Questão de Português — Interpretação de Textos — Quadrix 2025
- Código
- qg604581
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- CAU-MA
- Ano
- 2025
- Nível
- Médio
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: E (Errado). A afirmação de que "o nome de uma língua reflete as eventualidades históricas pelas quais passaram os seus falantes" não encontra respaldo no texto. O autor sustenta que as línguas são nomeadas a partir de um momento histórico específico em que é necessário afirmar sua posição ou conferir identidade aos falantes, e não que o nome reflita todas as eventualidades históricas vividas por eles. A passagem que ancora essa leitura é a do primeiro parágrafo: "Línguas são batizadas a partir do momento histórico em que é necessário afirmar sua posição ou conferir identidade aos seus falantes."
A questão pede que se julgue o item "com base nas ideias do texto". Isso significa que a resposta deve ser encontrada exclusivamente no que está escrito, sem recorrer a conhecimentos externos ou a deduções que extrapolem o conteúdo. Trata-se de uma questão de compreensão, em que a alternativa correta é uma paráfrase fiel do texto, e a incorreta é aquela que acrescenta, restringe ou contradiz o que foi dito.
O texto de Oliveira Junior discute a nomenclatura da língua falada no Brasil. A tese central é que o nome "português brasileiro" é o mais adequado, pois representa "ruptura e continuidade". Para chegar a essa conclusão, o autor apresenta, no primeiro parágrafo, uma reflexão sobre como as línguas são nomeadas:
"Línguas são batizadas a partir do momento histórico em que é necessário afirmar sua posição ou conferir identidade aos seus falantes."
Essa é a passagem-chave para resolver a questão. Ela afirma que o batismo de uma língua ocorre em um momento histórico específico — aquele em que se faz necessário afirmar a posição da língua ou dar identidade aos falantes. Não se diz que o nome reflete "as eventualidades históricas" (ou seja, todos os acontecimentos, vicissitudes e percalços) pelos quais os falantes passaram. A ideia de "eventualidades" é mais ampla e genérica do que a de "momento histórico em que é necessário afirmar posição ou conferir identidade".
A alternativa comete o erro clássico de extrapolação. Ela pega uma ideia que está no texto (a relação entre o nome da língua e a história) e a amplia indevidamente, acrescentando um elemento que não está presente: a ideia de que o nome reflete "as eventualidades históricas" — ou seja, todos os acontecimentos, inclusive os negativos, pelos quais os falantes passaram. O texto fala de um momento histórico (um ponto específico), não de eventualidades (uma sucessão de acontecimentos).
Para testar a validade da afirmação, basta perguntar: o texto diz que o nome da língua reflete as eventualidades históricas dos falantes? Não. O texto diz que as línguas são batizadas a partir de um momento histórico em que é necessário afirmar posição ou conferir identidade. A alternativa troca "momento histórico em que é necessário afirmar posição ou conferir identidade" por "eventualidades históricas pelas quais passaram os falantes", o que é uma generalização indevida.
A afirmação está errada porque extrapola o conteúdo do texto. O autor não afirma que o nome de uma língua reflete as eventualidades históricas dos falantes; ele afirma que as línguas são batizadas a partir de um momento histórico em que é necessário afirmar sua posição ou conferir identidade aos falantes. A passagem que prova isso é:
"Línguas são batizadas a partir do momento histórico em que é necessário afirmar sua posição ou conferir identidade aos seus falantes."
A alternativa generaliza essa ideia, transformando um "momento histórico" específico em "eventualidades históricas" (todas as vicissitudes). Isso é um erro de extrapolação: acrescenta-se ao texto uma informação que ele não contém.
A banca explora a associação automática entre "nome da língua" e "história dos falantes". O texto realmente relaciona o nome a um contexto histórico, mas a alternativa amplia essa relação para "eventualidades históricas", o que não está dito. O candidato que lê rápido e não confronta a alternativa com o texto exato cai na armadilha.
Em questões de compreensão, desconfie de palavras que ampliam o sentido do texto, como "eventualidades", "todas", "sempre", "apenas". Confronte a alternativa com a passagem exata: o texto diz "momento histórico em que é necessário afirmar posição ou conferir identidade", não "eventualidades históricas".
Conclusão: a afirmação está errada porque extrapola o texto, transformando a ideia de "momento histórico" em "eventualidades históricas". O gabarito é a letra E.
Gabarito: letra E
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