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Questão de Português — Sintaxe — Quadrix 2025

PortuguêsSintaxe
Código
qg606356
Banca
Quadrix
Órgão
Fundação do ABC
Ano
2025
Nível
Médio
Texto para a questão.


    Imagine um time de futebol atacado por um surto enlouquecedor, em que os jogadores saem marcando gol desvairadamente contra a própria equipe. É isso o que o corpo faz quando acometido por doenças autoimunes. O sistema de defesa do organismo (sistema imunológico) deixa de reconhecer o próprio corpo e, em vez de combater apenas inimigos, como certos vírus e bactérias, passa a atacar células ou tecidos saudáveis do organismo.

    Não é à toa que as doenças autoimunes tanto assustam. De início, o paciente tem dificuldade para compreender que, além de vítima, é “autor” desse mecanismo de agressão. Já os médicos também não compreendem por que as células de defesa do corpo perdem o controle. As doenças autoimunes não têm cura, mas há remédio para os sintomas, e os novos tratamentos têm dado esperança aos pacientes.

    A incidência de doenças autoimunes tem aumentado. Duplicou nos últimos 40 anos – também não se sabe por que, mas há quem credite esse fato ao aprimoramento nos diagnósticos e à precisão dos testes laboratoriais. O fato é que, só nos Estados Unidos, são 50 milhões de pessoas por ano diagnosticadas com uma doença desse tipo. Em todo o mundo, médicos e pesquisadores presumem que 15% a 20% da população seja atingida, e a maior parte das vítimas são mulheres.

    Uma das hipóteses para a causa das doenças, segundo o imunologista Momtchilo Russo, presidente da Sociedade Brasileira de Imunologia, é a da higiene. “Como hoje as pessoas não desenvolvem tantas infecções, que talvez regularizassem a ação do sistema imunológico, nossas células de defesa poderiam estar superativadas”. Por outro lado, alguns estudos revelam que as doenças infecciosas é que afetariam o funcionamento do sistema imunológico. “Na febre reumática, sabe‑se que o organismo ataca células do coração, pois as confunde com um aminoácido presente na bactéria estreptococo”, diz a imunologista Myrthes Toledo Barros, do Serviço de Imunologia Clínica e Alergia do Hospital das Clínicas (SP).

    Hipóteses à parte, sabe‑se que, para desenvolver uma doença autoimune, são necessárias três condições, explica Scheinberg. A primeira é ter predisposição genética para a doença. A segunda é o problema ser desencadeado por um fator do ambiente externo, como exposição ao sol, no caso do lúpus, ou situação estressante, no caso da psoríase. Já a terceira, mais óbvia, é haver desequilíbrio das células do sistema imunológico.


Internet: <desenbahia.ba.gov.br> (com adaptações).

No trecho “‘Na febre reumática, sabe‑se que o organismo ataca células do coração, pois as confunde com um aminoácido presente na bactéria estreptococo’”, a correção gramatical e o sentido original do texto seriam mantidos caso a palavra “pois” fosse substituída por
  1. Aporque.
  2. Bporquê.
  3. Cpor que.
  4. Dpor quê.
  5. Epor causa que.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — porque.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de “pois” por “porque” — relação de causa mantida

Gabarito: letra A. No trecho, “pois” introduz uma explicação/causa para o fato de o organismo atacar as células do coração: ele as confunde com um aminoácido da bactéria. A única forma que preserva exatamente esse valor semântico e a correção gramatical é “porque” (conjunção causal/explicativa). As demais opções ou mudam a classe gramatical ou quebram a estrutura da frase.

O comando

A questão pede uma substituição que mantenha dois requisitos: (1) a correção gramatical — ou seja, a nova palavra deve se encaixar na estrutura sintática sem gerar erro; (2) o sentido original — a relação lógica que “pois” estabelece entre as orações deve ser preservada. Isso exige conhecer o valor semântico de “pois” e as quatro grafias de “porquê”.

O texto e a relação de sentido

No trecho citado, a imunologista explica por que o organismo ataca o coração na febre reumática:

“Na febre reumática, sabe‑se que o organismo ataca células do coração, pois as confunde com um aminoácido presente na bactéria estreptococo”

A oração “as confunde com um aminoácido” é a causa/explicação do ataque às células do coração. O conectivo “pois” aqui tem valor explicativo-causal — equivale a “porque”, “visto que”, “já que”. A substituição por “porque” mantém exatamente essa relação.

A regra dos porquês

  • Porque (junto, sem acento): conjunção causal ou explicativa — equivale a “pois”, “visto que”, “já que”. É o que precisamos.

  • Por que (separado, sem acento): usado em perguntas (diretas ou indiretas) ou como preposição + pronome relativo (equivalente a “pelo qual”). Não se encaixa aqui.

  • Por quê (separado, com acento): usado no final de frase ou antes de pausa. Aqui não há pausa.

  • Porquê (junto, com acento): substantivo, sinônimo de “motivo”, “razão”, geralmente antecedido de artigo. Não é o caso.

A pegadinha

A banca oferece as quatro grafias para testar se você domina a diferença. A tentação é marcar “por que” por achar que toda pergunta usa essa forma, mas o trecho não é interrogativo — é uma explicação. A forma correta é a conjunção porque.

Porquês
  • 1Porque (junto, sem acento)
    • Conjunção causal/explicativa
    • Equivale a "pois"
  • 2Por que (separado, sem acento)
    • Perguntas diretas/indiretas
    • Preposição + relativo ("pelo qual")
  • 3Por quê (separado, com acento)
    • Final de frase ou antes de pausa
  • 4Porquê (junto, com acento)
    • Substantivo ("motivo", "razão")
    • Antecedido de artigo
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Alternativa A — ✅ Correta

“Porque” é uma conjunção causal/explicativa, exatamente o valor de “pois” no trecho. A substituição mantém o sentido e a correção gramatical. É a resposta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

“Porquê” é um substantivo (sinônimo de “motivo”, “razão”), normalmente antecedido de artigo ou outro determinante. No trecho, não há artigo antes, e a função é de conectivo, não de substantivo. A frase ficaria agramatical: “...ataca células do coração, porquê as confunde...” — não faz sentido.

Alternativa C — ❌ Incorreta

“Por que” (separado, sem acento) é usado em perguntas ou como preposição + pronome relativo. No trecho, não há pergunta, e a estrutura não pede “pelo qual”. A substituição quebraria a relação causal e tornaria a frase incoerente.

Alternativa D — ❌ Incorreta

“Por quê” (separado, com acento) é usado no final de frase ou antes de pausa. No trecho, o conectivo está no meio da oração, sem pausa. A substituição geraria erro de pontuação e sentido.

Alternativa E — ❌ Incorreta

“Por causa que” é uma expressão coloquial, considerada inadequada na norma culta. Embora tenha valor causal, não é aceita em texto formal e não equivale a “pois” com a mesma elegância. A banca cobra a forma padrão.

Conclusão

A única substituição que mantém o sentido e a correção gramatical é “porque”. Lembre-se: “pois” com valor causal/explicativo equivale a “porque” (junto, sem acento). As outras formas têm funções diferentes e não se aplicam ao contexto.

Gabarito: letra A.

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