Deixando de lado os motivos, atenhamo‑nos à
maneira correta de chorar, entendendo por isto um choro
que não penetre no escândalo, que não insulte o sorriso
com sua semelhança desajeitada e paralela. O choro médio
ou comum consiste numa contração geral do rosto e um
som espasmódico acompanhado de lágrimas e muco, este
no fim, pois o choro acaba no momento em que a gente se
assoa energicamente.
Para chorar, dirija a imaginação a você mesmo,
e se isto lhe for impossível por ter adquirido o hábito de
acreditar no mundo exterior, pense num pato coberto de
formigas ou nesses golfos do estreito de Magalhães nos
quais não entra ninguém, nunca.
Quando o choro chegar, você cobrirá o rosto com
delicadeza, usando ambas as mãos com a palma para
dentro. As crianças chorarão esfregando a manga do casaco
na cara, e de preferência num canto do quarto. Duração
média do choro, três minutos.
CORTÁZAR, Júlio. Instruções para chorar. In: Histórias de cronópios
e de famas. São Paulo: Editora Best Seller, 2013.
“Para chorar, dirija a imaginação a você mesmo”. Nesse período, a oração “Para chorar” representa
Auma condição sem a qual o ato de dirigir a imaginação a si mesmo não ocorre.
Ba causa do ato de dirigir a imaginação a sim mesmo.
Ca finalidade do ato de dirigir a imaginação a si mesmo.
Da consequência do ato de dirigir a imaginação a si mesmo.
Euma explicação para o ato de dirigir a imaginação a si mesmo.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoC — a finalidade do ato de dirigir a imaginação a si mesmo.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Oração subordinada adverbial final: o valor de "Para chorar"
Gabarito: letra C. No período "Para chorar, dirija a imaginação a você mesmo", a oração "Para chorar" expressa a finalidade do ato de dirigir a imaginação a si mesmo — ou seja, indica para que se deve fazer isso. A prova está na própria estrutura: a preposição "para" + verbo no infinitivo é o conectivo clássico de finalidade, e o sentido do trecho confirma: primeiro se dirige a imaginação, com o objetivo de chorar.
O comando pede que você identifique a relação semântica que a oração "Para chorar" estabelece com a oração principal. Isso é uma questão de sintaxe do período composto — mais especificamente, de orações subordinadas adverbiais. A banca não quer que você decore a lista de conjunções, mas que reconheça o valor lógico que a oração introduz. Aqui, o conectivo é a preposição "para" (seguida de infinitivo), que, em português, tem valor predominantemente final — indica o propósito, o objetivo da ação expressa na oração principal.
No texto de Cortázar, o trecho é uma instrução: o autor ensina como chorar. A oração "Para chorar" abre o período e estabelece o objetivo da ordem "dirija a imaginação a você mesmo". Não é uma condição (não há "se"), não é causa (não há "porque"), não é consequência (não há "portanto") e não é explicação (não há "isto é"). É pura e simplesmente a finalidade: você dirige a imaginação a si mesmo para que o choro aconteça.
A técnica para resolver: troque a oração reduzida por uma desenvolvida. "Para chorar" equivale a "para que você chore" — e "para que" é a locução conjuntiva final por excelência. Se a troca for possível e o sentido permanecer, a classificação está confirmada. Esse é o teste que separa a finalidade das demais relações.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre finalidade e causa/consequência. Como "para" também pode ter valor de causa em alguns contextos (ex.: "Para ter estudado tanto, foi mal"), o candidato desatento marca a letra B. Mas aqui o sentido é claramente de objetivo — e o teste da troca por "para que" resolve.
1Ache o conectivo (para)
2Troque por 'para que'
3Sentido mantido = finalidade
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
A oração "Para chorar" não expressa condição. Condição seria introduzida por "se", "caso", "contanto que" — e o sentido seria: "Se você chorar, dirija a imaginação a você mesmo". O texto não estabelece essa relação de dependência; ele apenas indica o propósito da ação. A alternativa extrapola ao atribuir um valor condicional que a preposição "para" não tem aqui.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Causa seria: "Porque você chora, dirija a imaginação a você mesmo" — ou seja, o choro seria o motivo da ordem. Mas no texto é o contrário: o choro é o resultado pretendido, não a causa. A relação é de finalidade, não de causalidade. A alternativa troca o conceito de finalidade por causa, uma confusão clássica quando a preposição "para" aparece.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A oração "Para chorar" indica a finalidade do ato de dirigir a imaginação a si mesmo. A prova está na possibilidade de reescrever o trecho com a locução final: "Para que você chore, dirija a imaginação a você mesmo". O sentido permanece idêntico. No texto, o autor instrui: primeiro dirija a imaginação a si mesmo; o objetivo desse ato é chorar. É exatamente o que a alternativa afirma.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Consequência seria: "Dirija a imaginação a você mesmo, portanto você chora" — o choro viria depois como efeito. Mas a oração "Para chorar" está antes da ação principal e indica o objetivo, não o resultado. A alternativa inverte a ordem lógica: trata como consequência o que é finalidade. O texto não diz que o choro é consequência de dirigir a imaginação; diz que se dirige a imaginação com o fim de chorar.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Explicação seria: "Dirija a imaginação a você mesmo, isto é, chore" — uma reafirmação ou esclarecimento. Mas "Para chorar" não explica o que é "dirigir a imaginação"; ela acrescenta uma informação nova: o propósito da ação. A alternativa tangencia o sentido, pois confunde finalidade com explicação. O teste da troca por "para que" mostra que não há valor explicativo.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de orações adverbiais, sempre tente substituir a oração reduzida por uma desenvolvida com a conjunção típica. "Para + infinitivo" vira "para que + verbo no subjuntivo" — e aí a finalidade fica evidente. Esse teste elimina as alternativas de causa, condição e consequência na hora.