A educação e, mais propriamente, o trabalho escolar
de ensino e aprendizagem têm sido objeto de pesquisa
sistemática. É desejável que os professores e todos os
atores envolvidos com a educação tenham uma postura
pró‑ativa na produção de conhecimento científico.
A pesquisa em sala de aula insere‑se no campo da
pesquisa social e pode ser construída de acordo com um
paradigma quantitativo, que deriva do positivismo, ou
com um paradigma qualitativo, que provém da tradição
epistemológica conhecida como interpretativismo. O
positivismo e o interpretativismo são as duas principais
tradições no desenvolvimento da pesquisa social. O
positivismo começou a ser empregado nas ciências exatas e
foi depois importado pelas ciências sociais, a partir do início
do século XIX, desfrutando desde então de grande prestígio. Durante o século XX, a humanidade avançou mais na
produção de conhecimento científico do que em todos
os milênios de sua existência até agora. As ciências estão
organizadas em associações científicas, guardiãs da
tradição e da fidedignidade da produção dos cientistas e
responsáveis pela intensa divulgação de seus progressos.
Mas não se pode imaginar que o nascedouro das ciências
seja contemporâneo das modernas tecnologias. O
conhecimento científico tem avançado juntamente com a
história da humanidade. Contudo, há alguns períodos nessa
história em que o avanço foi mais rápido e mais intenso.
Há muitos registros de atividade científica entre os
povos antigos. Exemplos são os conhecimentos de
astronomia dos maias, pré‑colombianos; a técnica de
mumificação e de construção das pirâmides no antigo
Egito; a tecnologia náutica entre os fenícios e outros
povos navegadores. Mas foram os gregos, no século IV
a.C., que usaram extensivamente a escrita para registrar
a evolução de pensamento nas diversas ciências. Essa
herança está, praticamente, nas raízes de todo o acervo
científico ocidental.
BORTONI‑RICARDO, Stella Maris. O professor pesquisador:
introdução à pesquisa qualitativa.
São Paulo: Parábola Editorial, 2008, p. 10‑12 (com adaptações).
No que diz respeito aos aspectos gramaticais do texto,
julgue o item a seguir
O papel da oração “que os professores e todos os atores envolvidos com a educação tenham uma postura pró‑ativa na produção de conhecimento científico” no período “É desejável que os professores e todos os atores envolvidos com a educação tenham uma postura pró‑ativa na produção de conhecimento científico” é o de complementar a significação do adjetivo “desejável”.
CCerto
EErrado
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — Errado
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Oração subordinada substantiva subjetiva: função sintática no período
Gabarito: E (Errado). A oração “que os professores e todos os atores envolvidos com a educação tenham uma postura pró‑ativa na produção de conhecimento científico” não complementa a significação do adjetivo “desejável”; ela exerce a função de sujeito do verbo “é” (oração subordinada substantiva subjetiva). A afirmação do item está incorreta porque confunde a função de sujeito com a de complemento nominal, que seria o papel de uma oração completiva nominal (ex.: “É desejável de que...”).
O comando
A questão pede uma análise sintática de uma oração dentro de um período. O verbo do enunciado é “julgar” — trata-se de uma assertiva sobre a função da oração destacada. Para resolver, é preciso classificar a oração subordinada e verificar se a função apontada (“complementar a significação do adjetivo”) corresponde à realidade. Não se trata de interpretação de sentido, mas de análise sintática — o que exige domínio das orações subordinadas substantivas.
O texto
O período em análise é:
“É desejável que os professores e todos os atores envolvidos com a educação tenham uma postura pró‑ativa na produção de conhecimento científico”
A oração principal é “É desejável”. O verbo “é” é de ligação (predicativo “desejável”). A oração iniciada por “que” é uma oração subordinada substantiva subjetiva, pois exerce a função de sujeito do verbo “é”. Para confirmar, basta substituir a oração por “isso”: “Isso é desejável” — “isso” é o sujeito. A oração não complementa o adjetivo; ela é o sujeito da predicação.
A técnica que decide
A classificação das orações subordinadas substantivas depende da função sintática que exercem em relação à oração principal. O teste clássico é substituir a oração por “isso” (ou “disto”, “nisso”) e verificar qual termo ela ocupa:
Subjetiva: “É desejável que...” → “Isso é desejável” → sujeito.
Predicativa: “A verdade é que...” → predicativo do sujeito.
Apositiva: “Só quero uma coisa: que...” → aposto.
No período em questão, a oração é subjetiva, pois é o sujeito de “é desejável”. A afirmativa do item diz que ela “complementa a significação do adjetivo ‘desejável’”, o que seria o caso de uma completiva nominal — mas isso exigiria uma preposição (“de que”) e um nome que pedisse complemento, o que não ocorre. O adjetivo “desejável” está como predicativo do sujeito, e o sujeito é justamente a oração.
Orações subordinadas substantivas
1Teste: substituir por "isso"/"disso"/"nisso"
Subjetiva
"Isso é desejável"
função: sujeito
Objetiva direta
"Quero isso"
função: objeto direto
Objetiva indireta
"Preciso disso"
função: objeto indireto
Completiva nominal
"Tenho certeza disso"
função: complemento nominal
Predicativa
"A verdade é isso"
função: predicativo do sujeito
Apositiva
"Só quero uma coisa: isso"
função: aposto
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa E — ❌ Errado ⟵ GABARITO
A afirmativa está errada. A oração “que os professores e todos os atores envolvidos com a educação tenham uma postura pró‑ativa na produção de conhecimento científico” exerce a função de sujeito do verbo “é”, e não de complemento do adjetivo “desejável”. A prova está na substituição por “isso”: “Isso é desejável”. A banca tentou confundir o candidato ao sugerir que a oração “complementa” o adjetivo, mas a função sintática correta é de sujeito (oração subordinada substantiva subjetiva).
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre oração subjetiva e completiva nominal. A completiva nominal complementa um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) e viria com preposição (“de que”). Aqui, a oração é o sujeito de “é desejável” — não há preposição e o teste do “isso” confirma.
PEGA ESSA DICA!
Ao classificar orações subordinadas substantivas, faça sempre o teste da substituição por “isso”/“disso”/“nisso”. Se a oração virar o sujeito da principal, é subjetiva; se virar complemento de um nome, é completiva nominal.
Conclusão: a oração destacada é subjetiva (sujeito de “é desejável”), e não complemento do adjetivo. Portanto, o item está errado.