Questão de Português — Flexão verbal de tempo (presente, pretérito, futuro) — Quadrix 2025
- Código
- qg605159
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- CRC-SP
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: letra C (Certo). O emprego do presente do indicativo em “sobe a calçada se aproxima e aponta a arma para o veículo” caracteriza-se, sim, como presente narrativo (ou histórico), pois o texto narra um fato ocorrido no passado (o assalto e a morte do contador) usando o presente para atualizar a cena e dar vivacidade ao relato. A passagem que ancora essa leitura é o trecho do 3º parágrafo:
“Imagens gravadas por câmeras de segurança, e que circulam nas redes sociais, mostram que José não reagiu ao assalto. As cenas mostram que o carro, um Chevrolet Cruize vermelho, está parado na rua, quando um homem numa moto sobe a calçada se aproxima e aponta a arma para o veículo, que estava com os vidros escuros fechados.”
O contexto é inequivocamente passado: o texto relata um crime já ocorrido (“foi baleado”, “não resistiu aos ferimentos e morreu”, “fugiu após roubar”). Os verbos “sobe”, “se aproxima” e “aponta” estão no presente, mas descrevem ações que já aconteceram — exatamente a função do presente histórico: aproximar o fato passado do leitor, como se a cena estivesse acontecendo agora.
A questão é de interpretação de texto com foco em gramática aplicada: não se pergunta a definição teórica de presente histórico, mas se o uso concreto no texto se enquadra nesse conceito. O verbo do enunciado é “caracteriza-se” — ou seja, a banca quer que você reconheça o valor semântico do tempo verbal no contexto. Isso exige duas leituras: a do texto (para saber que os fatos são passados) e a da gramática (para saber que o presente pode substituir o pretérito perfeito com valor de atualização).
O texto é uma notícia policial: relata a investigação da morte de um contador, vítima de latrocínio ou execução. A narração dos fatos (o assalto, os tiros, a fuga) é feita predominantemente no pretérito perfeito (“foi baleado”, “fugiu”, “atirou”), mas, ao descrever as imagens das câmeras, o autor muda para o presente — é aí que mora a resposta. O trecho citado descreve a sequência de ações do criminoso como se estivessem ocorrendo diante dos olhos do leitor, recurso típico do presente histórico.
O presente do indicativo tem vários valores: fato atual (“estou lendo”), habitual (“vou à missa aos domingos”), atemporal (“a água ferve a 100°C”) e histórico/narrativo. O presente histórico ocorre quando o narrador transporta um fato passado para o presente, com efeito de vivacidade e aproximação. É o que acontece em manchetes (“Flamengo vence o Vasco”) e em narrações de crimes, como aqui.
A pegadinha da banca é justamente essa: o candidato pode achar que “sobe”, “se aproxima” e “aponta” indicam ações atuais, no momento da fala. Mas o texto deixa claro que tudo já ocorreu — o contador morreu, o criminoso fugiu. O presente é apenas um recurso estilístico para reviver a cena. Se você substituir mentalmente os verbos pelo pretérito perfeito (“subiu”, “se aproximou”, “apontou”), o sentido permanece idêntico — prova de que o presente está com valor de passado.
A banca explora a confusão entre o presente do momento da fala e o presente histórico. A pista para desarmar a armadilha é o contexto: se os fatos narrados são passados, o presente empregado na descrição é histórico.
A afirmação está correta: o uso do presente em “sobe a calçada se aproxima e aponta a arma para o veículo” é, sim, presente narrativo (ou histórico), pois atualiza um fato passado para dar vivacidade ao relato. A resposta se prova pelo contraste entre o tempo verbal e o contexto temporal do texto — os fatos já ocorreram, mas o narrador os apresenta como se estivessem acontecendo agora.
Ao julgar itens sobre valor de tempo verbal, pergunte-se: “o fato é passado, presente ou futuro no contexto?”. Se o texto narra algo que já aconteceu e o verbo está no presente, é quase sempre presente histórico.
Gabarito: letra C (Certo).
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