Era um comício numa praça da cidade. O prefeito
exaltava, orgulhoso, a retomada do crescimento, as cores
da bandeira, o hino municipal e o escambau. De repente,
o chão começou a tremer. Uma enorme fenda abriu‑se
no chão. Todos pensaram que era a sétima trombeta do
Apocalipse e se afastaram.
A guarda acalmou os ansiosos e afastou os
curiosos. Os sábios da cidade reuniram‑se rapidamente e
aconselharam o prefeito: era necessário que um munícipe
corajoso saltasse voluntariamente para o abismo e a
fenda fechar‑se‑ia. Então, levantou‑se Marcus Lucius,
olhou nos olhos de todos e disse: “façam por merecer”. E
simplesmente saltou para nunca mais ser visto.
Internet: (com adaptações).
O acréscimo da palavra “jamais” após a palavra “fenda” no trecho “a fenda fechar‑se‑ia” teria como resultado a
Aantecipação do pronome “se” ao verbo.
Bmanutenção da estrutura como está.
Cposposição do pronome “se” ao verbo.
Dincorreção gramatical da estrutura.
Emanutenção da correção gramatical, mas o prejuízo ao sentido original.
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GabaritoA — antecipação do pronome “se” ao verbo.
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Colocação pronominal: efeito do advérbio "jamais" na próclise
Gabarito: letra A. O acréscimo de "jamais" antes do verbo "fechar-se-ia" obriga a antecipação do pronome "se" (próclise), pois o advérbio de negação é uma palavra atrativa. A estrutura original "a fenda fechar-se-ia" (ênclise) passaria a "a fenda jamais se fecharia", como se lê no trecho do texto: "era necessário que um munícipe corajoso saltasse voluntariamente para o abismo e a fenda fechar-se-ia".
A questão testa a colocação pronominal (próclise, ênclise e mesóclise) aplicada a um caso concreto. O comando pede que se identifique o efeito sintático da inserção de um advérbio de negação antes do verbo. Não se trata de interpretação de sentido, mas de uma regra gramatical específica: palavras de sentido negativo (não, nunca, jamais, nada, ninguém) atraem o pronome oblíquo átono para antes do verbo.
No texto, a fala dos sábios é: "era necessário que um munícipe corajoso saltasse voluntariamente para o abismo e a fenda fechar-se-ia". A forma "fechar-se-ia" está em ênclise (pronome depois do verbo), o que é aceitável porque não há fator de próclise. Ao inserir "jamais" antes de "fechar", cria-se um fator de próclise obrigatório: o advérbio de negação atrai o pronome. A reescrita correta seria "a fenda jamais se fecharia".
A banca explora a confusão entre o efeito sintático (mudança na posição do pronome) e o efeito semântico (mudança de sentido). O advérbio "jamais" altera o sentido (nega a possibilidade de fechamento), mas a pergunta é especificamente sobre o resultado na estrutura: a antecipação do pronome. Quem marcou a letra E confundiu os dois planos — o enunciado pede o efeito sintático, não o semântico.
1Forma original: ênclise (fechar-se-ia)
2Insere-se 'jamais' (palavra atrativa)
3Próclise obrigatória (jamais se fecharia)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A inserção de "jamais" antes do verbo "fechar" cria um fator de próclise: advérbio de negação atrai o pronome oblíquo átono. A estrutura "a fenda fechar-se-ia" (ênclise) torna-se "a fenda jamais se fecharia" (próclise). A regra é clara: palavras negativas (não, nunca, jamais, nada, ninguém) atraem o pronome para antes do verbo. O texto autoriza a análise porque apresenta a forma original "fechar-se-ia", e a questão pede exatamente o efeito da inserção do advérbio.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a estrutura permaneceria como está, o que é falso. A inserção de "jamais" obriga a mudança de posição do pronome. Manter "fechar-se-ia" após a inserção do advérbio resultaria em "jamais fechar-se-ia", o que viola a regra de próclise com palavra negativa. A alternativa contradiz a regra gramatical.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que o pronome "se" ficaria depois do verbo (posposição/ênclise). Isso é exatamente o oposto do que ocorre: o advérbio de negação atrai o pronome para antes do verbo (próclise). A alternativa inverte o efeito real da inserção.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a estrutura se tornaria gramaticalmente incorreta. Isso é falso: a forma correta "a fenda jamais se fecharia" é perfeitamente gramatical. A incorreção só ocorreria se o pronome permanecesse após o verbo ("jamais fechar-se-ia"), mas a reescrita adequada evita esse problema. A alternativa extrapola ao supor que a inserção do advérbio tornaria a frase necessariamente errada, quando na verdade ela apenas exige a próclise.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a correção gramatical seria mantida, mas com prejuízo ao sentido original. Há dois erros: (1) a correção gramatical não é mantida na forma original — é preciso ajustar a posição do pronome; (2) o prejuízo ao sentido é irrelevante para a pergunta, que pede o efeito sintático, não o semântico. A alternativa tangencia o tema ao misturar os planos sintático e semântico, desviando do que o enunciado pede.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre efeito sintático (posição do pronome) e efeito semântico (mudança de sentido). O advérbio "jamais" realmente altera o sentido, mas a pergunta é sobre a estrutura — e a resposta é a antecipação do pronome.
PEGA ESSA DICA!
Ao ver "acréscimo de palavra" em questão de colocação pronominal, pergunte: essa palavra é um fator de próclise? Advérbios de negação, pronomes relativos, conjunções subordinativas e palavras interrogativas atraem o pronome para antes do verbo.
Gabarito: letra A — a inserção de "jamais" antes do verbo obriga a antecipação do pronome "se" (próclise), pois advérbio de negação é palavra atrativa.