Questão de Português — Interpretação de Textos — Quadrix 2025
- Código
- qg603956
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- SEDF
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Professor de Educação Básica: Língua Portuguesa
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: Certo (C). O texto combina, de fato, aspectos das tipologias argumentativa, expositiva e instrucional (injuntiva), como se comprova pela presença simultânea de tese + argumentos (trecho “POR QUE USAR LINGUAGEM SIMPLES?”), de explicações e dados objetivos (definição inicial e estatística “3 a cada 10 brasileiros adultos têm dificuldade de entender textos simples”) e de verbos no imperativo orientando o leitor (“Empregue”, “Dê preferência”, “Lembre-se”, “Evite”). A banca não pede que se identifique um único tipo predominante, mas que se reconheça a combinação deles — e o texto a apresenta de forma clara.
A questão pede um julgamento sobre as propriedades linguísticas do texto, especificamente sobre sua organização tipológica. Não se trata de compreensão literal nem de inferência profunda: é uma questão de classificação tipológica, que exige reconhecer as intenções comunicativas presentes no texto. O verbo “combina” é decisivo: não se pergunta qual tipo predomina, mas se há mais de um tipo coexistindo. Como ensinam as gramáticas de texto, um mesmo texto pode apresentar traços de mais de uma tipologia, em maior ou menor notoriedade — e é exatamente isso que ocorre aqui.
O texto é um material institucional sobre Linguagem Simples. Vejamos como cada tipologia se manifesta:
Expositiva: o texto define e explica o conceito, com linguagem impessoal e dados objetivos. O trecho inicial é paradigmático:
“É uma técnica de comunicação utilizada para transmitir informações de maneira simples, objetiva e inclusiva, com a finalidade de facilitar a compreensão.”
Aqui o autor informa, sem defender ponto de vista — marca da dissertação expositiva.
Argumentativa: na seção “POR QUE USAR LINGUAGEM SIMPLES?”, o autor defende a necessidade da linguagem simples, apresentando razões e dados para convencer o leitor:
“Existem estudos que revelam a dificuldade de leitura dos brasileiros, o que deixa mais visível ainda a necessidade de adequação de linguagem: 3 a cada 10 brasileiros adultos têm dificuldade de entender textos simples (Todos Pela Educação, 2018).”
Há uma tese (é preciso usar linguagem simples) sustentada por argumentos (dificuldade de leitura, vantagens listadas) — estrutura típica do texto dissertativo-argumentativo.
Instrucional/injuntiva: na seção “O QUE É PRECISO FAZER?”, o texto orienta o leitor com verbos no imperativo, indicando ações a serem executadas:
“Empregue uma linguagem respeitosa, clara, acessível, inclusiva e de fácil compreensão.”
“Dê preferência a palavras comuns e usadas no dia a dia.”
“Evite o uso de termos estrangeiros, jargões, termos técnicos e siglas desconhecidas.”
Esses comandos diretos são a marca do texto injuntivo, cujo propósito é instruir.
Para resolver, não se deve procurar um único tipo “puro”. O texto transita entre expor (definir), argumentar (convencer) e instruir (orientar). A presença de verbos no imperativo é o sinal mais forte da tipologia injuntiva; a defesa de uma tese com dados revela a argumentativa; e a definição impessoal inicial caracteriza a expositiva. Como o enunciado fala em “combina”, basta que esses traços coexistam — e eles coexistem de forma evidente.
A banca pode tentar induzir o candidato a escolher um único tipo predominante, mas o comando “combina” já sinaliza que a resposta correta exige reconhecer a pluralidade tipológica. Não caia na armadilha de achar que um texto só pode ser de um tipo.
Ao analisar tipologia, pergunte-se: “qual a intenção do autor em cada parte?”. Se há definição → expositivo; se há defesa de ponto de vista com argumentos → argumentativo; se há ordens/instruções → injuntivo. Um texto pode ter todas essas intenções em seções diferentes.
O item está Certo, pois o texto apresenta, de fato, aspectos das três tipologias mencionadas: expositiva (definição e dados), argumentativa (tese e argumentos) e instrucional (verbos no imperativo). A banca não exige que se aponte um tipo único, mas que se reconheça a combinação — e ela está claramente presente.
Gabarito: Certo (C).
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