Questão de Português — Interpretação de Textos — Quadrix 2025
- Código
- qg604644
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- CAU-MA
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: C (Certo). As palavras "ultrapassada" e "antiarquitetura" expressam, sim, o juízo de valor das autoras, pois ambas carregam uma avaliação negativa explícita sobre a arquitetura hostil. "Ultrapassada" qualifica a ideia como antiquada, e "antiarquitetura" classifica a prática como contrária à própria essência da arquitetura. Essa carga avaliativa está marcada linguisticamente no texto, como se vê no trecho: "Uma ideia ultrapassada, pautada na especulação imobiliária" e "impedir o uso de espaços públicos é, definitivamente, uma antiarquitetura".
A questão pede um julgamento sobre aspectos gramaticais do texto, mas o que está em jogo é a semântica das palavras: o valor expressivo (conotativo) que elas adquirem no contexto. Não se trata de uma regra de concordância ou regência, mas da capacidade de o vocabulário veicular a opinião do autor. Para resolver, é preciso distinguir denotação (sentido literal, dicionarizado) de conotação (sentido figurado, contextual) e perceber que adjetivos e substantivos formados por prefixação podem carregar juízo de valor.
Juízo de valor é uma avaliação subjetiva, uma opinião que o autor emite sobre algo, classificando-o como bom, ruim, adequado, inadequado, etc. No texto, as autoras não apenas descrevem a arquitetura hostil; elas a condenam. Essa condenação aparece em várias escolhas lexicais:
"ultrapassada" — adjetivo que atribui à ideia a característica de ser antiquada, superada, o que é uma avaliação negativa.
"antiarquitetura" — substantivo formado por prefixação (anti- + arquitetura) que significa "contrário à arquitetura", ou seja, uma prática que nega a própria finalidade da arquitetura. É uma avaliação fortemente negativa.
"Uma ideia ultrapassada, pautada na especulação imobiliária" "impedir o uso de espaços públicos é, definitivamente, uma antiarquitetura"
Ambas as palavras não são neutras: elas expressam a posição crítica das autoras. "Ultrapassada" diz que a ideia é velha e sem valor; "antiarquitetura" diz que a prática é uma negação da arquitetura. Portanto, o item está certo.
A banca poderia tentar fazer o candidato achar que "ultrapassada" e "antiarquitetura" são apenas descrições objetivas. Mas não são: são avaliações. Uma descrição objetiva seria, por exemplo, "a arquitetura hostil é um conjunto de dispositivos construtivos" — isso é um fato. Já chamá-la de "ultrapassada" ou "antiarquitetura" é opinar sobre ela.
A banca testa se o candidato percebe que adjetivos e substantivos avaliativos (como "ultrapassada" e "antiarquitetura") expressam opinião, e não fato. Quem lê apenas a superfície gramatical pode achar que se trata de descrição neutra.
O texto é claramente argumentativo: as autoras defendem a tese de que a arquitetura hostil é prejudicial. Os termos avaliativos são as marcas linguísticas dessa opinião. Veja a progressão:
Definem o que é arquitetura hostil (fato).
Chamam a ideia de "ultrapassada" (opinião).
Chamam a prática de "antiarquitetura" (opinião).
Concluem que "todos nós perdemos" (opinião).
A presença desses termos no texto é a prova de que as autoras emitem juízo de valor. Não há como ler "antiarquitetura" sem perceber a reprovação.
A assertiva está correta porque "ultrapassada" e "antiarquitetura" são palavras que carregam, no contexto, uma avaliação negativa explícita das autoras sobre a arquitetura hostil. A resposta se ancora diretamente no texto, que as utiliza para condenar a prática.
Em questões de "juízo de valor", pergunte: a palavra descreve um fato ou avalia algo? Se ela qualifica como bom/ruim, velho/novo, adequado/inadequado, é juízo de valor. Palavras como "ultrapassada", "injusta", "belo", "anti-*" são típicas marcas de opinião.
Gabarito: C (Certo).
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