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Questão de Português — Flexão verbal de modo (indicativo, subjuntivo, imperativo) — Quadrix 2025

PortuguêsFlexão verbal de modo (indicativo, subjuntivo, imperativo)
Código
qg606531
Banca
Quadrix
Órgão
SEDF
Ano
2025
Nível
Superior
Uma convicção pode ser a mais perversa das prisões. Quando o que sei não pode ser questionado, escuto apenas aquilo que confirma o que acredito. O que é diferente recuso. Quando acredito que tenho toda a razão e o outro, nenhuma, não existe diálogo. Preso às minhas convicções, reduzo a possibilidade de pensar. Não há como aprender sem estar disposto a mudar de ideia, e para mudar de ideia é preciso aceitar que minha convicção pode estar errada.

Polarização é quando duas convicções opostas ocupam todos os espaços do debate político. Quando não há adversário, mas inimigo. As alternativas, aquelas posições que não se encaixam em nenhum dos dois lados, são postergadas ou negadas. O debate se faz impossível. É como se as mensagens transitassem por canais paralelos ou fossem ditas em línguas diferentes. Pior: a língua é a mesma, as palavras são iguais – mas significam coisas diferentes, dependendo de quem diz.

Paramos de escutar, não interessam os argumentos. Deixa de importar o que é dito, importa quem disse: se foi alguém que é da minha posição, vou defender sem questionar. Mas, se for do outro lado, nego e rebato. Trocam‑se palavras de ordem e memes, há menosprezo pelo argumento. Quem não está alinhado com uma das duas posições dominantes não tem voz: o que disser será entendido como apoio ou crítica a um dos dois polos. As ideias se impõem por relação de força – não a força da razão, mas a razão da força. Quem grita mais leva. As posições são sempre muito delimitadas, não existem nuances. É a morte das ideias, o fim da inteligência.

O bom senso é a coisa mais bem distribuída do mundo: nunca ninguém reclama de ter recebido pouco, disse o filósofo francês René Descartes no início de seu Discurso do método. Com as ideologias ocorre algo semelhante: nunca ninguém se queixa de ter o juízo distorcido pela própria ideologia. O viés ideológico só afeta os outros. Jamais nos questionamos: será que eu também não estou vendo a realidade? E se o que para mim é tão óbvio for produto de uma ideologia que não me permite ver diferente? É tão claro e tão evidente que não há espaço para dúvidas – e isso é muito perigoso. 

BRUZZONI, Andrés. Ciberpopulismo: política e democracia no mundo
digital. São Paulo: Editora Contexto, 2021, p. 9‑11 (com adaptações).
Em relação aos aspectos gramaticais do texto, julgue o item seguinte.No segundo parágrafo do texto, o presente do indicativo é empregado na descrição de propriedades abstratas e na narrativa de fatos que se estendem aos dias atuais.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Emprego do presente do indicativo no segundo parágrafo

Gabarito: letra E (Errado). A afirmação de que o presente do indicativo é empregado na "narrativa de fatos que se estendem aos dias atuais" está incorreta porque o segundo parágrafo não narra fatos: ele descreve, de forma atemporal e abstrata, o fenômeno da polarização. Como se lê no trecho "Polarização é quando duas convicções opostas ocupam todos os espaços do debate político", o verbo "é" expressa uma verdade geral, e não um fato que se estende ao presente.

O comando

A questão pede que você julgue (Certo/Errado) uma afirmação sobre aspectos gramaticais do texto, especificamente sobre o emprego do presente do indicativo no segundo parágrafo. Isso é uma questão de gramática aplicada ao texto: não basta saber a teoria dos tempos verbais; é preciso verificar no texto qual valor semântico o presente assume ali. O comando "julgue o item" indica que você deve testar a afirmação contra o que está escrito — e qualquer incompatibilidade torna o item errado.

O texto

O texto é um ensaio dissertativo-argumentativo sobre os perigos das convicções inflexíveis e da polarização. No segundo parágrafo, o autor define polarização e descreve suas consequências: "Polarização é quando duas convicções opostas ocupam todos os espaços do debate político". Os verbos no presente — "é", "ocupam", "recuso", "existe", "importa", "diz", "defendo", "nego", "rebato", "grita", "leva" — não narram eventos ocorridos ou em curso; eles enunciam propriedades do fenômeno, como uma verdade atemporal (o presente "gnômico" ou "atemporal"). Não há sequência de fatos, não há marco temporal, não há "narrativa".

A técnica que decide

O presente do indicativo tem vários valores: (1) fato que ocorre no momento da fala ("Ouço vozes"); (2) fato habitual ("Aos domingos, vou à missa"); (3) fato atemporal, verdade absoluta ("Água mole em pedra dura tanto bate até que fura"); (4) fato iniciado no passado e que perdura ("Os cientistas estudam a cura da AIDS"). A afirmação do item mistura dois valores: diz que o presente é usado na "descrição de propriedades abstratas" (o que é verdadeiro — é o valor atemporal) e na "narrativa de fatos que se estendem aos dias atuais" (o que é falso — não há narrativa de fatos). A banca tenta fazer você aceitar que o texto narra algo, mas ele apenas descreve e argumenta. A palavra-chave é "narrativa": narrar é contar uma sequência de eventos; descrever é caracterizar. O segundo parágrafo não conta nenhuma história — ele expõe uma tese.

"Polarização é quando duas convicções opostas ocupam todos os espaços do debate político."

Aqui, "é" e "ocupam" são presentes atemporais: expressam o que é a polarização, não o que aconteceu ou vem acontecendo. O mesmo ocorre em "As ideias se impõem por relação de força" e "Quem grita mais leva" — são leis gerais do comportamento social, não fatos narrados.

Presente do indicativo
  • 1Valores semânticos
    • Momento da fala
    • Hábito
    • Verdade atemporal (gnômico)
    • Fato que perdura
  • 2No 2º parágrafo
    • Descrição de propriedades abstratas
      • Verdade atemporal
    • Narrativa de fatos
      • Não há sequência de eventos
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Alternativa C — ❌ Incorreta (a afirmação é falsa)

A afirmação está errada porque a segunda parte dela — "na narrativa de fatos que se estendem aos dias atuais" — não se sustenta no texto. O segundo parágrafo não narra fatos: ele descreve o fenômeno da polarização de forma atemporal. Não há nenhum verbo que indique um fato que começou no passado e continua até hoje (como "vem ocorrendo" ou "temos visto"). Todos os presentes ali têm valor gnômico/atemporal (propriedades abstratas), não valor durativo (fato em extensão). Portanto, o item é errado.

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar itens sobre tempo verbal, identifique o valor semântico de cada ocorrência no texto. Pergunte: o verbo indica (a) momento da fala, (b) hábito, (c) verdade atemporal, ou (d) fato que perdura? Se a afirmação misturar valores, ela está errada.

Conclusão

A questão testa sua capacidade de distinguir os valores do presente do indicativo e de não confundir descrição com narração. O segundo parágrafo é descritivo-argumentativo, não narrativo. A afirmação de que há "narrativa de fatos que se estendem aos dias atuais" é uma extrapolação — o texto não autoriza essa leitura. Portanto, o item está errado.

Gabarito: letra E (Errado).

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