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Questão de Português — Crase — Quadrix 2025

PortuguêsCrase
Código
qg605338
Banca
Quadrix
Órgão
CRM-ES
Ano
2025
Nível
Médio

Texto para a questão.


Saúde é democracia 


“Saúde é democracia” é uma expressão que decorre da ideia de que “Democracia é saúde”, defendida pelo sanitarista Sergio Arouca em seu discurso de abertura na 8ª Conferência Nacional de Saúde (8ª CNS), realizada em 1986. Naquele momento, em pleno processo de redemocratização do Brasil, discutia‑se um novo paradigma do conceito ampliado de saúde que se materializa, apesar de todas as resistências políticas e econômicas, na criação do Sistema Único de Saúde (SUS).


Em sua fala, Arouca explicou essa mudança de paradigma, a partir de sua interpretação do conceito de saúde proposto pela Organização Mundial de Saúde, afirmando que saúde não é simplesmente ausência de doença: “é um bem‑estar social que pode significar que as pessoas tenham mais alguma coisa do que somente não estar enfermos: que tenham direito à casa segura, ao trabalho, ao salário condigno, à água, à vestimenta, à educação, às informações sobre como dominar o mundo e transformá‑lo. Que tenham direito ao meio ambiente que não lhes seja agressivo, e que, pelo contrário, permita uma vida digna e decente. Direito a um sistema político que respeite a livre opinião, a livre possibilidade de organização e autodeterminação de um povo, e que não esteja todo tempo submetido ao medo da violência, da violência derivada da miséria, e que resulta no roubo. Que não esteja também submetido ao medo da violência de um governo contra o seu próprio povo, para que sejam mantidos interesses que não são do povo”


Essa definição de saúde está diretamente relacionada ao conceito de democracia, não sendo possível melhorar a saúde das pessoas se não melhorar em paralelo a qualidade geral de vida, o que, por sua vez, também não é possível enquanto persistir um modelo econômico concentrador de renda e excludente e um modelo político autoritário.


Diante do cenário recente de ameaças à democracia brasileira, a direitos sociais estabelecidos pela Constituição Federal de 1988 e a outras conquistas da população, o site PenseSUS relembra as expressões “Saúde é democracia” e “Democracia é saúde”, ressaltando que, do mesmo modo que um processo democrático foi fundamental para implantar o SUS, a resistência a partir do movimento sanitário que lhe deu base e sustentabilidade se faz ainda mais necessária, em defesa da democracia em nosso país. 



Internet: (com adaptações).

Considerando o excerto “que tenham direito à casa segura, ao trabalho, ao salário condigno, à água, à vestimenta, à educação, às informações sobre como dominar o mundo e transformá‑lo.”, assinale a opção que apresenta a explicação correta para as ocorrências de crase.
  1. AO verbo “dominar” requer complementação direta, tornando facultativa a presença da preposição “a”, deixando opcional o emprego do emprego da crase.
  2. BA forma verbal “tenham” requer complementação de objeto indireto, antecedido pela preposição “a”, promotora da pluralização do termo “informações”.
  3. CO substantivo “vestimenta”, pela norma‑padrão, é considerado masculino, não devendo, portanto, ser antecedido de acento indicativo de crase.
  4. DO termo “direito” liga‑se ao seu complemento por meio da preposição “a”, que se aglutina ao artigo feminino antecedente dos termos “casa”, “água”, “vestimenta”, “educação” e “informações”.
  5. EToda a frase estabelece a preposição “de” como exigência de introdução de sentido, com reforço estilístico, sendo dispensáveis nos casos de substantivos masculinos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — O termo “direito” liga‑se ao seu complemento por meio da preposição “a”, que se aglutina ao artigo feminino antecedente dos termos “casa”, “água”, “vestimenta”, “educação” e “informações”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase: a fusão da preposição "a" com o artigo feminino

Gabarito: letra D. A crase nas ocorrências do trecho é explicada pela regência do substantivo "direito", que exige a preposição "a", a qual se funde com o artigo feminino "a" que antecede os substantivos "casa", "água", "vestimenta", "educação" e "informações". Como se lê no excerto: "que tenham direito à casa segura, ao trabalho, ao salário condigno, à água, à vestimenta, à educação, às informações". A alternativa D é a única que identifica corretamente o mecanismo: preposição exigida pelo nome + artigo feminino.

O comando da questão

A questão pede a explicação correta para as ocorrências de crase no trecho. Isso é uma tarefa de análise gramatical aplicada ao texto: não basta saber a regra geral de crase; é preciso identificar, no contexto, qual termo rege a preposição e por que há artigo feminino antes de cada substantivo. O comando "assinale a opção que apresenta a explicação correta" exige que você teste cada alternativa contra o que o trecho realmente mostra.

O que o trecho revela

No trecho, a estrutura é: "que tenham direito à casa segura, ao trabalho, ao salário condigno, à água, à vestimenta, à educação, às informações". O núcleo que comanda os complementos é o substantivo "direito": quem tem direito, tem direito a alguma coisa. Portanto, a preposição "a" é exigida pela regência nominal de "direito" — não pelo verbo "tenham".

Cada complemento feminino recebe o artigo definido "a"/"as": "a casa", "a água", "a vestimenta", "a educação", "as informações". A fusão da preposição "a" com o artigo "a" gera a crase: a + a = à; a + as = às. Já os termos masculinos ("trabalho", "salário") recebem a preposição "a" + artigo "o", formando "ao" — sem crase, porque não há vogal "a" do artigo.

A técnica que decide

Para cada ocorrência de crase, faça o teste clássico: troque o termo feminino por um masculino equivalente. Se aparecer "ao", há crase; se aparecer apenas "a" (sem artigo), não há. No trecho:

  • "direito à casa" → "direito ao trabalho" (aparece "ao", logo há crase)

  • "direito à água" → "direito ao salário" (idem)

  • "direito à vestimenta" → "direito ao trabalho" (idem)

  • "direito à educação" → "direito ao salário" (idem)

  • "direito às informações" → "direito aos trabalhos" (idem)

Esse teste prova que a preposição "a" está presente e que o artigo feminino também — exatamente o que a alternativa D descreve.

Análise das alternativas

Crase no trecho
  • 1Mecanismo
    • Regência nominal de "direito"
    • Exige preposição "a"
    • + artigo feminino "a"
    • = fusão (à/às)
  • 2Teste de confirmação
    • Trocar por masculino
    • Aparece "ao" → há crase
  • 3Casos
    • Femininos (à/às)
      • casa, água, vestimenta, educação, informações
    • Masculinos (ao)
      • trabalho, salário
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o verbo "dominar" requer complementação direta, tornando facultativa a preposição "a" e opcional a crase. Erro: o verbo "dominar" é transitivo direto (domina-se algo), mas isso não tem relação com as crases do trecho. As crases ocorrem antes de "casa", "água", "vestimenta", "educação" e "informações" — todas regidas pelo substantivo "direito", não pelo verbo "dominar". Além disso, a crase não é facultativa nesses casos: é obrigatória, pois há preposição + artigo. A alternativa extrapola ao trazer uma regência que não explica as ocorrências.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa diz que a forma verbal "tenham" requer objeto indireto com preposição "a", que promoveria a pluralização de "informações". Erro: o verbo "ter" (aqui "tenham") é transitivo direto — tem-se algo, sem preposição. Quem rege a preposição "a" é o substantivo "direito", não o verbo. Além disso, a pluralização de "informações" é natural do substantivo (informação/informações), não é "promovida" pela preposição. A alternativa contradiz a estrutura sintática real do trecho.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "vestimenta" é masculino pela norma-padrão. Erro: "vestimenta" é substantivo feminino (a vestimenta). A crase antes dela é correta e obrigatória, pois há preposição "a" (exigida por "direito") + artigo "a". A alternativa contradiz o gênero da palavra e a própria ocorrência de crase no texto.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que o termo "direito" liga-se ao complemento por meio da preposição "a", que se aglutina ao artigo feminino antecedente dos termos "casa", "água", "vestimenta", "educação" e "informações". Correta: é exatamente o que ocorre. O substantivo "direito" exige a preposição "a" (regência nominal); os substantivos femininos recebem o artigo "a"/"as"; a fusão gera a crase. O trecho "direito à casa segura, ao trabalho, ao salário condigno, à água, à vestimenta, à educação, às informações" comprova: nos femininos há crase (à/às), nos masculinos há "ao" (sem crase). A alternativa parafraseia com precisão o mecanismo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que toda a frase estabelece a preposição "de" como exigência, com reforço estilístico, sendo dispensáveis os casos de substantivos masculinos. Erro: a preposição exigida é "a", não "de". Não há "reforço estilístico" — a crase é gramaticalmente obrigatória. Nos masculinos, não há crase porque não há artigo feminino, mas a preposição "a" continua presente ("ao trabalho", "ao salário"). A alternativa contradiz a regência e o funcionamento da crase.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta atrair o candidato para explicações sobre o verbo "tenham" (alternativa B) ou sobre o verbo "dominar" (alternativa A), mas a chave está na regência do substantivo "direito". Quem identifica que a preposição vem do nome acerta.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar crase, pergunte sempre: quem exige a preposição? Se for um verbo, é regência verbal; se for um nome (substantivo/adjetivo), é regência nominal. No trecho, "direito" é o nome que rege.

Gabarito: letra D.

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