Questão de Português — Funções morfossintáticas da palavra SE — Quadrix 2025
- Código
- qg604650
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- CAU-MA
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: E (Errado). No trecho "não se notam programas", o vocábulo "se" é partícula apassivadora (pronome apassivador), e não índice de indeterminação do sujeito. A prova está na transitividade do verbo "notar": quem nota, nota algo — "programas" é objeto direto na voz ativa, o que permite a transposição para a voz passiva sintética. Como se lê no texto: "não se notam programas que venham atender essa demanda".
A questão pede um julgamento Certo/Errado sobre a função sintática do "se" em um trecho específico. Isso é uma questão de gramática aplicada ao texto: não se trata de interpretar ideias, mas de analisar a estrutura sintática da oração. O comando afirma que o "se" indetermina o sujeito — precisamos verificar se essa classificação está correta.
A distinção entre partícula apassivadora (PA) e índice de indeterminação do sujeito (IIS) é feita pela transitividade do verbo:
PA: ocorre com VTD ou VTDI (verbos que admitem objeto direto). O "se" transforma o objeto direto em sujeito paciente, e o verbo concorda com ele.
IIS: ocorre com VTI, VI ou VL (verbos que NÃO admitem objeto direto). O verbo fica sempre na 3ª pessoa do singular.
No trecho "não se notam programas", o verbo é "notar" — transitivo direto. Na voz ativa, teríamos: "(alguém) não nota programas". O termo "programas" é o objeto direto. Ao passar para a voz passiva sintética, o objeto direto vira sujeito paciente: "programas não são notados". O "se" é, portanto, partícula apassivadora.
"Também nesse sentido, não se notam programas que venham atender essa demanda"
A concordância verbal confirma: "notam" está no plural porque concorda com o sujeito paciente "programas". Se fosse IIS, o verbo ficaria no singular (ex.: "precisa-se de funcionários").
A banca tenta confundir o candidato explorando a semelhança superficial entre as duas construções. Ambas usam o "se" e ambas escondem o agente da ação. A diferença crucial está na transitividade do verbo e na concordância verbal. O candidato que decora exemplos sem entender o critério cai na armadilha.
A banca aposta na confusão entre partícula apassivadora e índice de indeterminação do sujeito. O verbo "notar" é transitivo direto (nota-se algo), o que torna o "se" apassivador — não indeterminador.
A afirmação de que o "se" indetermina o sujeito está errada. No trecho, o "se" é partícula apassivadora, pois o verbo "notar" é transitivo direto e o termo "programas" funciona como sujeito paciente. A prova está na possibilidade de transposição para a voz passiva analítica: "programas não são notados". Se fosse IIS, o verbo ficaria no singular e não haveria sujeito explícito.
Para diferenciar PA de IIS, pergunte: o verbo admite objeto direto? Se sim, o "se" é apassivador e o verbo concorda com o sujeito paciente. Se não (VTI, VI, VL), o "se" é IIS e o verbo fica no singular.
Conclusão: a assertiva está errada porque classifica como índice de indeterminação do sujeito um "se" que, na verdade, é partícula apassivadora. O critério decisivo é a transitividade do verbo "notar" (VTD), que permite a voz passiva sintética com concordância plural.
Gabarito: E (Errado).
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