Questão de Português — Funções morfossintáticas da palavra SE — Quadrix 2025
- Código
- qg606248
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- CRP - SP
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: E (Errado). A afirmação de que o emprego do "se" é facultativo está incorreta: no trecho "quando se empregam características biológicas", o "se" é partícula apassivadora (ou pronome apassivador), e sua retirada tornaria a frase agramatical, pois o verbo "empregar" é transitivo direto e exige o pronome para formar a voz passiva sintética. A passagem do texto que sustenta a análise é:
"quando se empregam características biológicas como justificativa de tal ou tal comportamento"
Aqui, o "se" é obrigatório para indicar que "características biológicas" é o sujeito paciente ("características biológicas são empregadas"). Sem o pronome, a oração perderia o sentido passivo e ficaria sem sujeito claro, o que invalida a ideia de facultatividade.
A banca pede para julgar (certo/errado) uma afirmação sobre a estrutura linguística do texto. O foco é a função morfossintática do "se" e a possibilidade de omiti-lo. Em questões de certo/errado, qualquer erro na afirmação torna o item errado. Aqui, o erro está na palavra "facultativo": o pronome não pode ser dispensado sem prejuízo gramatical.
No trecho, o verbo "empregar" é transitivo direto (quem emprega, emprega algo). Quando o "se" acompanha um verbo transitivo direto, ele funciona como partícula apassivadora, formando a voz passiva sintética. Nessa construção, o objeto direto da voz ativa vira o sujeito paciente da voz passiva, e o verbo concorda com esse sujeito.
Voz ativa: "(alguém) emprega características biológicas" → sujeito indeterminado, objeto direto = "características biológicas".
Voz passiva sintética: "empregam-se características biológicas" → sujeito paciente = "características biológicas", verbo no plural para concordar com o sujeito.
A retirada do "se" produziria a forma "quando empregam características biológicas", que não tem sujeito definido e não mantém a mesma estrutura passiva. O verbo ficaria sem sujeito claro, e a frase seria considerada agramatical na norma culta, pois "empregar" exige complemento direto, e sem o "se" não há como identificar quem pratica a ação.
O "se" apassivador é obrigatório para marcar a voz passiva. Diferentemente da partícula expletiva (ou de realce), que pode ser retirada sem alteração de sentido (ex.: "Vão-se os anéis" → "Vão os anéis"), a partícula apassivadora não pode ser suprimida, pois sua ausência muda a estrutura sintática e o sentido da oração.
Veja a diferença:
Construção | Função do "se" | Pode ser retirado? |
|---|---|---|
"Empregam-se características" | Partícula apassivadora | Não — sem o "se", a frase perde a voz passiva e fica sem sujeito claro. |
"Vão-se os anéis" | Partícula expletiva | Sim — a retirada não altera o sentido. |
No trecho do texto, o "se" é apassivador, portanto obrigatório.
A alternativa C afirma que o emprego do "se" é facultativo. Isso está errado, pois, como demonstrado, o "se" é partícula apassivadora e sua retirada compromete a estrutura da frase. A banca tenta confundir o candidato ao sugerir que o pronome poderia ser dispensado, mas a gramática normativa exige sua presença para formar a voz passiva sintética.
A alternativa E (Errado) é a resposta correta, pois a afirmação do item é falsa. O "se" não é facultativo; ele é obrigatório para marcar a voz passiva. A banca pede para julgar a afirmação, e como ela está incorreta, o gabarito é Errado.
A questão testa o conhecimento sobre as funções do "se" e a diferença entre partícula apassivadora e partícula expletiva. A pegadinha está em chamar de "facultativo" um pronome que é essencial para a estrutura passiva. Lembre-se: se o verbo é transitivo direto e o "se" indica voz passiva, ele é obrigatório; se for partícula expletiva, aí sim pode ser retirado. Essa distinção é clássica em provas de concurso.
Gabarito: E (Errado)
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