Questão de Português — Sintaxe — Quadrix 2025
- Código
- qg605155
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- CRC-SP
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: E (Errado). O item está errado porque, no sintagma "a morte do contador", o termo preposicionado "do contador" não representa a ação implícita no substantivo "morte"; ao contrário, ele indica quem sofre a ação (o agente da morte, ou seja, o próprio contador que morreu). A afirmação inverte a relação semântica: o termo preposicionado aqui é adjunto adnominal (com valor de agente), e não complemento nominal (que teria valor de paciente).
Para entender por que o item é falso, é preciso dominar a distinção entre adjunto adnominal e complemento nominal, dois termos que frequentemente aparecem preposicionados e geram confusão. Vamos analisar o trecho do texto que contém a expressão:
"Além de analisar as imagens das câmeras de vídeo, que gravaram a morte do contador, a investigação quer ouvir o depoimento de testemunhas."
A expressão "a morte do contador" é formada por um substantivo abstrato ("morte") e um termo preposicionado ("do contador"). A questão pede que se julgue se esse termo preposicionado "representa a ação implícita na ideia do substantivo 'morte'". Em outras palavras, a banca quer saber se "do contador" funciona como complemento nominal (que completa o sentido do nome, indicando o alvo/paciente da ação) ou como adjunto adnominal (que caracteriza o nome, indicando posse, origem, agente etc.).
A regra prática é:
Complemento nominal: completa o sentido de um substantivo abstrato, adjetivo ou advérbio, e tem valor passivo (recebe a ação). Ex.: "amor à mãe" (a mãe é amada), "obediência aos pais" (os pais são obedecidos).
Adjunto adnominal: caracteriza um substantivo (concreto ou abstrato) e pode ter valor ativo (pratica a ação) ou de posse. Ex.: "a invenção do cientista" (o cientista inventou – agente), "a mesa de madeira" (matéria).
No caso de "a morte do contador", o contador é quem morre, ou seja, ele é o agente da ação de morrer (embora seja paciente em relação ao ato de matar, a morte é algo que lhe acontece). A relação é de agente: o contador sofre a morte, mas a morte é dele, é a morte que ele experimenta. Isso fica claro no texto: "José Horley de Sousa tinha 36 anos e foi baleado... onde não resistiu aos ferimentos e morreu." Portanto, "do contador" indica de quem é a morte (posse/pertinência) ou quem morre (agente), e não o alvo de uma ação externa. Se fosse complemento nominal, teríamos algo como "a morte do pai" (no sentido de alguém matou o pai – paciente), mas aqui o sentido é "a morte que o contador sofreu", com valor de agente.
Assim, a afirmação está errada porque o termo preposicionado não representa a ação implícita (não é complemento nominal), mas sim o agente da ação (adjunto adnominal).
A alternativa C (Certo) está incorreta porque afirma que o termo preposicionado representa a ação implícita, o que seria verdadeiro se fosse complemento nominal. No entanto, como vimos, "do contador" é adjunto adnominal com valor de agente. A banca tenta confundir o candidato fazendo-o acreditar que todo termo preposicionado ligado a substantivo abstrato é complemento nominal, mas isso só ocorre quando o termo tem valor passivo (paciente). Aqui, o contador é quem morre, não quem é morto por outrem (embora tenha sido baleado, a morte é dele). Portanto, a relação é de agente, e o termo é adjunto adnominal.
A alternativa E (Errado) está correta porque o item é falso. A estrutura "a morte do contador" apresenta "do contador" como adjunto adnominal (agente da ação de morrer), e não como complemento nominal (que representaria a ação implícita). A banca pede para julgar o item, e o item está errado, logo a resposta é E.
A banca inverte a relação semântica: faz o candidato achar que "do contador" é o paciente (complemento nominal), quando na verdade é o agente (adjunto adnominal). Lembre-se: complemento nominal = valor passivo; adjunto adnominal = valor ativo ou de posse.
Ao analisar um sintagma com substantivo abstrato + termo preposicionado, pergunte: quem pratica a ação? Se o termo pratica, é adjunto adnominal; se recebe, é complemento nominal. Ex.: "a invenção do cientista" (cientista inventa – adjunto), "a invenção da máquina" (máquina é inventada – complemento).
Conclusão: a questão testa a distinção entre adjunto adnominal e complemento nominal. No sintagma "a morte do contador", o termo preposicionado tem valor de agente (adjunto adnominal), não de paciente (complemento nominal). Portanto, o item está errado.
Gabarito: letra E
Link permanente: /questoes/qg605155