Questão de Português — Interpretação de Textos — Quadrix 2025
- Código
- qg604789
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- CFO
- Ano
- 2025
- Nível
- Fundamental
Texto para o item.

Internet: <www.gov.br> (com adaptações)
- CCerto
- EErrado
Texto para o item.

Internet: <www.gov.br> (com adaptações)
GabaritoE — Errado
Gabarito: E (Errado). A reescrita proposta não mantém o sentido original nem a correção gramatical plena, pois transforma a locução prepositiva "para a manutenção" (finalidade, com sujeito indeterminado) em uma oração desenvolvida "para que se mantenha" (finalidade, mas com voz passiva sintética, em que "saúde bucal" vira sujeito paciente). Essa mudança de voz verbal altera a perspectiva semântica: no original, alguém (implícito) mantém a saúde bucal; na reescrita, a saúde bucal é mantida (por alguém não expresso). A banca explora a aparente equivalência entre "manutenção" e "se mantenha", mas a troca de estrutura sintática introduz uma diferença sutil de sentido.
A questão é de reescritura de frases — o enunciado pede que se julgue se a reescrita "poderia ser feita sem alteração do sentido original nem prejuízo para a correção gramatical". Isso significa que a resposta exige comparar duas estruturas: a original (oração com locução prepositiva) e a reescrita (oração desenvolvida com conjunção + verbo no subjuntivo). Não basta verificar se a reescrita é gramaticalmente correta; é preciso verificar se o sentido foi preservado. Em questões de reescrita, a banca costuma usar três armadilhas: (1) trocar um termo por sinônimo aparente que muda o sentido; (2) alterar a voz verbal ou o sujeito; (3) quebrar a regência ou a concordância. Aqui, a armadilha é a segunda.
A oração original é:
"Esses são alguns cuidados já conhecidos para a manutenção da saúde bucal."
Analisando sintaticamente:
"Esses" — sujeito (pronome demonstrativo)
"são" — verbo de ligação
"alguns cuidados já conhecidos" — predicativo do sujeito
"para a manutenção da saúde bucal" — adjunto adverbial de finalidade (locução prepositiva "para a" + substantivo "manutenção" + complemento nominal "da saúde bucal")
A locução "para a manutenção" expressa finalidade: os cuidados servem para manter a saúde bucal. O sujeito da ação de "manter" não está explícito — é indeterminado (quem mantém? qualquer pessoa que adote os cuidados).
A reescrita proposta:
"Esses já são alguns cuidados conhecidos para que se mantenha a saúde bucal."
Aqui, "para que" introduz uma oração subordinada adverbial final desenvolvida, com verbo "manter" no presente do subjuntivo ("mantenha"). O "se" é partícula apassivadora (voz passiva sintética): "se mantenha a saúde bucal" = "a saúde bucal seja mantida". Portanto, na reescrita, o sujeito de "manter" é "a saúde bucal" (sujeito paciente), e o agente fica implícito. No original, o sujeito de "manter" é indeterminado, mas a voz é ativa (alguém mantém). Essa diferença de voz verbal — ativa no original, passiva na reescrita — altera o foco da ação: no original, o destaque está na ação de manter (quem mantém? indeterminado); na reescrita, o destaque está no resultado (a saúde bucal é mantida).
Além disso, há uma mudança de colocação do advérbio "já": no original, "já conhecidos" (adjunto adnominal que qualifica "cuidados"); na reescrita, "já são" (advérbio que modifica o verbo "ser"). Isso também altera sutilmente o sentido: no original, os cuidados são conhecidos (já se sabe quais são); na reescrita, eles já são (existem) como cuidados conhecidos. A mudança de posição do advérbio pode ser considerada aceitável, mas a mudança de voz verbal é o ponto decisivo.
Para julgar se uma reescrita preserva o sentido, o método é:
Identificar a função sintática de cada termo na original.
Verificar se a reescrita mantém a mesma relação lógica (causa, finalidade, condição, etc.).
Conferir se o sujeito e a voz verbal foram preservados — mudar de voz ativa para passiva, ou vice-versa, quase sempre altera o sentido.
Testar a correção gramatical — regência, concordância, tempo verbal.
No caso, a relação de finalidade foi mantida ("para a manutenção" = "para que se mantenha"), mas a voz verbal mudou. A banca explora o fato de que "manutenção" (substantivo) e "se mantenha" (verbo na passiva) são semanticamente próximos, mas a estrutura sintática é diferente. Em questões de reescrita, a banca adora essa pegadinha: trocar um substantivo por um verbo cognato, mas alterar a voz.
A reescrita não é aceitável, pois:
Alteração de voz verbal: original "para a manutenção" (voz ativa, sujeito indeterminado) → reescrita "para que se mantenha" (voz passiva sintética, sujeito paciente "a saúde bucal").
Mudança de foco: no original, o foco está na ação de manter (quem mantém? indeterminado); na reescrita, o foco está no resultado (a saúde bucal é mantida).
Deslocamento do advérbio "já": no original, "já conhecidos" (qualifica "cuidados"); na reescrita, "já são" (modifica o verbo). Isso também contribui para a alteração de sentido.
Portanto, a reescrita não preserva o sentido original, e o item está errado.
A questão ensina que, em reescrita, não basta manter a ideia geral; é preciso preservar a estrutura sintática e a voz verbal. A banca trocou "manutenção" por "se mantenha", mas a passiva altera o sujeito e o foco. Sempre que a reescrita mudar a voz (ativa → passiva) ou o sujeito, desconfie: o sentido provavelmente mudou.
Gabarito: letra E (Errado).
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