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Questão de Português — Sintaxe — Quadrix 2025

PortuguêsSintaxe
Código
qg605155
Banca
Quadrix
Órgão
CRC-SP
Ano
2025
Nível
Superior
Polícia de SP investiga se contador morto a tiros, sem reagir, foi vítima de latrocínio ou execução; veja vídeo

        A Polícia Civil investiga se um contador morto a tiros, sem reagir, foi vítima de latrocínio ou execução na Zona Sul de São Paulo. O caso ocorreu na manhã da última quarta‑feira (29) em frente a empresa de contabilidade onde ele trabalhava, e foi gravado por câmeras de segurança (veja vídeo abaixo; as cenas são fortes).

        José Horley de Sousa tinha 36 anos e foi baleado quando estava dentro de seu carro, estacionado na Rua Coronel Francisco Inácio, na região do Sacomã. Ele ainda chegou a ser socorrido e levado ao Hospital Heliópolis, onde não resistiu aos ferimentos e morreu.

        O criminoso é um motociclista, que fugiu após roubar o relógio e a carteira do contador e atirar ao menos quatro vezes nele.

        Imagens gravadas por câmeras de segurança, e que circulam nas redes sociais, mostram que José não reagiu ao assalto. As cenas mostram que o carro, um Chevrolet Cruize vermelho, está parado na rua, quando um homem numa moto sobe a calçada se aproxima e aponta a arma para o veículo, que estava com os vidros escuros fechados.

        No vídeo, feito por duas câmeras, ainda é possível ver o contador abrir a porta e entregar os pertences ao criminoso, que atira diversas vezes no motorista.

        O bandido, que usa mochila e capacete, foge em seguida na sua motocicleta.

        O caso foi registrado inicialmente como latrocínio, que é o roubo seguido de morte, no 95º Distrito Policial (DP), Cohab‑Heliópolis.

        Mas segundo o delegado que investiga a morte do contador e tenta identificar o criminoso, também está sendo apurada a possibilidade de José ter sido vítima de uma execução.

        “O caso foi inicialmente registrado como latrocínio, mas a possibilidade de homicídio também é investigada. Estamos trabalhando com as duas vertentes”, afirmou à reportagem o delegado Carlos Miranda. De acordo com a investigação, a moto do criminoso não era roubada, mas estaria usando placa clonada. O celular do contador e um comprovante de transação bancária, no valor de R$ 50 mil, que estavam no automóvel da vítima, foram apreendidos pela polícia.

        Além de analisar as imagens das câmeras de vídeo, que gravaram a morte do contador, a investigação quer ouvir o depoimento de testemunhas.


Internet:<www.g1.globo.com>  (com adaptações).
Com base no texto, julgue o item a seguir.Na estruturação sintática do sintagma “a morte do contador”, observa‑se que o termo preposicionado representa a ação implícita na ideia do substantivo “morte”.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

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Sintaxe do sintagma "a morte do contador": adjunto adnominal ou complemento nominal?

Gabarito: E (Errado). O item está errado porque, no sintagma "a morte do contador", o termo preposicionado "do contador" não representa a ação implícita no substantivo "morte"; ao contrário, ele indica quem sofre a ação (o agente da morte, ou seja, o próprio contador que morreu). A afirmação inverte a relação semântica: o termo preposicionado aqui é adjunto adnominal (com valor de agente), e não complemento nominal (que teria valor de paciente).

Para entender por que o item é falso, é preciso dominar a distinção entre adjunto adnominal e complemento nominal, dois termos que frequentemente aparecem preposicionados e geram confusão. Vamos analisar o trecho do texto que contém a expressão:

"Além de analisar as imagens das câmeras de vídeo, que gravaram a morte do contador, a investigação quer ouvir o depoimento de testemunhas."

A expressão "a morte do contador" é formada por um substantivo abstrato ("morte") e um termo preposicionado ("do contador"). A questão pede que se julgue se esse termo preposicionado "representa a ação implícita na ideia do substantivo 'morte'". Em outras palavras, a banca quer saber se "do contador" funciona como complemento nominal (que completa o sentido do nome, indicando o alvo/paciente da ação) ou como adjunto adnominal (que caracteriza o nome, indicando posse, origem, agente etc.).

A regra prática é:

  • Complemento nominal: completa o sentido de um substantivo abstrato, adjetivo ou advérbio, e tem valor passivo (recebe a ação). Ex.: "amor à mãe" (a mãe é amada), "obediência aos pais" (os pais são obedecidos).

  • Adjunto adnominal: caracteriza um substantivo (concreto ou abstrato) e pode ter valor ativo (pratica a ação) ou de posse. Ex.: "a invenção do cientista" (o cientista inventou – agente), "a mesa de madeira" (matéria).

No caso de "a morte do contador", o contador é quem morre, ou seja, ele é o agente da ação de morrer (embora seja paciente em relação ao ato de matar, a morte é algo que lhe acontece). A relação é de agente: o contador sofre a morte, mas a morte é dele, é a morte que ele experimenta. Isso fica claro no texto: "José Horley de Sousa tinha 36 anos e foi baleado... onde não resistiu aos ferimentos e morreu." Portanto, "do contador" indica de quem é a morte (posse/pertinência) ou quem morre (agente), e não o alvo de uma ação externa. Se fosse complemento nominal, teríamos algo como "a morte do pai" (no sentido de alguém matou o pai – paciente), mas aqui o sentido é "a morte que o contador sofreu", com valor de agente.

Assim, a afirmação está errada porque o termo preposicionado não representa a ação implícita (não é complemento nominal), mas sim o agente da ação (adjunto adnominal).

Termo preposicionado + substantivo abstrato
  • 1Complemento nominal
    • Valor passivo (recebe a ação)
    • Ex.: "amor à mãe"
  • 2Adjunto adnominal
    • Valor ativo (pratica a ação)
    • Ex.: "invenção do cientista"
    • Valor de posse
    • Ex.: "morte do contador" (agente)
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Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C (Certo) está incorreta porque afirma que o termo preposicionado representa a ação implícita, o que seria verdadeiro se fosse complemento nominal. No entanto, como vimos, "do contador" é adjunto adnominal com valor de agente. A banca tenta confundir o candidato fazendo-o acreditar que todo termo preposicionado ligado a substantivo abstrato é complemento nominal, mas isso só ocorre quando o termo tem valor passivo (paciente). Aqui, o contador é quem morre, não quem é morto por outrem (embora tenha sido baleado, a morte é dele). Portanto, a relação é de agente, e o termo é adjunto adnominal.

Alternativa E — ✅ Correta (Gabarito)

A alternativa E (Errado) está correta porque o item é falso. A estrutura "a morte do contador" apresenta "do contador" como adjunto adnominal (agente da ação de morrer), e não como complemento nominal (que representaria a ação implícita). A banca pede para julgar o item, e o item está errado, logo a resposta é E.

NÃO CAIA NESSA!

A banca inverte a relação semântica: faz o candidato achar que "do contador" é o paciente (complemento nominal), quando na verdade é o agente (adjunto adnominal). Lembre-se: complemento nominal = valor passivo; adjunto adnominal = valor ativo ou de posse.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar um sintagma com substantivo abstrato + termo preposicionado, pergunte: quem pratica a ação? Se o termo pratica, é adjunto adnominal; se recebe, é complemento nominal. Ex.: "a invenção do cientista" (cientista inventa – adjunto), "a invenção da máquina" (máquina é inventada – complemento).

Conclusão: a questão testa a distinção entre adjunto adnominal e complemento nominal. No sintagma "a morte do contador", o termo preposicionado tem valor de agente (adjunto adnominal), não de paciente (complemento nominal). Portanto, o item está errado.

Gabarito: letra E

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