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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — Quadrix 2025

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
qg602570
Banca
Quadrix
Órgão
Fundação do ABC
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Generalista - Edital nº 1
Uma puérpera de 30 anos de idade, primigesta, levou o seu filho de 25 dias de vida ao ambulatório. Durante o atendimento, informou que o bebê chorava muito, sobretudo após as mamadas, e parecia querer mamar constantemente. A criança estava em aleitamento materno exclusivo, mamando, em média, a cada hora, mas, logo após a mamada, apresentou episódios de irritabilidade, cólica e excessiva movimentação das pernas. Não havia registro de vômitos em jato, regurgitação frequente, febre, diarreia ou sangue nas evacuações. Foram informadas evacuações amareladas e amolecidas, várias vezes ao dia. No exame físico, o lactente encontrava‑se ativo, hidratado, com peso atual de 3.900 g (peso ao nascer: 3.200 g). Não houve alterações clínicas. A mãe queixou‑se de mamilos dolorosos, com fissuras bilaterais desde a primeira semana pós‑parto.Com base nesse caso clínico hipotético, assinale a opção que apresenta a conduta inicial adequada.
  1. Asolicitar ultrassonografia abdominal para afastar causas orgânicas de dor abdominal
  2. Bintroduzir fórmula infantil para reduzir episódios de cólica
  3. Cavaliar a pega e a técnica de amamentação, orientando correções necessárias
  4. Dprescrever simeticona ou outro antiespasmódico para controle da cólica
  5. Erealizar testes para alergia à proteína do leite de vaca e suspender aleitamento materno
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GabaritoC — avaliar a pega e a técnica de amamentação, orientando correções necessárias

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Cólica do lactente e aleitamento materno

Gabarito: letra C. A conduta inicial adequada é avaliar a pega e a técnica de amamentação, orientando as correções necessárias, pois o quadro descrito — choro excessivo, mamadas frequentes, cólica, irritabilidade e fissuras mamilares maternas — é altamente sugestivo de técnica inadequada de amamentação, com ingestão de ar e possível subnutrição, e não de doença orgânica. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e o Ministério da Saúde preconizam que, diante de um lactente com cólica, a primeira abordagem deve ser a avaliação clínica cuidadosa, incluindo a observação da mamada, e a manutenção do aleitamento materno exclusivo.

A cólica do lactente é um distúrbio gastrointestinal funcional, definido como episódios de choro e irritabilidade que ocorrem em lactentes saudáveis, geralmente com início nas primeiras semanas de vida e resolução espontânea por volta dos 3 a 4 meses. É um diagnóstico de exclusão, ou seja, só pode ser firmado após afastar causas orgânicas por meio de anamnese detalhada e exame físico rigoroso. No caso apresentado, o lactente está ativo, hidratado, com ganho ponderal adequado (peso ao nascer de 3.200 g e atual de 3.900 g aos 25 dias, o que representa um ganho de aproximadamente 700 g, acima do esperado de 20 a 30 g/dia), sem sinais de alarme como vômitos em jato, febre, diarreia ou sangue nas fezes. As evacuações amareladas e amolecidas várias vezes ao dia são compatíveis com aleitamento materno exclusivo.

O ponto central do caso é a queixa materna de mamilos dolorosos com fissuras bilaterais desde a primeira semana pós-parto. As fissuras mamilares são um forte indicador de pega inadequada, que leva a uma sucção ineficiente, ingestão de ar durante as mamadas e, consequentemente, a cólicas e irritabilidade no lactente. Além disso, a mãe relata que o bebê "parece querer mamar constantemente" e mama a cada hora, o que pode ser consequência de uma transferência de leite ineficaz — o bebê não esvazia bem a mama, não se sacia e volta a mamar com frequência, perpetuando o ciclo de dor e fissura para a mãe e de cólica para o bebê.

A conduta correta, portanto, é a avaliação da pega e da técnica de amamentação, com orientações sobre posicionamento adequado, pega profunda (boca bem aberta, lábios evertidos, queixo tocando a mama) e manejo das fissuras. Essa abordagem resolve a causa raiz do problema, alivia a dor materna, melhora a transferência de leite e reduz os episódios de cólica no lactente. É fundamental reforçar que o aleitamento materno exclusivo deve ser mantido, conforme recomendam a SBP e a Organização Mundial da Saúde (OMS), e que não há indicação de exames complementares, fórmulas infantis ou medicamentos nesse cenário.

A banca explora a confusão entre cólica do lactente (benigna e funcional) e alergia à proteína do leite de vaca (APLV), que também pode causar choro e irritabilidade. No entanto, na APLV, geralmente há outros sinais como sangue nas fezes, dermatite, vômitos frequentes ou ganho ponderal inadequado, o que não está presente no caso. Além disso, a presença de fissuras mamilares e a técnica inadequada de amamentação são os achados que direcionam o diagnóstico para o problema de pega, tornando a avaliação da mamada a conduta inicial mais adequada. Guarde essa distinção: cólica funcional não é indicação de restrição alimentar materna nem de suspensão do aleitamento; a abordagem inicial é sempre não farmacológica e não invasiva, centrada na orientação e no apoio à amamentação.

Critério

Cólica do Lactente (caso)

APLV (diagnóstico diferencial)

Sinais clínicos

Choro, irritabilidade, cólica, movimentação das pernas

Choro, irritabilidade, cólica + sangue nas fezes, dermatite, vômitos frequentes

Ganho ponderal

Adequado (3.200 g → 3.900 g aos 25 dias)

Frequentemente inadequado

Achado materno

Fissuras mamilares bilaterais (pega inadequada)

Ausente

Conduta inicial

Avaliar pega e técnica de amamentação

Investigação específica (testes) e suspensão do leite de vaca

1Diagnóstico de exclusão
Sinais de alarme ausentes
Exame físico normal
Ganho ponderal adequado
2Causa provável
Pega inadequada
Fissuras mamilares maternas
Ingestão de ar
3Conduta inicial
Avaliar pega e técnica
Manter aleitamento exclusivo
Fórmula infantil
Simeticona
Testes para APLV
Cólica do lactente
LEVELsoulevel.com.br
Cólica do lactente: Diagnóstico de exclusão (Sinais de alarme ausentes, Exame físico normal, Ganho ponderal adequado); Causa provável (Pega inadequada, Fissuras mamilares maternas, Ingestão de ar); Conduta inicial (Avaliar pega e técnica, Manter aleitamento exclusivo, Fórmula infantil, Simeticona, Testes para APLV)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Solicitar ultrassonografia abdominal para afastar causas orgânicas de dor abdominal é desnecessário e prematuro. O lactente apresenta exame físico normal, ganho ponderal adequado e ausência de sinais de alarme (vômitos em jato, febre, diarreia, sangue nas fezes). A cólica do lactente é um diagnóstico clínico e de exclusão; exames complementares só estão indicados quando há suspeita de doença orgânica, o que não é o caso. A conduta inicial deve ser a avaliação da técnica de amamentação, não a solicitação de exames de imagem.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Introduzir fórmula infantil para reduzir episódios de cólica é uma conduta inadequada e prejudicial. A fórmula infantil não trata a cólica do lactente e, além disso, interrompe o aleitamento materno exclusivo, que é a recomendação da OMS e da SBP até os 6 meses. No caso, a causa provável da cólica é a técnica inadequada de amamentação, evidenciada pelas fissuras mamilares maternas. A introdução de fórmula não corrige a pega inadequada e pode até piorar o quadro, além de privar o lactente dos benefícios do leite materno. A conduta correta é manter o aleitamento materno exclusivo e corrigir a técnica.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Avaliar a pega e a técnica de amamentação, orientando correções necessárias, é a conduta inicial adequada. As fissuras mamilares bilaterais desde a primeira semana pós-parto são um sinal clássico de pega inadequada, que leva a sucção ineficiente, ingestão de ar e cólicas no lactente. A avaliação da mamada deve incluir a observação da posição do bebê, a pega (boca bem aberta, lábios evertidos, queixo tocando a mama), a postura da mãe e a dinâmica da sucção. A correção da técnica melhora a transferência de leite, alivia a dor materna, reduz a ingestão de ar pelo bebê e, consequentemente, diminui os episódios de cólica. Essa abordagem é não invasiva, baseada em evidências e alinhada às recomendações da SBP e do Ministério da Saúde.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Prescrever simeticona ou outro antiespasmódico para controle da cólica não é a conduta inicial adequada. A simeticona, embora amplamente utilizada, não se mostrou superior ao placebo no tratamento da cólica do lactente, conforme evidências científicas. Além disso, a causa provável da cólica neste caso é a técnica inadequada de amamentação, e não um espasmo intestinal primário. A conduta correta é abordar a causa raiz — a pega inadequada — e não medicar sintomas. Medicamentos antiespasmódicos, como a dicicloverina, são contraindicados em menores de 6 meses. A abordagem inicial deve ser sempre não farmacológica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Realizar testes para alergia à proteína do leite de vaca e suspender o aleitamento materno é uma conduta inadequada e precipitada. O quadro clínico não é sugestivo de APLV: não há sangue nas fezes, dermatite, vômitos frequentes ou ganho ponderal inadequado. A presença de fissuras mamilares e a técnica inadequada de amamentação apontam para um problema de pega, não para alergia alimentar. Além disso, a suspensão do aleitamento materno é uma medida extrema, que só se justifica em casos confirmados de APLV, e nunca deve ser feita sem diagnóstico preciso. A conduta correta é avaliar a técnica de amamentação e manter o aleitamento materno exclusivo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta induzir o candidato a confundir cólica do lactente (benigna e funcional) com alergia à proteína do leite de vaca (APLV). Na APLV, há outros sinais como sangue nas fezes, dermatite ou ganho ponderal inadequado — ausentes no caso. O achado-chave que direciona o diagnóstico é a presença de fissuras mamilares maternas, indicando pega inadequada. A conduta correta é sempre a avaliação da técnica de amamentação, nunca a suspensão do aleitamento ou a introdução de fórmulas.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de puericultura com lactente choroso, procure sempre os sinais de alarme (vômitos em jato, febre, sangue nas fezes, ganho ponderal inadequado). Se ausentes e houver queixa materna de dor/fissura mamilar, a resposta quase sempre será "avaliar a pega e a técnica de amamentação". Memorize: cólica do lactente = diagnóstico de exclusão, conduta inicial não farmacológica e manutenção do aleitamento materno exclusivo.

Gabarito: letra C

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