Questão de Português — Funções morfossintáticas da palavra SE — Quadrix 2025
- Código
- qg606190
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- CRP - SP
- Ano
- 2025
- Nível
- Médio
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: E (Errado). No trecho “Em linhas gerais, refere‑se à condição de bem‑estar em que a pessoa é capaz de lidar com situações e emoções cotidianas, ter satisfação em viver”, o pronome “se” não indica sujeito indeterminado; ele é partícula apassivadora, e o termo “à condição de bem‑estar” exerce a função de sujeito paciente da voz passiva sintética. A passagem que sustenta essa análise é o próprio trecho citado, em que o verbo “referir” é transitivo direto (quem refere, refere algo) e o “se” apenas marca a voz passiva, transformando o objeto direto em sujeito.
A questão pede que se julgue a afirmação sobre a função sintática do “se” em “refere‑se”. Trata‑se de uma questão de gramática aplicada ao texto: não se pergunta o sentido, mas a função morfossintática da partícula. Para resolver, é preciso identificar a transitividade do verbo e o papel do termo que o acompanha. O comando é direto: “indica que o sujeito da oração é indeterminado” — precisamos verificar se isso é verdadeiro ou falso.
No trecho, a oração é “refere‑se à condição de bem‑estar”. O verbo “referir” é transitivo direto e indireto, mas aqui é usado como transitivo direto: quem refere, refere algo. O termo “à condição de bem‑estar” é o objeto direto na voz ativa, que, na voz passiva sintética, torna‑se o sujeito paciente. O “se” é a partícula apassivadora (PA), que marca a voz passiva pronominal. Veja a estrutura:
Voz ativa: “(alguém) refere a condição de bem‑estar” → “refere‑se a condição de bem‑estar” (passiva sintética).
O sujeito é “a condição de bem‑estar”, que recebe a ação de ser referida.
Isso é diferente do índice de indeterminação do sujeito (IIS), que ocorre com verbos intransitivos, transitivos indiretos ou de ligação, como em “Precisa‑se de funcionários” (VTI) ou “Vive‑se bem aqui” (VI). No caso de “refere‑se”, o verbo é transitivo direto, então o “se” só pode ser PA.
Para diferenciar PA de IIS, use o teste da transitividade:
PA: ocorre com VTD ou VTDI; o termo que acompanha o verbo é o sujeito paciente e concorda com o verbo em número e pessoa. Ex.: “Vendem‑se casas” (casas = sujeito paciente).
IIS: ocorre com VTI, VI ou VL; o verbo fica sempre na 3ª pessoa do singular; não há sujeito explícito. Ex.: “Precisa‑se de funcionários” (de funcionários = objeto indireto).
No trecho, “refere‑se à condição de bem‑estar” — o verbo “referir” é VTD (quem refere, refere algo), e “à condição de bem‑estar” é o sujeito paciente. Portanto, o “se” é PA, não IIS. A afirmação da questão está errada.
A afirmação de que o “se” indica sujeito indeterminado é falsa. Como demonstrado, o “se” é partícula apassivadora, e o sujeito é determinado (“a condição de bem‑estar”). A banca tenta confundir o candidato ao apresentar um caso em que o “se” é comumente associado à indeterminação, mas aqui a transitividade do verbo desfaz a confusão. O erro é de troca de conceito: confundir PA com IIS.
A afirmação está errada, pois o “se” em “refere‑se” é partícula apassivadora, e o sujeito é paciente, não indeterminado. A banca pede para julgar a afirmação, e ela é falsa. Portanto, o gabarito é a letra E.
A questão exige o domínio das funções do “se”. A regra de ouro: verifique a transitividade do verbo. Se for VTD ou VTDI, o “se” é partícula apassivadora e o termo que o acompanha é sujeito paciente; se for VTI, VI ou VL, o “se” é índice de indeterminação do sujeito. No trecho, “referir” é VTD, logo, o “se” é PA. Gabarito: letra E.
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