Questão de Português — Flexão verbal de tempo (presente, pretérito, futuro) — Quadrix 2025
Português›Flexão verbal de tempo (presente, pretérito, futuro)
Código
qg604921
Banca
Quadrix
Órgão
CORE-CE
Ano
2025
Nível
Médio
Texto para questão.
Representante comercial que morreu na queda de
avião em Vinhedo é sepultado em Mossoró
Internet: <www.g1.globo.com> (com adaptações).
No título do texto, a forma “é sepultado” apresenta um verbo conjugado no presente, e indica o
Apresente em que acontecem os fatos apresentados.
Bpresente em que o texto é lido antes de ser publicado.
Cpassado que se pretende aproximar do leitor.
Dfuturo no qual os fatos apresentados ocorrerão.
Efuturo que se espera para os fatos apresentados.
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GabaritoC — passado que se pretende aproximar do leitor.
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Valor discursivo do presente do indicativo em título jornalístico
Gabarito: letra C. A forma “é sepultado” está no presente do indicativo, mas, no contexto do título, indica um passado que se pretende aproximar do leitor — é o chamado presente histórico (ou presente narrativo), recurso típico do jornalismo para dar atualidade e vivacidade a um fato já ocorrido. A pista decisiva está no próprio título: o verbo “morreu” (pretérito perfeito) localiza a morte no passado, e o sepultamento, logicamente posterior, também já aconteceu; o presente em “é sepultado” não marca o momento da fala, mas reaproxima o fato passado.
O comando: o que a banca pede
A questão não pergunta qual é o tempo verbal (isso é dado: “apresenta um verbo conjugado no presente”), e sim qual valor discursivo esse presente assume no contexto. Trata-se de uma questão de interpretação do efeito de sentido do tempo verbal, não de mera identificação morfológica. O verbo está no presente, mas o que ele significa no título? É essa a pergunta. Por isso, a resposta não está na conjugação, e sim na relação entre o tempo verbal e o fato narrado.
O texto: onde mora a resposta
O título é: “Representante comercial que morreu na queda de avião em Vinhedo é sepultado em Mossoró”. Repare na arquitetura temporal:
“Representante comercial que morreu na queda de avião em Vinhedo é sepultado em Mossoró”
O verbo “morreu” está no pretérito perfeito — fato concluído no passado. O sepultamento, por ser posterior à morte, também é um fato passado. No entanto, o autor escolheu o presente para narrar o sepultamento. Essa escolha não é inocente: ela aproxima o fato do leitor, como se ele estivesse acontecendo agora, criando um efeito de atualidade e dramaticidade. É exatamente o que a alternativa C afirma: “passado que se pretende aproximar do leitor”.
A técnica: presente histórico e seus usos
O presente do indicativo tem vários valores além do “fato que ocorre no momento da fala”. Entre eles:
Presente habitual: “Eu acordo cedo todos os dias.”
Presente atemporal/científico: “A água ferve a 100°C.”
Presente com valor de futuro: “Amanhã eu viajo.”
Presente histórico/narrativo: usado para narrar fatos passados como se fossem atuais, comum em títulos de notícia, biografias e narrações para dar vivacidade. Ex.: “Em 1969, o homem pisa na Lua.” (na verdade, pisou)
No título em questão, o presente “é sepultado” é um presente histórico: o sepultamento já ocorreu, mas o jornal o apresenta no presente para aproximar o leitor do acontecimento, tornando a notícia mais envolvente. Essa é a pegadinha da banca: ela sabe que muitos candidatos vão marcar a alternativa A (“presente em que acontecem os fatos apresentados”), pois o presente, em seu uso básico, indica o momento da fala. Mas aqui o contexto desmente essa leitura: o verbo “morreu” já situou a morte no passado, e o sepultamento, logicamente, também.
Análise das alternativas
1Habitual
2Atemporal/científico
3Futuro
4Histórico/narrativo
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Alternativa A — ❌ Incorreta
“presente em que acontecem os fatos apresentados.”
Essa alternativa descreve o uso básico do presente: fato que ocorre no momento da fala. No entanto, o título narra um fato passado (a morte e o sepultamento já ocorreram). O verbo “morreu” é a prova: se a morte já aconteceu, o sepultamento também. O presente aqui não indica simultaneidade com o momento da fala, mas sim um recurso estilístico para aproximar o passado. A alternativa extrapola o uso literal do presente, ignorando o contexto. Erro: generalização indevida (aplicar o valor básico sem considerar o contexto).
Alternativa B — ❌ Incorreta
“presente em que o texto é lido antes de ser publicado.”
Essa alternativa é absurda e foge ao tema: o presente do verbo não tem relação com o ato de leitura ou publicação. O texto é lido depois de publicado, e o presente verbal não indica nada sobre o processo de leitura. A banca incluiu essa opção apenas para testar se o candidato se deixa levar por uma ideia sem base no texto. Erro: fora do escopo (tangencia o assunto sem qualquer apoio).
Alternativa C — ✅ Correta
“passado que se pretende aproximar do leitor.”
É exatamente o que ocorre. O presente “é sepultado” é um presente histórico: o fato é passado, mas o autor o apresenta no presente para criar um efeito de proximidade e atualidade. O verbo “morreu” (pretérito perfeito) confirma que a morte é passada; o sepultamento, por ser posterior, também é. O uso do presente é uma escolha estilística do jornalista para tornar a notícia mais viva. A alternativa C capta esse valor discursivo com precisão.
Alternativa D — ❌ Incorreta
“futuro no qual os fatos apresentados ocorrerão.”
Essa alternativa contradiz o texto: o título narra fatos já ocorridos (a morte e o sepultamento). Não há qualquer indicação de futuro. O verbo “morreu” está no pretérito, e o sepultamento, embora no presente, refere-se a um fato passado. A alternativa inverte o sentido temporal. Erro: contradiz o texto (troca o passado por futuro).
Alternativa E — ❌ Incorreta
“futuro que se espera para os fatos apresentados.”
Assim como a D, essa alternativa contradiz o texto. Não há expectativa de futuro; os fatos já aconteceram. O presente histórico não indica futuro, mas sim passado aproximado. A alternativa extrapola o sentido do presente, atribuindo-lhe um valor de futuro que não existe no contexto. Erro: contradiz o texto (atribui valor de futuro a um fato passado).
Conclusão
A questão exige que o candidato vá além da morfologia e perceba o valor discursivo do tempo verbal. O presente “é sepultado” é um presente histórico, usado para aproximar o passado do leitor. A alternativa C é a única que traduz esse efeito. As demais ou generalizam o uso básico do presente (A), ou contradizem o texto (D e E), ou fogem ao tema (B).
PEGA ESSA DICA!
Em questões sobre valor de tempo verbal, sempre verifique o contexto: o verbo está sozinho ou há outros verbos que indicam o tempo real? Se houver um pretérito ao lado, o presente provavelmente é histórico.