Questão de Português — Denotação e Conotação — Quadrix 2025
- Código
- qg603934
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- SEDF
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Professor de Educação Básica: Língua Portuguesa
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: C (Certo). A afirmativa está correta porque o segundo parágrafo do texto de Ana Miranda é construído com linguagem conotativa (figurada), repleta de metáforas e comparações que amplificam a percepção da fome como uma experiência avassaladora e quase monstruosa. A passagem que ancora essa leitura é a sequência de imagens como "fome é um tipo de fogo que se acende no meio das gentes", "vai sendo uma faca que revira o dentro" e "é fome feito um monstro que assenta em nosso ventre e nos rasga estripando".
O comando pede uma avaliação sobre o efeito estético da linguagem no segundo parágrafo. Não se trata de uma questão de compreensão literal (o que o texto diz), mas de interpretação do efeito de sentido produzido pelos recursos expressivos. A tarefa é reconhecer que o uso de figuras de linguagem não é decorativo: ele reforça a intensidade das sensações da personagem, transformando a fome em algo concreto, doloroso e quase palpável.
O segundo parágrafo é uma das passagens mais líricas do trecho. A narradora não se limita a dizer que estava com fome; ela materializa a fome por meio de uma cadeia de imagens sensoriais e violentas. Vejamos como cada figura contribui para esse efeito:
Metáfora do fogo: "fome é um tipo de fogo que se acende no meio das gentes" — a fome não é comparada ao fogo, ela é um fogo que arde, queima e resseca.
Metáfora da faca: "vai sendo uma faca que revira o dentro como se buscando o fio da vida" — a fome é uma faca que revira as entranhas, uma imagem de dor física e dilaceramento.
Comparação com monstro: "é fome feito um monstro que assenta em nosso ventre e nos rasga estripando, com suas garras longas" — a fome é um ser monstruoso que ataca por dentro, sugando força e razão.
Hipérbole: "é como cem anos de inferno, uma dor incomparável" — a intensidade é levada ao extremo.
"fome é um tipo de fogo que se acende no meio das gentes, que se ateia com tanto ímpeto que até os olhos ardem e resseca tudo por dentro e vai sendo uma faca que revira o dentro como se buscando o fio da vida"
Essa passagem prova que a linguagem conotativa reforça a intensidade das sensações: a fome não é apenas um estado fisiológico, mas uma experiência que consome, dilacera e desumaniza. A comparação "feito um monstro" e a metáfora da "faca que revira" são recursos que amplificam o sofrimento da personagem, exatamente como afirma o item.
A banca explora aqui a diferença entre denotação (sentido literal, dicionarizado) e conotação (sentido figurado, dependente do contexto). No segundo parágrafo, nenhuma das expressões pode ser lida literalmente: fome não é literalmente um fogo, uma faca ou um monstro. Todas essas imagens são figuradas e servem para intensificar a experiência subjetiva da personagem.
A banca poderia tentar confundir o candidato afirmando que a linguagem é denotativa (literal) ou que as figuras apenas embelezam o texto sem função expressiva. A questão é justamente reconhecer que a conotação reforça a intensidade das sensações, e não que a enfraquece ou a torna objetiva.
Ao identificar conotação, pergunte-se: "essa expressão pode ser lida literalmente?" Se não pode (fome não é fogo, faca ou monstro), há sentido figurado. Em seguida, avalie o efeito: as imagens aproximam o leitor da dor da personagem, tornando-a mais vívida e intensa.
Conclusão: a afirmativa está correta porque o segundo parágrafo é construído com linguagem conotativa — metáforas (fogo, faca) e comparações (monstro) — que reforçam a intensidade das sensações da personagem acerca da fome, transformando-a em uma experiência física e emocional avassaladora.
Gabarito: C (Certo)
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