Questão de Português — Interpretação de Textos — Quadrix 2025
Português›Interpretação de Textos
Código
qg605362
Banca
Quadrix
Órgão
CRM-ES
Ano
2025
Nível
Superior
Texto para a questão.
No túmulo dum menino
Um anjo dorme aqui; na aurora apenas,
Disse adeus ao brilhar das açucenas’
Sem ter da vida alevantado o véu
– Rosa tocada do cruel granizo –
Cedo finou‑se e no infantil sorriso
Passou do berço pra brincar no céu!
Casimiro de Abreu
No texto, asmetáforas empregadas
Ahiperbolizam o sofrimento de gestantes de natimortos
Bgeneralizam o padecimento de diferentesfamílias.
Cpersonificam a dor materna individual e intransferível.
Dabordam, de maneira eufemística, a morte de uma criança.
Eilustram, de modo denotativo, o luto vivido por puérperas.
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GabaritoD — abordam, de maneira eufemística, a morte de uma criança.
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Metáforas no poema de Casimiro de Abreu: eufemismo para a morte de uma criança
Gabarito: letra D. As metáforas do poema — "Um anjo dorme aqui", "Rosa tocada do cruel granizo", "Passou do berço pra brincar no céu" — suavizam a morte da criança, apresentando-a como um sono, uma flor colhida cedo ou uma brincadeira no céu. Esse recurso de amenizar uma realidade dolorosa é exatamente o que se chama eufemismo, e é isso que a alternativa D afirma: as metáforas "abordam, de maneira eufemística, a morte de uma criança". A passagem que ancora essa leitura é o verso final: "Passou do berço pra brincar no céu!", em que o falecimento é substituído pela imagem lúdica de "brincar no céu".
O comando pede que se analise o efeito das metáforas no texto — não que se identifique a figura em si, mas o que ela faz no poema. Isso muda a resolução: não basta reconhecer que há metáforas; é preciso avaliar a intenção por trás delas. O poema trata da morte de um menino, mas nunca usa a palavra "morte" — em vez disso, fala em "dormir", "finar-se" e "brincar no céu". Essa substituição de um termo duro por uma expressão suave é a essência do eufemismo.
O texto é um poema lírico de Casimiro de Abreu, típico do Romantismo, em que a morte de uma criança é tratada com delicadeza e consolo religioso. O eu lírico não descreve o sofrimento da família nem a dor materna; ele se concentra na imagem serena da criança que "passou do berço pra brincar no céu". As metáforas constroem um cenário de transição suave — do berço ao céu —, e não de tragédia ou luto explícito.
A técnica que decide a questão é distinguir eufemismo (suavização de uma ideia desagradável) de outras figuras. Enquanto a hipérbole exagera, a personificação atribui ações humanas a seres inanimados, e a denotação é o sentido literal, o eufemismo abranda o impacto de uma realidade dura. O poema inteiro é construído para não dizer diretamente que a criança morreu — e é exatamente isso que a alternativa D captura.
NÃO CAIA NESSA!
A banca oferece alternativas que extrapolam o texto, acrescentando informações que não estão no poema — como "sofrimento de gestantes de natimortos" (A) ou "luto vivido por puérperas" (E). O texto não menciona mães, gestantes ou famílias; ele foca apenas na criança e na imagem celestial. A pegadinha é seduzir o candidato a "completar" o poema com o contexto de morte infantil, que não está explícito.
Efeito das metáforas
1Eufemismo (suaviza a morte)
"Um anjo dorme aqui"
"Rosa tocada do cruel granizo"
"Passou do berço pra brincar no céu"
2Figuras que não se aplicam
Hipérbole (exagera)
Personificação (ações humanas)
Denotação (sentido literal)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. O texto não menciona "gestantes de natimortos" nem "sofrimento". O poema fala de um menino que morreu, mas não há qualquer referência à mãe, à gestação ou ao sofrimento materno. A alternativa acrescenta informação de fora do texto, criando um contexto que o autor não abordou.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. O texto não fala de "diferentes famílias" nem generaliza o padecimento. O poema é específico — "Um anjo dorme aqui" —, referindo-se a uma única criança. A alternativa generaliza indevidamente, ampliando o alcance do texto para algo que ele não sustenta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: troca de conceito. As metáforas não "personificam a dor materna". Personificação é atribuir ações humanas a seres inanimados ou abstratos — e o texto não faz isso com a dor. Além disso, "dor materna" não aparece no poema. A alternativa confunde a figura de linguagem (metáfora com personificação) e extrapola ao introduzir a mãe.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Correta. As metáforas "Um anjo dorme aqui", "Rosa tocada do cruel granizo" e "Passou do berço pra brincar no céu" suavizam a morte da criança, substituindo a ideia dura de falecimento por imagens serenas. Isso é eufemismo: uma forma de amenizar uma realidade dolorosa. O verso "Passou do berço pra brincar no céu!" é a prova textual — a morte é apresentada como uma brincadeira celestial, não como um fim trágico.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. A alternativa afirma que as metáforas ilustram "de modo denotativo" o luto. Isso é duplamente errado: (1) metáfora é, por definição, conotativa (sentido figurado), não denotativa; (2) o texto não fala de "luto" nem de "puérperas". A alternativa contradiz a natureza da metáfora e extrapola ao introduzir o luto materno.
PEGA ESSA DICA!
Ao analisar figuras de linguagem, pergunte-se sempre: "qual é o efeito dessa figura no texto?" — não basta nomeá-la. O eufemismo se reconhece quando uma realidade dura é substituída por uma expressão suave. No poema, a morte vira "brincar no céu" — isso é eufemismo puro.
Gabarito: letra D. A única alternativa inteiramente sustentada pelo texto é a que reconhece o eufemismo nas metáforas — as demais ou extrapolam (A, B, C, E) ou contradizem a natureza conotativa da figura (E).