Questão de Português — Interpretação de Textos — Quadrix 2025
- Código
- qg603947
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- SEDF
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Professor de Educação Básica: Língua Portuguesa
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: C (Certo). O autor realmente explora diferentes significados e classificações das palavras "claro" e "certo" no período citado. A prova está na própria construção: "dizer 'escrever claro' não é certo, mas é claro, certo?" — aqui, "certo" aparece primeiro como adjetivo (sinônimo de "correto", "adequado à norma") e depois como advérbio (sinônimo de "não é verdade?", marcador de confirmação); "claro" aparece como advérbio (sinônimo de "de modo compreensível") e depois como adjetivo (sinônimo de "compreensível", "inteligível").
O comando pede uma análise semântica e morfológica de um trecho específico: o candidato deve verificar se o autor se vale de diferentes sentidos e classes gramaticais para as mesmas palavras. Isso não é uma questão de compreensão global do texto, mas de observação do uso contextual das palavras — exatamente o que a banca descreve no enunciado.
No texto, o autor defende que "escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo". O período em análise é a exemplificação dessa tese:
"Por exemplo: dizer 'escrever claro' não é certo, mas é claro, certo?"
Vamos decompor:
"escrever claro": aqui, "claro" é advérbio (equivale a "claramente"), modificando o verbo "escrever". É uma construção coloquial, que a gramática normativa condenaria (o correto seria "escrever claramente").
"não é certo": "certo" é adjetivo (sinônimo de "correto", "de acordo com a norma"). O autor admite que a expressão "escrever claro" é gramaticalmente incorreta.
"mas é claro": "claro" agora é adjetivo (sinônimo de "compreensível", "inteligível"). O autor afirma que, apesar de incorreta, a expressão é compreensível.
"certo?": "certo" agora é advérbio (marcador discursivo de confirmação, equivalente a "não é verdade?"). O autor busca a concordância do interlocutor.
Assim, a mesma palavra "claro" aparece como advérbio e adjetivo; a mesma palavra "certo" aparece como adjetivo e advérbio. Há, portanto, uma alternância de classes gramaticais e de sentidos — o que confirma a afirmação do enunciado.
A banca explora a polissemia (múltiplos sentidos de uma palavra) e a mudança de classe gramatical conforme o contexto. A pegadinha seria o candidato achar que "claro" e "certo" são sempre adjetivos, ignorando o uso adverbial e o marcador discursivo.
A afirmação está correta. O autor se vale de diferentes significados e classificações das palavras "claro" e "certo" no período. Como demonstrado:
"claro" em "escrever claro" = advérbio (modo);
"claro" em "é claro" = adjetivo (predicativo);
"certo" em "não é certo" = adjetivo (predicativo, sentido de correto);
"certo" em "certo?" = advérbio (marcador de confirmação).
A passagem "dizer 'escrever claro' não é certo, mas é claro, certo?" é a evidência textual direta: as mesmas palavras aparecem com funções e sentidos distintos, o que valida integralmente o enunciado.
A banca testa se o candidato percebe a mudança de classe gramatical das palavras no contexto. Muitos veem "claro" e "certo" apenas como adjetivos e não notam o uso adverbial de "claro" (em "escrever claro") e o uso de "certo" como marcador discursivo (em "certo?").
Ao analisar palavras em contexto, pergunte: qual a função sintática? modifica verbo (advérbio) ou substantivo (adjetivo)? É um marcador de interação? Essa pergunta resolve a questão.
Conclusão: a questão exige percepção de que as palavras "claro" e "certo" são usadas com sentidos e classes gramaticais diferentes no mesmo período. O texto comprova isso, tornando o item Certo.
Gabarito: C (Certo).
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