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Questão de Português — Interpretação de Textos — Quadrix 2025

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
qg603946
Banca
Quadrix
Órgão
SEDF
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor de Educação Básica: Língua Portuguesa
Quatro ou cinco grupos diferentes de alunos do Farroupilha estiveram lá em casa numa mesma missão, designada por seu professor de Português: saber se eu considerava o estudo da Gramática indispensável para aprender e usar a nossa ou qualquer outra língua. Cada grupo portava seu gravador cassete e andava arrecadando opiniões. Suspeitei que o tal professor lia esta coluna, se descabelava diariamente com as suas afrontas às leis da língua, e aproveitava aquela oportunidade para me desmascarar. Já estava até preparando minha defesa. Mas os alunos desfizeram o equívoco antes que ele se criasse. Eles mesmos tinham escolhido os nomes a serem entrevistados. Vocês têm certeza que não pegaram o Verissimo errado? Não. Então vamos em frente.

Respondi que a linguagem é um meio de comunicação e que deve ser julgada exclusivamente como tal. Respeitadas algumas regras básicas da Gramática, para evitar os vexames mais gritantes, as outras são dispensáveis. A sintaxe é uma questão de uso, não de princípios. Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer “escrever claro” não é certo, mas é claro, certo? O importante é comunicar. (E quando possível surpreender, iluminar, divertir, mover... Mas aí entramos na área do talento, que também não tem nada a ver com Gramática). A Gramática é o esqueleto da língua. Só predomina nas línguas mortas.

Claro que eu não disse tudo isso para meus entrevistadores. E adverti que minha implicância com a Gramática na certa se devia à minha pouca intimidade com ela. Sempre fui péssimo em Português. Mas – isso eu disse – vejam vocês, a intimidade com a Gramática é tão indispensável que eu ganho a vida escrevendo, apesar da minha total inocência na matéria. Sou um gigolô das palavras. Vivo às suas custas. Abuso delas. Só uso as que eu conheço, as desconhecidas são perigosas e potencialmente traiçoeiras. Exijo submissão. Não raro, peço delas flexões inomináveis para satisfazer um gosto passageiro. Maltrato‑as, sem dúvida. E jamais me deixo dominar por elas. Não me meto na sua vida particular. Não me interessa seu passado, suas origens, sua família nem o que outros já fizeram com elas.

VERISSIMO, Luís Fernando. O gigolô das palavras. In: Luís Fernando Verissimo. Para gostar de ler; Luís Fernando Verissimo: o nariz e outras crônicas. 10a . ed. São Paulo: Ática, 2002. p. 77 (com adaptações).

Com base nos aspectos gramaticais do texto apresentado, julgue o item seguinte. 
Na estrutura da oração “A Gramática é o esqueleto da língua”, há uma figura de linguagem denominada comparação.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Figuras de linguagem: comparação × metáfora

Gabarito: letra E (Errado). A oração “A Gramática é o esqueleto da língua” não contém uma comparação, mas uma metáfora. A diferença é decisiva: na comparação (ou símile) há um conectivo comparativo explícito (como, tal qual, que nem, feito, etc.); na metáfora, a comparação é implícita, sem conectivo. No trecho, não há nenhum conectivo — o autor simplesmente afirma que a Gramática é o esqueleto da língua, estabelecendo uma identificação simbólica entre dois seres de universos distintos. Por isso, o item está errado.

O comando

A questão pede que você julgue se a figura de linguagem presente na oração é a comparação. Isso exige conhecimento conceitual de figuras de linguagem, aplicado ao texto. Não se trata de interpretação de sentido, mas de classificação de um recurso estilístico — e a banca explora exatamente a confusão clássica entre comparação e metáfora.

O texto e a oração analisada

No texto, o autor (Luís Fernando Verissimo) discute o papel da Gramática e afirma:

“A Gramática é o esqueleto da língua.”

Aqui, ele compara implicitamente a Gramática a um esqueleto: assim como o esqueleto sustenta o corpo, a Gramática sustentaria a língua. Mas essa comparação não é marcada por conectivo — não há “como”, “tal qual”, “que nem”. O verbo ser (“é”) estabelece uma identidade metafórica: a Gramática é o esqueleto, não é como o esqueleto. Essa é a assinatura da metáfora.

A técnica que decide

Para distinguir as duas figuras, pergunte: há um conectivo comparativo explícito?

  • Comparação (símile): sim, há conectivo. Ex.: “Ele é forte como um touro.”

  • Metáfora: não, a comparação é subentendida. Ex.: “Ele é um touro.” (sem “como”)

Na oração do texto, não há conectivo. Portanto, é metáfora, não comparação. O item afirma que é comparação — logo, está errado.

Análise da alternativa

Figuras de linguagem
  • 1Comparação (símile)
    • Conectivo explícito
    • Ex.: forte como um touro
  • 2Metáfora
    • Comparação implícita
    • Sem conectivo
    • Ex.: é um touro
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Alternativa E — ❌ Errado ⟵ GABARITO

A afirmação de que há uma comparação está incorreta. A oração “A Gramática é o esqueleto da língua” é uma metáfora, pois estabelece uma comparação implícita, sem conectivo comparativo. O verbo “é” cria uma identificação direta entre Gramática e esqueleto, típica da metáfora. Se fosse comparação, o trecho diria algo como “A Gramática é como o esqueleto da língua”. Como não há conectivo, o item é errado.

Alternativa C — ✅ Certo (se fosse a correta, mas não é)

A alternativa C afirmaria que o item está certo, ou seja, que há comparação. Isso contradiz a análise: não há conectivo comparativo. Portanto, a alternativa C está incorreta — ela troca o conceito de comparação por metáfora, apegando-se à ideia superficial de que “comparar” é o mesmo que “comparação”. A banca explora exatamente essa confusão.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer você acreditar que toda comparação de ideias é a figura “comparação”. Mas a figura exige o conectivo explícito. Sem ele, é metáfora.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar figuras de linguagem, procure marcadores como “como”, “tal qual”, “que nem”, “feito”. Se não houver, desconfie de metáfora.

Conclusão: a oração é uma metáfora, não uma comparação. Portanto, o item está errado.

Gabarito: letra E

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