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Questão de Português — Interpretação de Textos — Quadrix 2025

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
qg604644
Banca
Quadrix
Órgão
CAU-MA
Ano
2025
Nível
Superior
A arquitetura hostil, como se convencionou chamar, é um conjunto de dispositivos construtivos que têm como objetivo impedir a permanência de pessoas, especialmente daquelas em situação de rua, em bancos de praças, espaços residuais em fachadas e demais áreas livres do espaço público. Uma ideia ultrapassada, pautada na especulação imobiliária, onde se acredita que a remoção dessas pessoas valoriza o entorno e, consequentemente, aumenta o valor dos imóveis da região, a chamada gentrificação.

Se a base da arquitetura é o abrigo e o ofício do Arquiteto e Urbanista é justamente propor espaços de bem‑estar e acolhimento, impedir o uso de espaços públicos é, definitivamente, uma antiarquitetura. Essa prática está presente em diversas cidades mundo afora, com a instalação de cacos de vidro, pedras, barreiras, peças pontiagudas e outros elementos que hostilizam o usuário e reforçam a mensagem de que “esse lugar não é para você”. No Brasil, esse debate ganhou força apenas nos últimos anos.

Além de não resolver a complexa questão das pessoas em situação de rua, a arquitetura hostil influencia na relação do indivíduo com o espaço público e impede que seus equipamentos sejam plenamente utilizados, afinal, uma simples atividade como se sentar em um banco para descansar e desfrutar da sombra de uma árvore é prejudicada pela inserção desses elementos. Sem a liberdade de utilizar os espaços públicos, todos nós perdemos. Nossas cidades tornam‑se mais frias, agressivas e excludentes. Nossas praças e calçadas são apenas locais de passagem.

Carol Bernardo e Tamires de Alcântara. A quem pertencem nossas cidades?
Internet:<blog.archtrends.com>  (com adaptações). 
Considerando‑se os aspectos gramaticais do texto, julgue o item a seguir.Palavras como “ultrapassada” (segundo período do primeiro parágrafo) e “anti‑arquitetura” (primeiro período do segundo parágrafo) expressam o juízo de valor das autoras acerca da arquitetura hostil.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Juízo de valor em "ultrapassada" e "antiarquitetura"

Gabarito: C (Certo). As palavras "ultrapassada" e "antiarquitetura" expressam, sim, o juízo de valor das autoras, pois ambas carregam uma avaliação negativa explícita sobre a arquitetura hostil. "Ultrapassada" qualifica a ideia como antiquada, e "antiarquitetura" classifica a prática como contrária à própria essência da arquitetura. Essa carga avaliativa está marcada linguisticamente no texto, como se vê no trecho: "Uma ideia ultrapassada, pautada na especulação imobiliária" e "impedir o uso de espaços públicos é, definitivamente, uma antiarquitetura".

A questão pede um julgamento sobre aspectos gramaticais do texto, mas o que está em jogo é a semântica das palavras: o valor expressivo (conotativo) que elas adquirem no contexto. Não se trata de uma regra de concordância ou regência, mas da capacidade de o vocabulário veicular a opinião do autor. Para resolver, é preciso distinguir denotação (sentido literal, dicionarizado) de conotação (sentido figurado, contextual) e perceber que adjetivos e substantivos formados por prefixação podem carregar juízo de valor.

O que é juízo de valor?

Juízo de valor é uma avaliação subjetiva, uma opinião que o autor emite sobre algo, classificando-o como bom, ruim, adequado, inadequado, etc. No texto, as autoras não apenas descrevem a arquitetura hostil; elas a condenam. Essa condenação aparece em várias escolhas lexicais:

  • "ultrapassada" — adjetivo que atribui à ideia a característica de ser antiquada, superada, o que é uma avaliação negativa.

  • "antiarquitetura" — substantivo formado por prefixação (anti- + arquitetura) que significa "contrário à arquitetura", ou seja, uma prática que nega a própria finalidade da arquitetura. É uma avaliação fortemente negativa.

"Uma ideia ultrapassada, pautada na especulação imobiliária" "impedir o uso de espaços públicos é, definitivamente, uma antiarquitetura"

Ambas as palavras não são neutras: elas expressam a posição crítica das autoras. "Ultrapassada" diz que a ideia é velha e sem valor; "antiarquitetura" diz que a prática é uma negação da arquitetura. Portanto, o item está certo.

A pegadinha: confundir juízo de valor com fato

A banca poderia tentar fazer o candidato achar que "ultrapassada" e "antiarquitetura" são apenas descrições objetivas. Mas não são: são avaliações. Uma descrição objetiva seria, por exemplo, "a arquitetura hostil é um conjunto de dispositivos construtivos" — isso é um fato. Já chamá-la de "ultrapassada" ou "antiarquitetura" é opinar sobre ela.

Juízo de valor
  • 1Conceito
    • Avaliação subjetiva do autor
    • Classifica como bom/ruim, adequado/inadequado
  • 2Marcas linguísticas
    • Adjetivos avaliativos
      • "ultrapassada"
    • Substantivos com prefixo negativo
      • "antiarquitetura"
  • 3Distinção
    • Denotação (sentido literal)
    • Conotação (sentido figurado/contextual)
  • 4Como identificar
    • A palavra descreve fato?
    • A palavra avalia algo?
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NÃO CAIA NESSA!

A banca testa se o candidato percebe que adjetivos e substantivos avaliativos (como "ultrapassada" e "antiarquitetura") expressam opinião, e não fato. Quem lê apenas a superfície gramatical pode achar que se trata de descrição neutra.

Como provar no texto

O texto é claramente argumentativo: as autoras defendem a tese de que a arquitetura hostil é prejudicial. Os termos avaliativos são as marcas linguísticas dessa opinião. Veja a progressão:

  1. Definem o que é arquitetura hostil (fato).

  2. Chamam a ideia de "ultrapassada" (opinião).

  3. Chamam a prática de "antiarquitetura" (opinião).

  4. Concluem que "todos nós perdemos" (opinião).

A presença desses termos no texto é a prova de que as autoras emitem juízo de valor. Não há como ler "antiarquitetura" sem perceber a reprovação.

Conclusão

A assertiva está correta porque "ultrapassada" e "antiarquitetura" são palavras que carregam, no contexto, uma avaliação negativa explícita das autoras sobre a arquitetura hostil. A resposta se ancora diretamente no texto, que as utiliza para condenar a prática.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de "juízo de valor", pergunte: a palavra descreve um fato ou avalia algo? Se ela qualifica como bom/ruim, velho/novo, adequado/inadequado, é juízo de valor. Palavras como "ultrapassada", "injusta", "belo", "anti-*" são típicas marcas de opinião.

Gabarito: C (Certo).

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