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Questão de Português — Sintaxe — Quadrix 2025

PortuguêsSintaxe
Código
qg606362
Banca
Quadrix
Órgão
Fundação do ABC
Ano
2025
Nível
Médio
Texto para a questão.


    Imagine um time de futebol atacado por um surto enlouquecedor, em que os jogadores saem marcando gol desvairadamente contra a própria equipe. É isso o que o corpo faz quando acometido por doenças autoimunes. O sistema de defesa do organismo (sistema imunológico) deixa de reconhecer o próprio corpo e, em vez de combater apenas inimigos, como certos vírus e bactérias, passa a atacar células ou tecidos saudáveis do organismo.

    Não é à toa que as doenças autoimunes tanto assustam. De início, o paciente tem dificuldade para compreender que, além de vítima, é “autor” desse mecanismo de agressão. Já os médicos também não compreendem por que as células de defesa do corpo perdem o controle. As doenças autoimunes não têm cura, mas há remédio para os sintomas, e os novos tratamentos têm dado esperança aos pacientes.

    A incidência de doenças autoimunes tem aumentado. Duplicou nos últimos 40 anos – também não se sabe por que, mas há quem credite esse fato ao aprimoramento nos diagnósticos e à precisão dos testes laboratoriais. O fato é que, só nos Estados Unidos, são 50 milhões de pessoas por ano diagnosticadas com uma doença desse tipo. Em todo o mundo, médicos e pesquisadores presumem que 15% a 20% da população seja atingida, e a maior parte das vítimas são mulheres.

    Uma das hipóteses para a causa das doenças, segundo o imunologista Momtchilo Russo, presidente da Sociedade Brasileira de Imunologia, é a da higiene. “Como hoje as pessoas não desenvolvem tantas infecções, que talvez regularizassem a ação do sistema imunológico, nossas células de defesa poderiam estar superativadas”. Por outro lado, alguns estudos revelam que as doenças infecciosas é que afetariam o funcionamento do sistema imunológico. “Na febre reumática, sabe‑se que o organismo ataca células do coração, pois as confunde com um aminoácido presente na bactéria estreptococo”, diz a imunologista Myrthes Toledo Barros, do Serviço de Imunologia Clínica e Alergia do Hospital das Clínicas (SP).

    Hipóteses à parte, sabe‑se que, para desenvolver uma doença autoimune, são necessárias três condições, explica Scheinberg. A primeira é ter predisposição genética para a doença. A segunda é o problema ser desencadeado por um fator do ambiente externo, como exposição ao sol, no caso do lúpus, ou situação estressante, no caso da psoríase. Já a terceira, mais óbvia, é haver desequilíbrio das células do sistema imunológico.


Internet: <desenbahia.ba.gov.br> (com adaptações).

Na frase “As doenças autoimunes não têm cura, mas há remédio para os sintomas, e os novos tratamentos têm dado esperança aos pacientes.”, a conjunção “mas” indica uma circunstância de
  1. Amodo.
  2. Bconclusão.
  3. Cexplicação.
  4. Dalternativa.
  5. Eadversidade.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — adversidade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Valor semântico da conjunção "mas" — adversidade

Gabarito: letra E. A conjunção "mas" é uma conjunção coordenativa adversativa, pois liga duas orações que expressam ideias opostas ou contrastantes: de um lado, a ausência de cura; de outro, a existência de remédio para os sintomas. Como se lê no trecho: "As doenças autoimunes não têm cura, mas há remédio para os sintomas". O "mas" introduz uma ressalva/oposição à ideia anterior, exatamente o valor de adversidade.

O comando

A questão pede que você identifique a circunstância (valor semântico) que a conjunção "mas" expressa no trecho. Isso é uma questão de gramática aplicada ao texto: não se trata de interpretar o conteúdo, mas de reconhecer a função sintático-semântica do conectivo. O comando é direto: "a conjunção 'mas' indica uma circunstância de". Você precisa saber que "mas" é uma conjunção coordenativa adversativa e que seu valor é de oposição/contraste.

O texto e a frase

No trecho, o autor afirma que as doenças autoimunes não têm cura, mas que há remédio para os sintomas. A primeira oração apresenta uma limitação (não há cura); a segunda, introduzida por "mas", apresenta uma compensação (há remédio). Essa relação de contraste entre as duas ideias é a marca da adversidade. O "mas" não poderia ser substituído por "portanto" (conclusão), "porque" (explicação), "ou" (alternativa) ou "como" (modo) sem alterar completamente o sentido.

A técnica

Para resolver, basta lembrar a classificação das conjunções coordenativas:

Tipo

Valor

Exemplos

Aditivas

soma, acréscimo

e, nem, mas também

Adversativas

oposição, contraste, ressalva

mas, porém, todavia, contudo, entretanto

Alternativas

escolha, alternância

ou, ora...ora, quer...quer

Conclusivas

conclusão, consequência

logo, portanto, pois (deslocado)

Explicativas

justificativa, explicação

porque, pois (início), que

O "mas" é o protótipo das adversativas. No trecho, ele estabelece uma oposição entre "não têm cura" e "há remédio para os sintomas". A banca explora justamente a confusão com outros valores, mas a presença do contraste é inequívoca.

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

Modo é uma circunstância expressa por advérbios de modo (bem, mal, rapidamente) ou por locuções adverbiais (com cuidado, de repente). A conjunção "mas" não expressa modo; ela liga orações, não modifica o verbo. Erro: troca de conceito — confunde a função da conjunção com a do advérbio.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Conclusão é expressa por conjunções como logo, portanto, por isso. Se substituíssemos "mas" por "portanto", a frase ficaria: "As doenças autoimunes não têm cura, portanto há remédio para os sintomas" — o que é ilógico, pois a segunda ideia não é consequência da primeira, mas uma ressalva. Erro: troca de conceito — atribui à conjunção um valor que ela não tem no contexto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Explicação é expressa por porque, pois, que (explicativas). A segunda oração não explica por que não há cura; ela apresenta uma informação contrastante. Erro: troca de conceito — confunde adversidade com explicação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Alternativa é expressa por ou, ora...ora, quer...quer. A frase não apresenta escolha ou alternância entre duas possibilidades; apresenta duas ideias opostas. Erro: troca de conceito — confunde adversidade com alternância.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Adversidade é exatamente o valor de "mas": oposição, contraste, ressalva. No trecho, "não têm cura" (ideia negativa) contrasta com "há remédio para os sintomas" (ideia positiva). O "mas" marca essa relação de oposição entre as orações. É a única alternativa que nomeia corretamente a circunstância.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece valores de outras conjunções coordenativas (conclusão, explicação, alternativa) para testar se você reconhece a adversidade do "mas". A dica é: substitua o "mas" por "porém" ou "contudo" — se o sentido permanecer, é adversativa.

PEGA ESSA DICA!

Memorize a lista das conjunções coordenativas e seus valores. O "mas" é sempre adversativo; "porém", "todavia", "contudo", "entretanto" também. Se a banca perguntar o valor de "e", aí sim pode ser aditivo, adversativo ou conclusivo, dependendo do contexto.

Gabarito: letra E — a conjunção "mas" expressa adversidade.

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