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Questão de Português — Sintaxe — Quadrix 2025

PortuguêsSintaxe
Código
qg605098
Banca
Quadrix
Órgão
CRA-SP
Ano
2025
Nível
Superior

Texto para a questão abaixo.


Marcus Lucius


    Era um comício numa praça da cidade. O prefeito exaltava, orgulhoso, a retomada do crescimento, as cores da bandeira, o hino municipal e o escambau. De repente, o chão começou a tremer. Uma enorme fenda abriu‑se no chão. Todos pensaram que era a sétima trombeta do Apocalipse e se afastaram.


    A guarda acalmou os ansiosos e afastou os curiosos. Os sábios da cidade reuniram‑se rapidamente e aconselharam o prefeito: era necessário que um munícipe corajoso saltasse voluntariamente para o abismo e a fenda fechar‑se‑ia. Então, levantou‑se Marcus Lucius, olhou nos olhos de todos e disse: “façam por merecer”. E simplesmente saltou para nunca mais ser visto.


Internet: (com adaptações). 

A oração “que um munícipe corajoso saltasse voluntariamente para o abismo” funciona sintaticamente como
  1. Apredicativo do sujeito, pois, em estruturas do tipo verbo ser + adjetivo + oração iniciada por “que”, essa oração sempre será predicativa.
  2. Bobjeto direto, porque, em que pese o verbo ser de ligação, a oração que aparece depois será o seu complemento.
  3. Csujeito, pois a concordância entre sujeito e verbo é feita na terceira pessoa do singular quando o sujeito é oracional.
  4. Dadjunto adnominal, porque é iniciada por pronome relativo.
  5. Eadjunto adverbial, porque é informação acessória.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — sujeito, pois a concordância entre sujeito e verbo é feita na terceira pessoa do singular quando o sujeito é oracional.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função sintática da oração subordinada substantiva subjetiva

Gabarito: letra C. A oração “que um munícipe corajoso saltasse voluntariamente para o abismo” funciona como sujeito da forma verbal “era necessário”, pois, em construções com verbo de ligação + predicativo + oração iniciada por conjunção integrante, a oração exerce a função de sujeito oracional. A concordância verbal na terceira pessoa do singular confirma essa análise, como se vê no trecho: “era necessário que um munícipe corajoso saltasse voluntariamente para o abismo”.

O comando da questão pede a função sintática da oração destacada, ou seja, exige que você identifique o papel que ela desempenha dentro do período. Para isso, é preciso analisar a estrutura da oração principal e a relação que a subordinada estabelece com ela. Não se trata de interpretação de texto, mas de análise sintática — o que muda completamente o método de resolução: aqui, a resposta está na gramática, não no sentido global do texto.

No trecho, a oração principal é “era necessário”, formada pelo verbo de ligação “era” e pelo predicativo “necessário”. A oração subordinada “que um munícipe corajoso saltasse voluntariamente para o abismo” é introduzida pela conjunção integrante “que”, que marca uma oração subordinada substantiva. Para descobrir a função, basta substituir a oração por um substantivo ou pelo pronome “isso”: “isso era necessário”. O termo que responde à pergunta “o que era necessário?” é o sujeito. Portanto, a oração exerce função de sujeito oracional.

A técnica decisiva é a substituição por “isso”: se a oração introduzida por “que” ou “se” puder ser substituída por “isso”, ela é uma oração subordinada substantiva. Em seguida, pergunta-se qual função ela exerce na oração principal. No caso, “isso era necessário” — “isso” é o sujeito de “era”. A concordância verbal na terceira pessoa do singular (“era”, e não “eram”) reforça que o sujeito é oracional, pois orações substantivas subjetivas exigem verbo na terceira pessoa do singular.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre oração subordinada substantiva subjetiva e predicativa. A alternativa A afirma que “verbo ser + adjetivo + oração iniciada por ‘que’” é sempre predicativa — o que é falso, pois, quando o adjetivo é um predicativo do sujeito e a oração completa o sentido do verbo de ligação, ela é sujeito, não predicativo. A pegadinha está em generalizar uma regra que não existe.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A afirmação de que “em estruturas do tipo verbo ser + adjetivo + oração iniciada por ‘que’, essa oração sempre será predicativa” é uma generalização indevida. No trecho, a oração “que um munícipe corajoso saltasse...” não é predicativa, pois não caracteriza o sujeito; ela é o próprio sujeito da oração “era necessário”. A substituição por “isso” comprova: “isso era necessário” — “isso” é o sujeito. A regra apresentada na alternativa não existe; a função depende da estrutura, não de uma fórmula fixa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A oração não é objeto direto, pois o verbo “era” é de ligação, e não transitivo direto. Objeto direto é o complemento de um verbo transitivo direto, o que não ocorre aqui. A alternativa tenta confundir ao mencionar “verbo ser de ligação” e afirmar que a oração seria seu complemento — mas verbo de ligação não exige objeto; ele liga o sujeito ao predicativo. A oração, portanto, não pode ser objeto direto.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A oração “que um munícipe corajoso saltasse voluntariamente para o abismo” é sujeito oracional. A prova está na substituição por “isso”: “isso era necessário”. O verbo “era” concorda com o sujeito oracional na terceira pessoa do singular, como se lê no trecho: “era necessário que um munícipe corajoso saltasse voluntariamente para o abismo”. A oração subordinada substantiva subjetiva exerce a função de sujeito da oração principal, e a concordância verbal confirma essa análise.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A oração não é adjunto adnominal, pois não é introduzida por pronome relativo. O “que” que a inicia é conjunção integrante, e não pronome relativo. Adjunto adnominal é um termo acessório que caracteriza um substantivo, e a oração aqui não caracteriza nenhum termo; ela é essencial, pois funciona como sujeito. A alternativa erra ao classificar o “que” como pronome relativo e a oração como adjetiva.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A oração não é adjunto adverbial, pois não expressa circunstância (tempo, modo, causa, etc.). Adjunto adverbial é um termo acessório que modifica o verbo, o adjetivo ou outro advérbio, indicando circunstância. A oração em questão é essencial para a oração principal, funcionando como sujeito, e não como informação acessória. A alternativa tenta confundir ao chamá-la de “informação acessória”, o que é falso, pois sem ela a oração “era necessário” fica incompleta.

Conclusão: a oração subordinada substantiva subjetiva exerce função de sujeito, e a concordância verbal na terceira pessoa do singular é a pista decisiva. Para resolver questões assim, substitua a oração por “isso” e pergunte qual função ela exerce na oração principal. Gabarito: letra C.

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