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Questão de Português — Morfologia — Quadrix 2025

PortuguêsMorfologia
Código
qg604574
Banca
Quadrix
Órgão
CAU-MA
Ano
2025
Nível
Médio
        O nome atribuído às línguas não é uma definição aleatória. As línguas precisam ser nomeadas para poder existir. Línguas são batizadas a partir do momento histórico em que é necessário afirmar sua posição ou conferir identidade aos seus falantes. Assim, a língua dos portugueses chamamos português. Além disso, territórios etnicamente diversos podem apresentar línguas que se relacionam com as populações ali pertencentes. Desse modo, à língua falada no País de Gales dá‑se o nome de galês, e a língua mais falada no sudeste da China chamamos cantonês.

        Parece simples, mas nem tanto. Há diferentes modelos de povoação linguística, que representam a complexidade dos modelos de povoação humana. Mas o que todas as línguas naturais conhecidas compartilham é justamente o fato de servirem à comunicação de seus falantes e terem, por isso, um nome. No que se refere ao Brasil, a língua majoritariamente utilizada em seu vasto território é a que se costumou chamar português. Usar o português no Brasil é fruto de uma herança de colonização e dominação de Portugal, país cuja língua tem esse mesmo nome.

        O português falado no Brasil e o utilizado em Portugal não compartilham as mesmas características. Diferenciam‑se em relação ao vocabulário, à maneira de falar e de entoar as frases, à posição das palavras na frase e assim por diante. Convém questionar, portanto, no que se refere à nomenclatura, se seria necessário modificar o nome pelo qual a língua falada no Brasil é chamada. Há quem continue se referindo a ela tão somente como “português”. Outros propõem o uso consciente de “português brasileiro”, com nome e sobrenome. Já alguns poucos assumiram uma postura mais diferente de chamar “brasileiro” a língua utilizada no Brasil. 

        Chamar apenas “português”, na perspectiva histórica da língua, é um anacronismo. Não corresponde aos fatos históricos. Desconsidera as noções de desenvolvimento independente e contínuo que a língua portuguesa teve no Brasil, especialmente após o século XIX. Chamar apenas de “brasileiro” também evidencia anacronismo. Desconsidera toda a herança linguística trazida para o Brasil, que é inegavelmente portuguesa. O nome “português brasileiro” representa ruptura e continuidade. É um nome apropriado não apenas nos contextos de pesquisa acadêmica, mas uma importante ferramenta para que os falantes se reconheçam diante de sua língua.

OLIVEIRA JUNIOR, R. Português ou brasileiro – qual é o nome da nossa
língua? Revista Roseta, v. 5. n. 1, 2022. Abralin, 2022.
Internet:<roseta.org.br>  (com adaptações).
Considerando os aspectos linguísticos do texto, julgue o item seguinte.Na oração “se seria necessário, a palavra “se” classifica‑se como uma conjunção com significado condicional.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O "se" em "se seria necessário": conjunção integrante, não condicional

Gabarito: E (Errado). Na oração "se seria necessário", o "se" não é conjunção condicional; classifica-se como conjunção integrante, pois introduz uma oração que funciona como sujeito do verbo "ser" ("se seria necessário" = "isso seria necessário"). A banca tenta confundir o candidato com o valor condicional, mas o contexto sintático desmente essa leitura.

O comando: análise morfossintática

A questão pede que você julgue a classificação do "se" no trecho destacado. Isso exige análise morfossintática: não basta saber que "se" pode ser condicional; é preciso ver qual função ele exerce na oração específica. O comando é de conceito (gramática metalinguística), não de interpretação de texto.

O texto: onde está o trecho

No texto, o trecho aparece no segundo parágrafo: "Convém questionar, portanto, no que se refere à nomenclatura, se seria necessário modificar o nome pelo qual a língua falada no Brasil é chamada." O "se" em questão está na oração "se seria necessário modificar o nome...".

A técnica: teste do "isso"

Para distinguir conjunção integrante de conjunção condicional, use o teste clássico: substitua a oração iniciada por "se" por "isso". Se a substituição for possível e mantiver o sentido, o "se" é integrante; se não, é condicional.

  • "se seria necessário modificar o nome" → "isso seria necessário" → faz sentido! Logo, o "se" é conjunção integrante.

  • Se fosse condicional, a oração teria sentido de hipótese: "Se chover, não sairei" → "caso chova, não sairei". No trecho, não há hipótese; há uma dúvida/indagação sobre a necessidade.

Além disso, a oração "se seria necessário..." funciona como sujeito do verbo "convém" (ou, em análise mais tradicional, como objeto direto de "questionar"). Veja: "Convém questionar isso" — o "isso" é o objeto direto de "questionar". Portanto, a oração é substantiva objetiva direta, introduzida por conjunção integrante.

A pegadinha

A banca explora a polissemia do "se": como o "se" pode ser condicional, o candidato desatento marca "Certo" sem analisar a função. Mas o contexto é claro: o "se" não introduz condição, e sim uma oração substantiva.

Conclusão

O item está errado porque o "se" em "se seria necessário" é conjunção integrante, não condicional. A classificação correta se prova pelo teste do "isso" e pela função sintática da oração.

1Classificação correta
Conjunção integrante
Introduz oração substantiva
2Teste do "isso"
"isso seria necessário" → faz sentido
Integrante
3Função sintática
Sujeito de "ser"
Objeto direto de "questionar"
4Não é condicional
Sem valor de hipótese
Não equivale a "caso"
"Se" em "se seria necessário"
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"Se" em "se seria necessário": Classificação correta (Conjunção integrante, Introduz oração substantiva); Teste do "isso" ("isso seria necessário" → faz sentido, Integrante); Função sintática (Sujeito de "ser", Objeto direto de "questionar"); Não é condicional (Sem valor de hipótese, Não equivale a "caso")

Gabarito: E (Errado).

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