Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — Quadrix 2025
- Código
- qg603936
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- SEDF
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Professor de Educação Básica: Língua Portuguesa
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: E (Errado). A afirmativa está errada porque o trecho de “Desmundo”, de Ana Miranda, não caracteriza positivamente a vida e as relações interpessoais no Brasil Colônia; ao contrário, o texto descreve a fome, a orfandade e o abandono com imagens de violência e sofrimento. A passagem que sustenta essa leitura é a descrição da fome como “um tipo de fogo que se acende no meio das gentes”, “uma faca que revira o dentro”, “um monstro que assenta em nosso ventre e nos rasga estripando”. O vocabulário “selvagem” (lobo, mulo, fogo, monstro) é usado em sentido conotativo para expressar dor, não para elogiar a colônia.
O comando pede que se julgue a afirmativa sobre o trecho, considerando seus aspectos estéticos e os movimentos literários. Trata-se de uma questão de compreensão (o que o texto diz) e interpretação (o que o texto sugere). A banca quer que o candidato perceba que o texto, apesar do vocabulário “selvagem”, não apresenta uma visão positiva do Brasil Colônia. O trecho é um monólogo de Oribela, órfã portuguesa enviada ao Brasil em 1555, que narra a própria fome e o desespero. A linguagem é fortemente conotativa: a fome é comparada a fogo, faca, monstro, cem anos de inferno. Essas imagens transmitem sofrimento, não bem-estar.
A técnica para resolver é: identificar o tom e a intenção do texto. O texto é narrativo e descritivo, com forte carga emocional. A narradora-personagem descreve a fome como algo que “arde”, “resseca”, “rasga”, “estripa”, “suga a força e a razão”. Essas ações são negativas, indicando dor e desespero. Além disso, o contexto histórico é de violência: órfãs enviadas à força para se casar com colonos, muitas vezes “desdentados, trolocutores surdos, bêbados”. A rainha ordena que sejam “gentilhomens”, mas a realidade é outra. Portanto, a ideia de “caracterizar positivamente” é contraditória com o teor do texto.
A pegadinha da banca está em explorar a associação automática entre “vocabulário alusivo a uma natureza selvagem” e algo positivo, como se a selvageria fosse elogiada. No entanto, o texto usa essas imagens para criticar a situação degradante. A palavra “selvagem” aqui não tem conotação de liberdade ou exotismo, mas de violência e sofrimento. O candidato deve desconfiar de adjetivos como “positivamente” quando o texto é claramente dramático.
Ao julgar itens de interpretação, grife os adjetivos e advérbios que indicam avaliação (positiva, negativa, neutra). No texto, palavras como “fome”, “abandono”, “inferno” apontam para uma visão negativa. Se a afirmativa diz o contrário, está errada.
A afirmativa está errada porque o texto não caracteriza positivamente a vida no Brasil Colônia. Pelo contrário, a narradora descreve a fome com imagens de dor e destruição: “fome é um tipo de fogo que se acende no meio das gentes”, “uma faca que revira o dentro”, “um monstro que assenta em nosso ventre e nos rasga estripando”. Essas metáforas transmitem sofrimento, não bem-estar. Além disso, o contexto é de violência: as órfãs são oferecidas a “desdentados, trolocutores surdos, bêbados”, e a própria Oribela decide “tornar Francisco de Albuquerque” por medo da fome, da orfandade, do abandono. Portanto, a ideia de “caracterizar positivamente” é contraditória com o texto.
Conclusão: A afirmativa é errada porque o texto apresenta uma visão negativa e dramática da vida no Brasil Colônia, marcada pela fome, pela violência e pelo desespero. O vocabulário “selvagem” é usado em sentido conotativo para expressar dor, não para elogiar. Gabarito: E (Errado).
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