Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Interpretação de Textos — Quadrix 2025

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
qg604581
Banca
Quadrix
Órgão
CAU-MA
Ano
2025
Nível
Médio
        O nome atribuído às línguas não é uma definição aleatória. As línguas precisam ser nomeadas para poder existir. Línguas são batizadas a partir do momento histórico em que é necessário afirmar sua posição ou conferir identidade aos seus falantes. Assim, a língua dos portugueses chamamos português. Além disso, territórios etnicamente diversos podem apresentar línguas que se relacionam com as populações ali pertencentes. Desse modo, à língua falada no País de Gales dá‑se o nome de galês, e a língua mais falada no sudeste da China chamamos cantonês.

        Parece simples, mas nem tanto. Há diferentes modelos de povoação linguística, que representam a complexidade dos modelos de povoação humana. Mas o que todas as línguas naturais conhecidas compartilham é justamente o fato de servirem à comunicação de seus falantes e terem, por isso, um nome. No que se refere ao Brasil, a língua majoritariamente utilizada em seu vasto território é a que se costumou chamar português. Usar o português no Brasil é fruto de uma herança de colonização e dominação de Portugal, país cuja língua tem esse mesmo nome.

        O português falado no Brasil e o utilizado em Portugal não compartilham as mesmas características. Diferenciam‑se em relação ao vocabulário, à maneira de falar e de entoar as frases, à posição das palavras na frase e assim por diante. Convém questionar, portanto, no que se refere à nomenclatura, se seria necessário modificar o nome pelo qual a língua falada no Brasil é chamada. Há quem continue se referindo a ela tão somente como “português”. Outros propõem o uso consciente de “português brasileiro”, com nome e sobrenome. Já alguns poucos assumiram uma postura mais diferente de chamar “brasileiro” a língua utilizada no Brasil. 

        Chamar apenas “português”, na perspectiva histórica da língua, é um anacronismo. Não corresponde aos fatos históricos. Desconsidera as noções de desenvolvimento independente e contínuo que a língua portuguesa teve no Brasil, especialmente após o século XIX. Chamar apenas de “brasileiro” também evidencia anacronismo. Desconsidera toda a herança linguística trazida para o Brasil, que é inegavelmente portuguesa. O nome “português brasileiro” representa ruptura e continuidade. É um nome apropriado não apenas nos contextos de pesquisa acadêmica, mas uma importante ferramenta para que os falantes se reconheçam diante de sua língua.

OLIVEIRA JUNIOR, R. Português ou brasileiro – qual é o nome da nossa
língua? Revista Roseta, v. 5. n. 1, 2022. Abralin, 2022.
Internet:<roseta.org.br>  (com adaptações).
Com base nas ideias do texto, julgue o item a seguir.O nome de uma língua reflete as eventualidades históricas pelas quais passaram os seus falantes.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O nome da língua e as eventualidades históricas

Gabarito: E (Errado). A afirmação de que "o nome de uma língua reflete as eventualidades históricas pelas quais passaram os seus falantes" não encontra respaldo no texto. O autor sustenta que as línguas são nomeadas a partir de um momento histórico específico em que é necessário afirmar sua posição ou conferir identidade aos falantes, e não que o nome reflita todas as eventualidades históricas vividas por eles. A passagem que ancora essa leitura é a do primeiro parágrafo: "Línguas são batizadas a partir do momento histórico em que é necessário afirmar sua posição ou conferir identidade aos seus falantes."

O comando: compreensão de ideias do texto

A questão pede que se julgue o item "com base nas ideias do texto". Isso significa que a resposta deve ser encontrada exclusivamente no que está escrito, sem recorrer a conhecimentos externos ou a deduções que extrapolem o conteúdo. Trata-se de uma questão de compreensão, em que a alternativa correta é uma paráfrase fiel do texto, e a incorreta é aquela que acrescenta, restringe ou contradiz o que foi dito.

O texto: a tese sobre a nomeação das línguas

O texto de Oliveira Junior discute a nomenclatura da língua falada no Brasil. A tese central é que o nome "português brasileiro" é o mais adequado, pois representa "ruptura e continuidade". Para chegar a essa conclusão, o autor apresenta, no primeiro parágrafo, uma reflexão sobre como as línguas são nomeadas:

"Línguas são batizadas a partir do momento histórico em que é necessário afirmar sua posição ou conferir identidade aos seus falantes."

Essa é a passagem-chave para resolver a questão. Ela afirma que o batismo de uma língua ocorre em um momento histórico específico — aquele em que se faz necessário afirmar a posição da língua ou dar identidade aos falantes. Não se diz que o nome reflete "as eventualidades históricas" (ou seja, todos os acontecimentos, vicissitudes e percalços) pelos quais os falantes passaram. A ideia de "eventualidades" é mais ampla e genérica do que a de "momento histórico em que é necessário afirmar posição ou conferir identidade".

A técnica: identificar a extrapolação

A alternativa comete o erro clássico de extrapolação. Ela pega uma ideia que está no texto (a relação entre o nome da língua e a história) e a amplia indevidamente, acrescentando um elemento que não está presente: a ideia de que o nome reflete "as eventualidades históricas" — ou seja, todos os acontecimentos, inclusive os negativos, pelos quais os falantes passaram. O texto fala de um momento histórico (um ponto específico), não de eventualidades (uma sucessão de acontecimentos).

Para testar a validade da afirmação, basta perguntar: o texto diz que o nome da língua reflete as eventualidades históricas dos falantes? Não. O texto diz que as línguas são batizadas a partir de um momento histórico em que é necessário afirmar posição ou conferir identidade. A alternativa troca "momento histórico em que é necessário afirmar posição ou conferir identidade" por "eventualidades históricas pelas quais passaram os falantes", o que é uma generalização indevida.

Alternativa E — ❌ Errada ⟵ GABARITO

A afirmação está errada porque extrapola o conteúdo do texto. O autor não afirma que o nome de uma língua reflete as eventualidades históricas dos falantes; ele afirma que as línguas são batizadas a partir de um momento histórico em que é necessário afirmar sua posição ou conferir identidade aos falantes. A passagem que prova isso é:

"Línguas são batizadas a partir do momento histórico em que é necessário afirmar sua posição ou conferir identidade aos seus falantes."

A alternativa generaliza essa ideia, transformando um "momento histórico" específico em "eventualidades históricas" (todas as vicissitudes). Isso é um erro de extrapolação: acrescenta-se ao texto uma informação que ele não contém.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a associação automática entre "nome da língua" e "história dos falantes". O texto realmente relaciona o nome a um contexto histórico, mas a alternativa amplia essa relação para "eventualidades históricas", o que não está dito. O candidato que lê rápido e não confronta a alternativa com o texto exato cai na armadilha.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, desconfie de palavras que ampliam o sentido do texto, como "eventualidades", "todas", "sempre", "apenas". Confronte a alternativa com a passagem exata: o texto diz "momento histórico em que é necessário afirmar posição ou conferir identidade", não "eventualidades históricas".

Conclusão: a afirmação está errada porque extrapola o texto, transformando a ideia de "momento histórico" em "eventualidades históricas". O gabarito é a letra E.

Gabarito: letra E

Link permanente: /questoes/qg604581