Questão de Português — Morfologia - Verbos — Quadrix 2025
- Código
- qg605782
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- CRO-AL
- Ano
- 2025
- Nível
- Médio

- CCerto
- EErrado

GabaritoE — Errado
Gabarito: E (Errado). A afirmação de que a forma “pago” está correta “por se tratar de verbo abundante” é incorreta porque, embora “pago” seja um particípio irregular do verbo pagar, a justificativa apresentada não é a razão adequada para o seu uso no contexto. A correção da forma depende da voz verbal (ativa ou passiva) e do auxiliar empregado, não simplesmente do fato de o verbo ser abundante. Como se vê no texto-base, a forma “pago” aparece em construção passiva, o que autoriza o uso do particípio irregular.
A questão pede um julgamento Certo/Errado sobre uma afirmação metalinguística: “Na linha 5, a forma ‘pago’ está correta, por se tratar de verbo abundante.” O foco não é apenas saber se “pago” é aceitável, mas avaliar a justificativa apresentada. Em questões de gramática, a banca frequentemente mistura um fato verdadeiro (a forma é correta) com uma razão falsa ou imprecisa (porque é verbo abundante). O candidato deve separar o que é verdadeiro do que é a causa correta.
Verbos abundantes são aqueles que apresentam mais de uma forma para a mesma flexão, especialmente no particípio. É o caso de pagar: possui as formas pagado (regular) e pago (irregular). Outros exemplos: aceitar (aceitado/aceito), entregar (entregado/entregue), imprimir (imprimido/impresso).
A regra de uso dos particípios duplos é clássica:
Particípio regular (terminado em -ado/-ido) é usado com os auxiliares ter/haver (voz ativa): Eu tinha pagado a conta.
Particípio irregular (forma curta) é usado com os auxiliares ser/estar/ficar (voz passiva): A conta foi paga por mim.
No texto-base, a forma “pago” aparece em uma construção passiva — o sujeito sofre a ação (a adolescente sofreu a aplicação). Portanto, o uso de “pago” está correto, mas a razão não é “ser verbo abundante” em si; é a voz passiva que exige o particípio irregular.
A banca arma uma pegadinha de justificativa: ela apresenta uma afirmação que contém uma verdade (a forma está correta) e uma causa errada (porque é verbo abundante). O candidato que sabe que “pago” é particípio de pagar pode marcar “Certo” sem perceber que a razão apresentada é insuficiente. A forma correta seria: “A forma ‘pago’ está correta, pois, na voz passiva, emprega-se o particípio irregular.”
A banca explora a confusão entre o conceito de verbo abundante e a regra de uso dos particípios. O fato de o verbo ser abundante não justifica, por si só, o emprego de uma ou outra forma; o que decide é o contexto (voz ativa × passiva).
A afirmação é errada porque a justificativa apresentada é imprecisa. Embora “pago” seja uma forma correta no contexto (voz passiva), a razão “por se tratar de verbo abundante” não é a correta. A existência de duas formas de particípio (pagado/pago) é uma característica do verbo, mas a escolha entre elas é determinada pela voz verbal e pelo auxiliar utilizado. Portanto, a assertiva falha ao atribuir a correção da forma a uma característica genérica do verbo, em vez de à regra específica de uso.
A alternativa C (Certo) seria a resposta se a afirmação fosse verdadeira. No entanto, como a justificativa está errada, a alternativa C é incorreta. O candidato que marcou C provavelmente reconheceu que “pago” é uma forma válida, mas não percebeu que a razão apresentada é inadequada. A banca testa exatamente essa capacidade de avaliar a relação de causa e consequência na afirmação.
A questão ensina uma lição importante: em gramática, não basta saber que uma forma existe; é preciso saber quando e por que ela é usada. Verbos abundantes oferecem duas formas de particípio, mas a escolha entre elas é regulada pela voz verbal. Portanto, a forma “pago” está correta no texto, mas não por ser verbo abundante — e sim por estar em voz passiva. Fique atento a justificativas que misturam verdade e erro: a banca adora esse tipo de armadilha.
Gabarito: letra E
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