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Questão de Português — Funções morfossintáticas da palavra QUE — Quadrix 2025

PortuguêsFunções morfossintáticas da palavra QUE
Código
qg603959
Banca
Quadrix
Órgão
SEDF
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor de Educação Básica: Língua Portuguesa
A educação e, mais propriamente, o trabalho escolar de ensino e aprendizagem têm sido objeto de pesquisa sistemática. É desejável que os professores e todos os atores envolvidos com a educação tenham uma postura pró‑ativa na produção de conhecimento científico.

A pesquisa em sala de aula insere‑se no campo da pesquisa social e pode ser construída de acordo com um paradigma quantitativo, que deriva do positivismo, ou com um paradigma qualitativo, que provém da tradição epistemológica conhecida como interpretativismo. O positivismo e o interpretativismo são as duas principais tradições no desenvolvimento da pesquisa social. O positivismo começou a ser empregado nas ciências exatas e foi depois importado pelas ciências sociais, a partir do início do século XIX, desfrutando desde então de grande prestígio. Durante o século XX, a humanidade avançou mais na produção de conhecimento científico do que em todos os milênios de sua existência até agora. As ciências estão organizadas em associações científicas, guardiãs da tradição e da fidedignidade da produção dos cientistas e responsáveis pela intensa divulgação de seus progressos.
Mas não se pode imaginar que o nascedouro das ciências seja contemporâneo das modernas tecnologias. O conhecimento científico tem avançado juntamente com a história da humanidade. Contudo, há alguns períodos nessa história em que o avanço foi mais rápido e mais intenso.

Há muitos registros de atividade científica entre os povos antigos. Exemplos são os conhecimentos de astronomia dos maias, pré‑colombianos; a técnica de mumificação e de construção das pirâmides no antigo Egito; a tecnologia náutica entre os fenícios e outros povos navegadores. Mas foram os gregos, no século IV a.C., que usaram extensivamente a escrita para registrar a evolução de pensamento nas diversas ciências. Essa herança está, praticamente, nas raízes de todo o acervo científico ocidental.

BORTONI‑RICARDO, Stella Maris. O professor pesquisador: introdução à pesquisa qualitativa. São Paulo: Parábola Editorial, 2008, p. 10‑12 (com adaptações).

No que diz respeito aos aspectos gramaticais do texto, julgue o item a seguir
Na oração “que usaram extensivamente a escrita”, o vocábulo “que” é uma conjunção integrante que, ao conectar duas orações no período, contribui para a coesão sequencial do texto.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função do "que" em "que usaram extensivamente a escrita"

Gabarito: E (Errado). O vocábulo "que" na oração em destaque não é conjunção integrante, mas sim pronome relativo, pois retoma o antecedente "os gregos" e introduz uma oração subordinada adjetiva restritiva. A afirmação do item está incorreta ao classificar a função e, consequentemente, ao atribuir-lhe papel de coesão sequencial — na verdade, trata-se de coesão referencial.

O comando e o que ele pede

A questão é de gramática aplicada ao texto: pede-se o julgamento de uma afirmação sobre a classe e a função do "que" em um trecho específico. Não se trata de interpretação de sentido, mas de análise morfossintática — identificar se o vocábulo é conjunção integrante (que introduz oração subordinada substantiva) ou pronome relativo (que introduz oração subordinada adjetiva). A banca também testa o conhecimento de coesão: se o "que" fosse conjunção, ligaria orações por coesão sequencial; sendo pronome relativo, estabelece coesão referencial.

O trecho e a análise sintática

No texto, lê-se:

"Mas foram os gregos, no século IV a.C., que usaram extensivamente a escrita para registrar a evolução de pensamento nas diversas ciências."

Observe a estrutura: o "que" aparece logo após o substantivo "gregos" e inicia a oração "que usaram extensivamente a escrita". Para decidir a classe, o teste clássico é verificar se há antecedente e se o "que" pode ser substituído por "os quais". Veja:

  • "os gregos que usaram a escrita" → "os gregos os quais usaram a escrita" → substituição possível.

  • O "que" retoma "gregos" e exerce função de sujeito da oração adjetiva (quem usaram? os gregos).

Portanto, é pronome relativo, e a oração é subordinada adjetiva restritiva. Se fosse conjunção integrante, não haveria antecedente e a oração funcionaria como termo (sujeito, objeto etc.) de outra — por exemplo: "É importante que os professores pesquisem" (aqui "que" é conjunção integrante, pois a oração "que os professores pesquisem" é sujeito de "é importante").

Coesão: referencial, não sequencial

A coesão sequencial é estabelecida por conectivos que ligam orações coordenadas ou subordinadas adverbiais, indicando relações como causa, consequência, tempo, oposição (ex.: "Estudou muito, por isso passou"). Já o pronome relativo promove coesão referencial, pois retoma um termo anterior (o antecedente), evitando repetição e amarrando o texto por referência. No trecho, o "que" retoma "gregos" — logo, a coesão é referencial, não sequencial. O item erra nos dois pontos: a classe e o tipo de coesão.

"Que" (análise morfossintática)
  • 1Pronome relativo
    • Retoma antecedente ("gregos")
    • Substituível por "os quais"
    • Oração subordinada adjetiva restritiva
    • Coesão referencial
  • 2Conjunção integrante
    • Sem antecedente
    • Oração subordinada substantiva
    • Coesão sequencial
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Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmativa está errada porque classifica o "que" como conjunção integrante. Como demonstrado, o "que" é pronome relativo (equivale a "os quais") e introduz oração adjetiva. Além disso, a coesão gerada é referencial, não sequencial. A banca explora a confusão comum entre "que" conjunção e "que" pronome relativo — ambos ligam orações, mas o relativo sempre retoma um antecedente.

Conclusão

A questão ensina o teste decisivo: se o "que" tem antecedente e pode ser trocado por "o qual/a qual/os quais/as quais", é pronome relativo; se não tem antecedente e a oração funciona como termo da principal, é conjunção integrante. Aplicado ao trecho, o "que" retoma "gregos" → pronome relativo → oração adjetiva → coesão referencial. Portanto, o item está errado.

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar itens sobre o "que", pergunte: há um substantivo logo antes? Posso substituir por "o qual"? Se sim, é pronome relativo. Conjunção integrante não tem antecedente e a oração que introduz pode ser trocada por "isso".

Gabarito: letra E (Errado).

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