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Questão de Medicina — Hematologia — Quadrix 2025

MedicinaHematologia
Código
qg602568
Banca
Quadrix
Órgão
Fundação do ABC
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Generalista - Edital nº 1
Um homem de 52 anos de idade procurou atendimento ambulatorial por queixa de fadiga progressiva, tontura e perda de peso de 5 kg nos últimos 3 meses. Referiu, também, parestesia nos pés e nas mãos há cerca de 1 mês, além de queimação lingual. No exame físico, encontrava‑se descorado 3+/4, com língua atrófica e eritematosa, FC de 98 bpm e sem alterações neurológicas motoras evidentes. Os exames laboratoriais mostraram: hemoglobina 7,2 g/dl; VCM 128 fl; leucócitos 2.800/mm³ (diferencial normal); e plaquetas 110.000/mm³.Com base nesse caso clínico hipotético, assinale a opção que apresenta o diagnóstico e a conduta inicial adequados.
  1. Aanemia megaloblástica por deficiência de vitamina B12 – reposição parenteral de vitamina B12
  2. Banemia megaloblástica por deficiência de folato – reposição de ácido fólico oral
  3. Csíndrome mielodisplásica – investigação com mielograma
  4. Dleucemia linfoblástica aguda – início de quimioterapia
  5. Eanemia por deficiência de folato – reposição oral com ácido fólico
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GabaritoA — anemia megaloblástica por deficiência de vitamina B12 – reposição parenteral de vitamina B12

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Anemia Megaloblástica: Diagnóstico e Conduta

Gabarito: letra A. O quadro clínico-laboratorial — anemia macrocítica (VCM 128 fl), pancitopenia leve, sintomas neurológicos (parestesia) e queimação lingual — é clássico de anemia megaloblástica por deficiência de vitamina B12, e a conduta inicial adequada é a reposição parenteral de vitamina B12. A distinção crucial em relação à deficiência de folato é a presença de manifestações neurológicas, que indicam deficiência de B12 e não devem ser tratadas apenas com ácido fólico.

A anemia megaloblástica é um grupo de anemias caracterizadas por eritropoiese ineficaz com precursores eritroides anormalmente grandes (megaloblastos) na medula óssea, resultando em hemácias macrocíticas (VCM elevado, geralmente > 100 fl). As duas causas mais comuns são a deficiência de vitamina B12 (cobalamina) e a deficiência de ácido fólico (folato). Ambas comprometem a síntese de DNA, afetando todas as linhagens hematopoiéticas, o que explica a pancitopenia (anemia, leucopenia e trombocitopenia) observada no paciente.

A deficiência de vitamina B12 tem causas que vão desde a anemia perniciosa (gastrite autoimune com anticorpos anticélulas parietais e antifator intrínseco) até a má absorção por doenças intestinais, uso de medicamentos ou dietas restritivas. Clinicamente, além dos sintomas hematológicos, a deficiência de B12 causa manifestações neurológicas — como parestesias, alterações de sensibilidade, ataxia e até demência — e queimação lingual (glossite atrófica), que são raras na deficiência isolada de folato. A deficiência de folato, por sua vez, está mais associada a baixa ingesta, alcoolismo e uso de certos medicamentos, com repercussões mais acentuadas no trato gastrointestinal e sem alterações neurológicas relevantes.

Na prática, o diagnóstico é firmado pela combinação de anemia macrocítica com VCM elevado, presença de macro-ovalócitos e neutrófilos hipersegmentados no esfregaço de sangue periférico, e dosagens séricas de vitamina B12 e ácido fólico. A investigação complementar pode incluir dosagem de ácido metilmalônico e homocisteína (elevados na deficiência de B12), pesquisa de anticorpos anticélulas parietais e antifator intrínseco, e o teste de Schilling. O tratamento da deficiência de B12 é feito com hidroxocobalamina ou cianocobalamina por via intramuscular, em esquema de ataque (1.000 µg/dia na primeira semana) seguido de manutenção (1.000 µg a cada 3 meses para hidroxocobalamina, ou mensal para cianocobalamina). Em casos de manifestações neurológicas, recomenda-se doses mais frequentes nos primeiros 6 meses. A via parenteral é preferida por ser mais simples e menos onerosa, embora altas doses orais (1-2 mg/dia) também sejam eficazes.

A pegadinha central desta questão é a presença de sintomas neurológicos (parestesia) e queimação lingual, que são altamente sugestivos de deficiência de B12 e não de folato. A banca explora a confusão entre as duas deficiências, que cursam com o mesmo padrão de anemia megaloblástica, mas têm condutas diferentes. Além disso, a alternativa que sugere síndrome mielodisplásica (SMD) é um distrator plausível, pois a SMD também pode cursar com anemia macrocítica e pancitopenia, mas a apresentação clínica com sintomas neurológicos e a ausência de displasias evidentes no hemograma apontam fortemente para a deficiência de B12. A leucemia linfoblástica aguda (LLA) é improvável pela idade (52 anos) e pelo quadro clínico indolente, sem blastos no sangue periférico.

Guarde a fronteira decisiva: deficiência de B12 → sintomas neurológicos + glossite → reposição parenteral de B12; deficiência de folato → sem sintomas neurológicos → reposição oral de ácido fólico. É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.

Anemia megaloblástica
  • 1Deficiência de B12
    • Sintomas neurológicos (parestesia)
    • Glossite (queimação lingual)
    • Reposição parenteral de B12
  • 2Deficiência de folato
    • Sem sintomas neurológicos
    • Reposição oral de ácido fólico
  • 3Distratores
    • SMD (macrocitose + pancitopenia)
    • LLA (improvável: idade, sem blastos)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O paciente apresenta anemia macrocítica (VCM 128 fl), pancitopenia leve, sintomas neurológicos (parestesia em mãos e pés) e queimação lingual, configurando o quadro clássico de anemia megaloblástica por deficiência de vitamina B12. A conduta inicial adequada é a reposição parenteral de vitamina B12 (hidroxocobalamina ou cianocobalamina IM), que é o tratamento padrão, especialmente na presença de manifestações neurológicas, onde a via parenteral é preferida por garantir a correção rápida dos estoques.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao atribuir a deficiência ao folato e indicar ácido fólico oral. A presença de parestesia e queimação lingual é característica da deficiência de vitamina B12, não de folato. Além disso, tratar uma possível deficiência de B12 com ácido fólico pode mascarar a anemia e permitir a progressão dos sintomas neurológicos, o que é um erro grave na prática clínica.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A síndrome mielodisplásica (SMD) é um distrator plausível, pois pode cursar com anemia macrocítica e pancitopenia. No entanto, o quadro clínico com sintomas neurológicos e queimação lingual, além da ausência de displasias evidentes no hemograma (diferencial normal), aponta fortemente para deficiência de B12. A SMD é um diagnóstico de exclusão, e a investigação com mielograma seria indicada apenas se não houvesse resposta ao tratamento ou se houvesse suspeita de displasia.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A leucemia linfoblástica aguda (LLA) é altamente improvável neste paciente de 52 anos com quadro clínico indolente de 3 meses. A LLA é mais comum em crianças e, em adultos, costuma apresentar sintomas mais agressivos, com blastos no sangue periférico e envolvimento de outros órgãos. O hemograma mostra apenas pancitopenia leve, sem blastos, e o quadro clínico é típico de anemia megaloblástica, não de leucemia aguda.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Assim como a alternativa B, esta opção erra ao atribuir a deficiência ao folato e indicar ácido fólico oral. A presença de sintomas neurológicos e queimação lingual é indicativa de deficiência de vitamina B12, e a conduta correta é a reposição parenteral de B12, não ácido fólico oral.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca a deficiência de vitamina B12 pela de folato, explorando a semelhança entre as duas anemias megaloblásticas. O candidato que não associa parestesia e queimação lingual à deficiência de B12 cai nas alternativas B ou E. Lembre-se: sintomas neurológicos = B12, não folato. Com treino, você enxerga essa troca de longe 💪.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar as duas deficiências na prova, foque nos sintomas: B12 → neurológicos (parestesia, ataxia) + glossite; folato → sem sintomas neurológicos, mais GI. Se a questão trouxer VCM > 100 fl com sintomas neurológicos, a resposta quase sempre será deficiência de B12 com reposição parenteral.

Gabarito: letra A

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