = 86%; e FR = 30 irpm. Após 1 hora de oxigenoterapia com cateter nasal (2 L/min), o paciente manteve hipercapnia e acidose, além de escala de coma de Glasgow 15.Com base nesse caso clínico hipotético, assinale a opção que apresenta a conduta adequada para essa situação.
  1. Ainiciar ventilação mecânica invasiva com entubação orotraqueal
  2. Baumentar o fluxo de oxigênio para 5 L/min e reavaliar em 2 horas
  3. Ciniciar ventilação não invasiva (VNI) com BIPAP
  4. Dadministrar aminofilina EV para melhorar troca gasosa
  5. Einiciar diurético de alça devido à provável congestão pulmonar
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GabaritoC — iniciar ventilação não invasiva (VNI) com BIPAP

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Exacerbação Aguda de DPOC: Manejo da Insuficiência Respiratória Hipercápnica

Gabarito: letra C. Diante de exacerbação de DPOC com acidose respiratória (pH 7,28) e hipercapnia (PaCO₂ 62 mmHg) que persiste após oxigenoterapia inicial, a conduta adequada é iniciar ventilação não invasiva (VNI) com BIPAP. A VNI é o suporte ventilatório de primeira linha nesse cenário, pois reduz a necessidade de intubação orotraqueal e a mortalidade, conforme as diretrizes de manejo da DPOC exacerbada.

A exacerbação aguda da DPOC é um evento de deterioração respiratória aguda que exige intervenção imediata. O paciente do caso apresenta insuficiência respiratória hipercápnica, caracterizada por pH < 7,35 e PaCO₂ > 45 mmHg, com hipoxemia associada (PaO₂ 54 mmHg em ar ambiente). Após uma hora de oxigenoterapia com cateter nasal a 2 L/min, mantém hipercapnia e acidose, com Glasgow 15 — ou seja, sem rebaixamento do nível de consciência. Esse é exatamente o perfil de paciente que se beneficia da VNI.

A VNI, particularmente no modo BIPAP (dois níveis de pressão: IPAP e EPAP), é o tratamento de escolha para a insuficiência respiratória hipercápnica na exacerbação da DPOC. Ela atua reduzindo o trabalho respiratório, melhorando a ventilação alveolar e corrigindo a acidose, sem a necessidade de via aérea artificial. As contraindicações à VNI incluem parada cardiorrespiratória, impossibilidade de proteger vias aéreas, secreção abundante, agitação importante, rebaixamento do nível de consciência (exceto em DPOC com hipercapnia), trauma facial, entre outras. No caso, o paciente tem Glasgow 15, o que não contraindica a VNI.

A decisão entre VNI e ventilação mecânica invasiva (VMI) é crítica. A VMI com intubação orotraqueal é reservada para falha da VNI, contraindicação à VNI, ou situações de gravidade extrema como parada cardiorrespiratória, instabilidade hemodinâmica grave, ou incapacidade de proteger vias aéreas. O paciente do caso não apresenta esses critérios: está consciente (Glasgow 15), sem instabilidade hemodinâmica descrita, e a falha da oxigenoterapia isolada não é indicação imediata de intubação — a VNI deve ser tentada primeiro.

A oxigenoterapia deve ser titulada com cautela na DPOC, pois a hiperóxia pode suprimir o drive ventilatório e piorar a hipercapnia. O alvo de SatO₂ em pacientes com DPOC é de 88-92%. Aumentar o fluxo de oxigênio para 5 L/min, como proposto na alternativa B, poderia piorar a hipercapnia e a acidose, sendo uma conduta inadequada. O uso de aminofilina (alternativa D) não é recomendado como tratamento de primeira linha na exacerbação aguda, pois tem eficácia limitada e perfil de efeitos adversos desfavorável. Diuréticos (alternativa E) são indicados apenas se houver evidência de congestão pulmonar, o que não é o caso descrito.

O ponto central da questão é reconhecer a indicação de VNI na exacerbação de DPOC com acidose respiratória, mesmo após oxigenoterapia inicial, e diferenciá-la das demais condutas. A presença de hipercapnia com acidose (pH < 7,35) é o gatilho para o suporte ventilatório não invasivo, desde que não haja contraindicações. O Glasgow 15 do paciente confirma que ele pode se beneficiar da VNI, pois a ausência de rebaixamento do nível de consciência é um dos critérios de elegibilidade.

  1. 1Oxigenoterapia titulada (SatO₂ 88-92%)
  2. 2Persiste hipercapnia/acidose?
  3. 3[+] VNI (BIPAP) — primeira linha
  4. 4Falha ou contraindicação?
  5. 5VMI (intubação orotraqueal)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A intubação orotraqueal com ventilação mecânica invasiva é reservada para falha da VNI, contraindicação à VNI, ou situações de extrema gravidade (parada cardiorrespiratória, instabilidade hemodinâmica, incapacidade de proteger vias aéreas). O paciente está consciente (Glasgow 15) e sem critérios de falência iminente, portanto a VNI deve ser tentada antes da intubação. Iniciar diretamente com VMI seria uma conduta agressiva e não alinhada às diretrizes, que priorizam a VNI como primeira linha na exacerbação de DPOC com acidose respiratória.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Aumentar o fluxo de oxigênio para 5 L/min e reavaliar em 2 horas é inadequado. O paciente já mantém hipercapnia e acidose após 1 hora de oxigenoterapia, e aumentar o fluxo de O₂ pode piorar a retenção de CO₂ em pacientes com DPOC, especialmente se houver supressão do drive ventilatório. O alvo de SatO₂ em DPOC é 88-92%, e o paciente já está com 86% em ar ambiente; a prioridade não é apenas aumentar a FiO₂, mas sim melhorar a ventilação alveolar, o que a VNI faz de forma mais eficaz. Além disso, a reavaliação em 2 horas atrasaria o tratamento adequado.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A VNI com BIPAP é a conduta de primeira linha para exacerbação de DPOC com acidose respiratória (pH < 7,35) e hipercapnia, mesmo após oxigenoterapia inicial. O paciente tem indicação clara: pH 7,28, PaCO₂ 62 mmHg, e Glasgow 15 (sem contraindicação à VNI). O BIPAP fornece pressão inspiratória (IPAP) para melhorar a ventilação alveolar e pressão expiratória (EPAP) para recrutar alvéolos e melhorar a oxigenação. A VNI reduz a necessidade de intubação, a mortalidade e o tempo de internação nesse cenário.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A aminofilina EV não é recomendada como tratamento de primeira linha na exacerbação aguda de DPOC. Embora os metilxantinas tenham efeito broncodilatador, seu uso é limitado por eficácia modesta e risco de efeitos adversos (arritmias, tremores, náuseas). As diretrizes priorizam broncodilatadores de ação rápida (β₂-agonistas e anticolinérgicos inalatórios) e corticosteroides sistêmicos. A aminofilina não melhora a troca gasosa de forma significativa e não trata a acidose respiratória, que é o problema central do caso.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O diurético de alça seria indicado apenas se houvesse evidência de congestão pulmonar ou edema pulmonar cardiogênico, o que não é descrito no caso. O paciente tem DPOC grave e exacerbação aguda com insuficiência respiratória hipercápnica, sem sinais de insuficiência cardíaca congestiva (não há menção a estertores, turgência jugular, edema periférico ou derrame pleural). O uso de diurético sem indicação clara poderia causar hipovolemia e piorar a perfusão, sem benefício na troca gasosa.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre VNI e VMI. O candidato pode achar que, por manter hipercapnia e acidose após oxigenoterapia, o paciente precisa de intubação imediata. No entanto, a presença de Glasgow 15 e a ausência de contraindicações tornam a VNI a primeira escolha. A intubação é reservada para falha da VNI ou contraindicação a ela. Outra pegadinha é a alternativa B, que sugere aumentar o fluxo de O₂ — mas isso pode piorar a hipercapnia em pacientes com DPOC, pois a hiperóxia pode suprimir o drive ventilatório.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, lembre-se do mnemônico "VNI primeiro" para exacerbação de DPOC com acidose respiratória. Verifique sempre: pH < 7,35 + PaCO₂ > 45 mmHg + paciente consciente (Glasgow > 8) = VNI. A intubação só entra se houver falha da VNI, contraindicação, ou rebaixamento do nível de consciência. E cuidado com a titulação de O₂: alvo de SatO₂ 88-92% em DPOC, nunca hiperóxia.

Gabarito: letra C

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