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Questão de Português — Interpretação de Textos — Quadrix 2025

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
qg604578
Banca
Quadrix
Órgão
CAU-MA
Ano
2025
Nível
Médio
        O nome atribuído às línguas não é uma definição aleatória. As línguas precisam ser nomeadas para poder existir. Línguas são batizadas a partir do momento histórico em que é necessário afirmar sua posição ou conferir identidade aos seus falantes. Assim, a língua dos portugueses chamamos português. Além disso, territórios etnicamente diversos podem apresentar línguas que se relacionam com as populações ali pertencentes. Desse modo, à língua falada no País de Gales dá‑se o nome de galês, e a língua mais falada no sudeste da China chamamos cantonês.

        Parece simples, mas nem tanto. Há diferentes modelos de povoação linguística, que representam a complexidade dos modelos de povoação humana. Mas o que todas as línguas naturais conhecidas compartilham é justamente o fato de servirem à comunicação de seus falantes e terem, por isso, um nome. No que se refere ao Brasil, a língua majoritariamente utilizada em seu vasto território é a que se costumou chamar português. Usar o português no Brasil é fruto de uma herança de colonização e dominação de Portugal, país cuja língua tem esse mesmo nome.

        O português falado no Brasil e o utilizado em Portugal não compartilham as mesmas características. Diferenciam‑se em relação ao vocabulário, à maneira de falar e de entoar as frases, à posição das palavras na frase e assim por diante. Convém questionar, portanto, no que se refere à nomenclatura, se seria necessário modificar o nome pelo qual a língua falada no Brasil é chamada. Há quem continue se referindo a ela tão somente como “português”. Outros propõem o uso consciente de “português brasileiro”, com nome e sobrenome. Já alguns poucos assumiram uma postura mais diferente de chamar “brasileiro” a língua utilizada no Brasil. 

        Chamar apenas “português”, na perspectiva histórica da língua, é um anacronismo. Não corresponde aos fatos históricos. Desconsidera as noções de desenvolvimento independente e contínuo que a língua portuguesa teve no Brasil, especialmente após o século XIX. Chamar apenas de “brasileiro” também evidencia anacronismo. Desconsidera toda a herança linguística trazida para o Brasil, que é inegavelmente portuguesa. O nome “português brasileiro” representa ruptura e continuidade. É um nome apropriado não apenas nos contextos de pesquisa acadêmica, mas uma importante ferramenta para que os falantes se reconheçam diante de sua língua.

OLIVEIRA JUNIOR, R. Português ou brasileiro – qual é o nome da nossa
língua? Revista Roseta, v. 5. n. 1, 2022. Abralin, 2022.
Internet:<roseta.org.br>  (com adaptações).
Com base nas ideias do texto, julgue o item a seguir.O autor utiliza‑se de argumentos de natureza histórica para desconsiderar os nomes “português” e “brasileiro” como possibilidades terminológicas para a língua falada no Brasil.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Argumentos históricos na desconsideração dos nomes "português" e "brasileiro"

Gabarito: C (Certo). O autor, de fato, utiliza argumentos de natureza histórica para desconsiderar tanto "português" quanto "brasileiro" como nomes adequados para a língua falada no Brasil. A passagem decisiva está no terceiro parágrafo, em que ele afirma que chamar apenas de "português" é um anacronismo por desconsiderar o desenvolvimento independente da língua no Brasil, e que chamar apenas de "brasileiro" também é anacrônico por ignorar a herança portuguesa. A resposta está ancorada na tese central do texto: o nome ideal é "português brasileiro", pois representa ruptura e continuidade.

O comando: compreensão de ideias explícitas

O enunciado pede que se julgue o item "com base nas ideias do texto". Isso caracteriza uma questão de compreensão/recorrência: a resposta deve ser uma paráfrase fiel do que está escrito, sem deduções ou acréscimos. Não se trata de inferir algo implícito, mas de verificar se a afirmação do item corresponde ao que o autor efetivamente defendeu. O verbo "utiliza-se" indica uma ação do autor, e a expressão "argumentos de natureza histórica" aponta para o tipo de justificativa empregada.

O texto: tese e movimento argumentativo

O texto discute qual seria o nome mais adequado para a língua falada no Brasil. O autor apresenta três possibilidades: "português", "brasileiro" e "português brasileiro". A tese central, defendida no último parágrafo, é que "português brasileiro" é o nome apropriado, pois representa ruptura e continuidade. Para chegar a essa conclusão, o autor desconstrói as duas outras opções, usando argumentos de natureza histórica:

  • Contra "português": chama-lo apenas de "português" é um anacronismo, pois desconsidera o desenvolvimento independente e contínuo da língua no Brasil, especialmente após o século XIX.

  • Contra "brasileiro": chamá-lo apenas de "brasileiro" também é anacrônico, pois desconsidera a herança linguística portuguesa, inegável.

O item afirma exatamente isso: o autor usa argumentos históricos para desconsiderar os dois nomes. Isso está explícito no texto, como veremos.

A técnica: localizar a passagem que prova

Em questões de compreensão, a resposta correta é uma paráfrase do texto. O item diz: "O autor utiliza-se de argumentos de natureza histórica para desconsiderar os nomes 'português' e 'brasileiro' como possibilidades terminológicas para a língua falada no Brasil." Vamos conferir cada parte:

  • "argumentos de natureza histórica" → o texto fala em "anacronismo", "fatos históricos", "desenvolvimento independente e contínuo", "herança linguística". Tudo isso é histórico.

  • "desconsiderar os nomes 'português' e 'brasileiro'" → o autor critica ambos, como vimos.

  • "como possibilidades terminológicas" → ele os rejeita como nomes adequados.

A passagem que sustenta tudo isso é:

"Chamar apenas 'português', na perspectiva histórica da língua, é um anacronismo. Não corresponde aos fatos históricos. Desconsidera as noções de desenvolvimento independente e contínuo que a língua portuguesa teve no Brasil, especialmente após o século XIX. Chamar apenas de 'brasileiro' também evidencia anacronismo. Desconsidera toda a herança linguística trazida para o Brasil, que é inegavelmente portuguesa."

Aqui, o autor explicitamente usa a história (anacronismo, fatos históricos, desenvolvimento, herança) para desconsiderar os dois nomes. Portanto, o item está certo.

Análise do item

Item — ✅ CERTO

O item é uma paráfrase fiel do terceiro parágrafo. Ele não acrescenta nada que não esteja no texto, não restringe nem generaliza. Diz exatamente o que o autor faz: usa argumentos históricos para rejeitar "português" e "brasileiro". A palavra "desconsiderar" é sinônimo de "rejeitar" ou "não considerar", e o texto mostra que o autor os considera anacrônicos, ou seja, inadequados. Não há como ler o trecho citado e concluir outra coisa.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de certo/errado, desconfie de itens que usam palavras absolutas como "sempre", "nunca", "apenas". Aqui, o item usa "desconsiderar" e "argumentos de natureza histórica", que são exatamente os termos do texto. Se o item dissesse "o autor desconsidera apenas 'português'", estaria errado, pois ele também rejeita "brasileiro".

Conclusão

O item está certo porque reproduz, com outras palavras, a ideia central do terceiro parágrafo. O autor rejeita os dois nomes com base em argumentos históricos, e o item capta isso perfeitamente. A técnica para resolver: localize a passagem que trata do assunto, compare com o item e verifique se há alguma palavra que mude o sentido. Aqui, não há.

Gabarito: C (Certo).

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