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Questão de Português — Interpretação de Textos — Quadrix 2025

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
qg603926
Banca
Quadrix
Órgão
SEDF
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor de Educação Básica: Língua Portuguesa
No fundo do mato‑virgem nasceu Macunaíma, herói de nossa gente. Era preto retinto e filho do medo da noite. Houve um momento em que o silêncio foi tão grande escutando o murmurejo de Uraricoera, que a índia tapanhumas pariu uma criança feia. Essa criança é que chamaram de Macunaíma.

ANDRADE, Mário de. Macunaíma, o herói sem nenhum caráter. Belo Horizonte: Vila Rica, 1997. Em “Macunaíma”, Mário de Andrade apresenta a imagem do herói nacional.

Considerando essa informação e em relação ao texto, aos seus aspectos estéticos, ao seu autor e aos movimentos literários brasileiros, julgue o ite seguinte.
A descrição de Macunaíma e do seu nascimento afirma a miscigenação no processo de formação do povo brasileiro, como se observa na escolha lexical por vocábulos indígenas e na expressão “Era preto retinto e filho do medo da noite”.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Macunaíma e a miscigenação: leitura do herói nacional

Gabarito: C (Certo). O item está correto porque a descrição do nascimento de Macunaíma, com a escolha de vocábulos indígenas e a expressão “Era preto retinto e filho do medo da noite”, sustenta a leitura da miscigenação como elemento formador do povo brasileiro, em sintonia com a proposta modernista de Mário de Andrade. A passagem que ancora essa leitura é o trecho inicial da obra, que apresenta o herói como fruto de uma índia e o descreve com características que remetem a múltiplas matrizes étnicas.

“No fundo do mato‑virgem nasceu Macunaíma, herói de nossa gente. Era preto retinto e filho do medo da noite.”

O comando pede um julgamento (Certo/Errado) sobre uma afirmação interpretativa que relaciona o texto, seus aspectos estéticos, o autor e os movimentos literários. Não se trata de localizar uma informação literal, mas de verificar se a leitura proposta é coerente com as pistas textuais e com o contexto modernista. A banca não pergunta se o texto afirma explicitamente a miscigenação; pergunta se a descrição permite afirmar essa leitura. Isso exige do candidato mobilizar conhecimentos sobre o Modernismo e sobre a obra, mas sempre ancorado no que o texto apresenta.

O texto-base é a abertura de Macunaíma (1928), rapsódia modernista de Mário de Andrade. O trecho já concentra os elementos centrais da obra: o herói nasce “no fundo do mato‑virgem”, filho de uma “índia tapanhumas” — vocábulo de origem tupi que remete à matriz indígena. A expressão “Era preto retinto” remete à matriz africana. E o nome “Macunaíma”, também de origem tupi, reforça a presença indígena. A junção dessas referências — indígena e africana — no nascimento do “herói de nossa gente” é a materialização textual da miscigenação que o Modernismo brasileiro, e Mário de Andrade em particular, elegeu como símbolo da identidade nacional. O item, portanto, não extrapola: ele lê o que o texto oferece e o conecta ao projeto estético do autor.

A técnica para resolver é testar se a afirmação do item encontra respaldo no texto e no contexto literário, sem exigir que o texto diga literalmente “a miscigenação forma o povo brasileiro”. A leitura é legítima porque as pistas estão lá: a mãe é índia, o filho é “preto retinto”, e ele é apresentado como “herói de nossa gente”. A miscigenação não é dita, mas é construída pela escolha lexical — exatamente o que o item aponta.

Macunaíma: herói de nossa gente
  • 1Nascimento (miscigenação)
    • Mãe: índia tapanhumas (matriz indígena)
    • "Preto retinto" (matriz africana)
    • "Filho do medo da noite" (origem mítica)
  • 2Projeto modernista
    • Herói mestiço
    • Síntese das três matrizes
  • 3Leitura do item
    • Autorizada pelas pistas lexicais
    • Não exige afirmação literal
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Item — ✅ CERTO

A afirmação é correta por três razões que se somam:

  1. A escolha lexical indígena: “tapanhumas” e “Macunaíma” são vocábulos de origem tupi, presentes no trecho. O item afirma que a descrição usa “vocábulos indígenas” — e isso é verificável no texto.

  1. A expressão “Era preto retinto e filho do medo da noite”: o item a cita como evidência da miscigenação. A expressão descreve o herói como “preto retinto” (matriz africana) e “filho do medo da noite” (expressão poética que remete ao imaginário indígena e à origem mítica). A junção dessas referências no nascimento do herói constrói a imagem da mistura étnica.

  1. O contexto modernista: Mário de Andrade, em Macunaíma, propõe um herói nacional mestiço, síntese das três matrizes formadoras do povo brasileiro (indígena, africana e europeia). O item dialoga com essa proposta estética, e o texto-base a confirma ao apresentar um herói nascido de índia e descrito como “preto retinto”.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de julgamento sobre interpretação, pergunte-se: “essa leitura é autorizada pelo texto, ou exige acrescentar algo que ele não diz?”. Aqui, a leitura é autorizada pelas pistas lexicais — não é uma opinião solta do examinador.

Conclusão: o item está Certo porque a descrição do nascimento de Macunaíma, com a escolha de vocábulos indígenas e a expressão “Era preto retinto e filho do medo da noite”, sustenta a leitura da miscigenação como elemento formador do povo brasileiro, em sintonia com o projeto modernista de Mário de Andrade. A resposta é uma paráfrase interpretativa legítima do texto, não uma extrapolação.

Gabarito: C (Certo).

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