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Questão de Medicina — Geriatria — Quadrix 2025

MedicinaGeriatria
Código
qg602562
Banca
Quadrix
Órgão
Fundação do ABC
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Generalista - Edital nº 1
Uma mulher de 74 anos de idade, com histórico de hipertensão arterial e diabetes mellitus tipo 2, foi levada ao ambulatório por apresentar dificuldades progressivas de memória há 1 ano, principalmente para fatos recentes. A família relatou que a paciente tem apresentado desorientação em ambientes familiares e dificuldade em lembrar‑se dos compromissos do dia a dia. Não houve relato de alucinações ou flutuação do estado cognitivo. No exame físico, a paciente apresentou pressão arterial controlada, marcha preservada e nenhum sinal de parkinsonismo. O exame neurológico evidenciou déficit de memória episódica e prejuízo em funções executivas, sem déficits motores focais.Considerando esse caso clínico hipotético e as principais causas de demência em idosos, assinale a opção que apresenta a hipótese diagnóstica adequada.
  1. Ademência da doença de Alzheimer
  2. Bdemência frontotemporal
  3. Cdemência por corpos de Lewy
  4. Ddemência vascular
  5. Edemência associada ao Parkinson
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GabaritoA — demência da doença de Alzheimer

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Demência no idoso: diagnóstico diferencial

Gabarito: letra A. O quadro descrito — declínio cognitivo progressivo com comprometimento predominante da memória episódica (fatos recentes), desorientação, prejuízo de funções executivas, sem flutuação cognitiva, sem alucinações e sem parkinsonismo — é o padrão clássico da doença de Alzheimer (DA), a causa mais comum de demência em idosos. A ausência de sinais que caracterizam as outras demências (flutuação e alucinações na demência por corpos de Lewy; parkinsonismo na demência da doença de Parkinson; início precoce e alterações comportamentais na demência frontotemporal; relação temporal com eventos vasculares na demência vascular) direciona o diagnóstico para a DA.

A doença de Alzheimer é uma doença neurodegenerativa progressiva, caracterizada histopatologicamente pelo acúmulo de placas amiloides e emaranhados neurofibrilares, que acomete inicialmente o hipocampo e as regiões corticais associativas. Clinicamente, o sintoma inaugural e mais proeminente é o comprometimento da memória episódica de curto prazo — o paciente esquece fatos recentes, repete perguntas, perde objetos e tem dificuldade de reter novas informações. Com a progressão, surgem prejuízos em outros domínios cognitivos, como funções executivas (planejamento, organização, resolução de problemas), linguagem, praxia e visuoconstrução, além de alterações comportamentais. A desorientação temporal e espacial é comum, inicialmente em ambientes não familiares e depois em ambientes familiares. O exame neurológico costuma ser normal nas fases iniciais, sem sinais motores focais, parkinsonismo ou flutuação do nível de consciência.

O diagnóstico diferencial das demências é um dos pontos mais cobrados em provas de Geriatria e Neurologia, e a chave está em reconhecer os sinais e sintomas que distinguem cada subtipo. A demência por corpos de Lewy (DCL) se caracteriza pela tríade de flutuação cognitiva, alucinações visuais recorrentes e parkinsonismo — nenhum desses está presente no caso. A demência da doença de Parkinson (DDP) exige que o parkinsonismo (tremor, rigidez, bradicinesia) tenha se iniciado pelo menos um ano antes dos sintomas cognitivos; no caso, não há parkinsonismo. A demência frontotemporal (DFT) costuma se manifestar com alterações precoces de personalidade e comportamento (variante comportamental) ou de linguagem (afasia progressiva primária), com memória relativamente preservada no início. A demência vascular (DV) geralmente tem início mais abrupto, curso em degraus, relação temporal com eventos cerebrovasculares e sinais neurológicos focais; o caso descreve declínio progressivo e insidioso, sem eventos vasculares.

A tabela abaixo resume os principais diferenciais:

Critério

Alzheimer

Demência vascular

Demência por corpos de Lewy

Demência frontotemporal

Demência do Parkinson

Sintoma inicial

Perda de memória recente

Depende da localização; pode ser executivo, memória, etc.

Flutuação cognitiva, alucinações visuais

Alteração de comportamento/personalidade ou linguagem

Parkinsonismo antes da demência

Memória

Comprometida precocemente

Variável

Comprometida, mas com flutuação

Relativamente preservada no início

Comprometida, mas com parkinsonismo

Parkinsonismo

Ausente (tardio)

Variável (se lesão de gânglios da base)

Presente (precoce)

Ausente

Presente (desde o início)

Alucinações visuais

Raras (tardias)

Raras

Frequentes e precoces

Raras

Podem ocorrer (relacionadas à levodopa)

Flutuação cognitiva

Ausente

Pode ocorrer

Presente (marcante)

Ausente

Pode ocorrer

Curso

Insidioso e progressivo

Em degraus (se vascular)

Flutuante, progressivo

Insidioso e progressivo

Progressivo

Exame neurológico

Normal nas fases iniciais

Sinais focais (hemiparesia, etc.)

Parkinsonismo, flutuação

Normal (pode ter sinais de doença motora em variantes)

Parkinsonismo

A pegadinha da questão está em não se deixar levar pelos fatores de risco (hipertensão e diabetes) para pensar em demência vascular, nem pela idade para pensar em outras demências. O que define o diagnóstico é o padrão clínico: o comprometimento predominante e precoce da memória episódica, sem os sinais atípicos que apontariam para outra etiologia. A hipertensão e o diabetes são fatores de risco para demência vascular, mas também aumentam o risco de Alzheimer; a presença dessas comorbidades não muda o diagnóstico quando o quadro clínico é típico de DA.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A doença de Alzheimer é a causa mais comum de demência em idosos e o quadro descrito é o seu padrão clássico: início insidioso, progressão gradual, comprometimento precoce e proeminente da memória episódica (fatos recentes), desorientação, prejuízo de funções executivas, sem flutuação cognitiva, sem alucinações e sem parkinsonismo. O exame neurológico normal nas fases iniciais é compatível. A ausência de sinais que caracterizam as outras demências (flutuação, alucinações, parkinsonismo, alteração comportamental precoce, relação com eventos vasculares) reforça o diagnóstico de DA.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A demência frontotemporal (DFT) se caracteriza por alterações precoces e proeminentes de personalidade e comportamento (desinibição, apatia, compulsões) ou de linguagem (afasia progressiva primária), com memória relativamente preservada no início. No caso, o sintoma principal é a perda de memória recente, sem alterações comportamentais ou de linguagem descritas. Além disso, a DFT costuma ter início mais precoce (antes dos 65 anos), embora possa ocorrer em idosos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A demência por corpos de Lewy (DCL) é caracterizada pela tríade de flutuação cognitiva, alucinações visuais recorrentes e parkinsonismo. O enunciado afirma explicitamente que não houve relato de alucinações ou flutuação do estado cognitivo e que não há sinais de parkinsonismo — portanto, a DCL é improvável. A presença de déficit de memória episódica e funções executivas é inespecífica e pode ocorrer em várias demências, mas a ausência dos critérios centrais da DCL a exclui.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A demência vascular (DV) geralmente tem início mais abrupto, curso em degraus (deterioração súbita seguida de estabilização), relação temporal com eventos cerebrovasculares (AVC, AIT) e sinais neurológicos focais ao exame (hemiparesia, afasia, etc.). O caso descreve declínio progressivo e insidioso há 1 ano, sem eventos vasculares agudos e sem déficits motores focais. Embora a paciente tenha hipertensão e diabetes (fatores de risco vascular), o padrão clínico não é típico de DV. A DV pode ter apresentação variada, mas a ausência de relação temporal com eventos vasculares e de sinais focais torna essa hipótese menos provável.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A demência associada à doença de Parkinson (DDP) exige o diagnóstico prévio de doença de Parkinson, com sintomas motores (tremor, rigidez, bradicinesia) iniciando pelo menos um ano antes dos sintomas cognitivos. No caso, a paciente não apresenta sinais de parkinsonismo (marcha preservada, nenhum sinal de parkinsonismo), o que exclui a DDP. A demência na doença de Parkinson é uma complicação tardia, que ocorre em cerca de 25-30% dos pacientes, geralmente após anos de evolução da doença motora.

Gabarito: letra A

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