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Questão de Português — Interpretação de Textos — Quadrix 2025

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
qg606537
Banca
Quadrix
Órgão
SEDF
Ano
2025
Nível
Superior
Uma convicção pode ser a mais perversa das prisões. Quando o que sei não pode ser questionado, escuto apenas aquilo que confirma o que acredito. O que é diferente recuso. Quando acredito que tenho toda a razão e o outro, nenhuma, não existe diálogo. Preso às minhas convicções, reduzo a possibilidade de pensar. Não há como aprender sem estar disposto a mudar de ideia, e para mudar de ideia é preciso aceitar que minha convicção pode estar errada.

Polarização é quando duas convicções opostas ocupam todos os espaços do debate político. Quando não há adversário, mas inimigo. As alternativas, aquelas posições que não se encaixam em nenhum dos dois lados, são postergadas ou negadas. O debate se faz impossível. É como se as mensagens transitassem por canais paralelos ou fossem ditas em línguas diferentes. Pior: a língua é a mesma, as palavras são iguais – mas significam coisas diferentes, dependendo de quem diz.

Paramos de escutar, não interessam os argumentos. Deixa de importar o que é dito, importa quem disse: se foi alguém que é da minha posição, vou defender sem questionar. Mas, se for do outro lado, nego e rebato. Trocam‑se palavras de ordem e memes, há menosprezo pelo argumento. Quem não está alinhado com uma das duas posições dominantes não tem voz: o que disser será entendido como apoio ou crítica a um dos dois polos. As ideias se impõem por relação de força – não a força da razão, mas a razão da força. Quem grita mais leva. As posições são sempre muito delimitadas, não existem nuances. É a morte das ideias, o fim da inteligência.

O bom senso é a coisa mais bem distribuída do mundo: nunca ninguém reclama de ter recebido pouco, disse o filósofo francês René Descartes no início de seu Discurso do método. Com as ideologias ocorre algo semelhante: nunca ninguém se queixa de ter o juízo distorcido pela própria ideologia. O viés ideológico só afeta os outros. Jamais nos questionamos: será que eu também não estou vendo a realidade? E se o que para mim é tão óbvio for produto de uma ideologia que não me permite ver diferente? É tão claro e tão evidente que não há espaço para dúvidas – e isso é muito perigoso. 

BRUZZONI, Andrés. Ciberpopulismo: política e democracia no mundo
digital. São Paulo: Editora Contexto, 2021, p. 9‑11 (com adaptações).
Acerca das ideias do texto e das suas propriedades linguísticas, julgue o item a seguir.De acordo com o texto, no debate político, a polarização tem como consequência a produção de convicções opostas que ocupam esse debate e postergam ou negam posições que não se encaixam em nenhum dos lados.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Polarização e suas consequências no debate político

Gabarito: ERRADO. A afirmação inverte a relação de causa e consequência: no texto, a polarização não é consequência da produção de convicções opostas; ela é o próprio fenômeno em que duas convicções opostas ocupam o debate. Como se lê no 2º parágrafo: "Polarização é quando duas convicções opostas ocupam todos os espaços do debate político." A consequência da polarização é a postergação/negação das posições intermediárias, não a produção das convicções.

O comando

A questão pede um julgamento Certo/Errado sobre uma afirmação que mistura definição e consequência. O verbo "tem como consequência" exige que você identifique, no texto, o que é causa e o que é efeito. Não basta reconhecer as palavras "polarização" e "convicções opostas" — é preciso conferir a direção da relação entre elas.

O texto

O autor define polarização logo no início do segundo parágrafo:

"Polarização é quando duas convicções opostas ocupam todos os espaços do debate político."

Aqui, as convicções opostas são a própria polarização, não um efeito dela. Em seguida, o texto lista as consequências desse fenômeno:

"As alternativas, aquelas posições que não se encaixam em nenhum dos dois lados, são postergadas ou negadas."

Ou seja: a polarização causa a postergação/negação das posições intermediárias. A afirmação do item, ao dizer que a polarização "tem como consequência a produção de convicções opostas", coloca a causa no lugar do efeito e o efeito no lugar da causa.

A técnica

Em questões de causa e consequência, o método é: localize o conector ou a estrutura que estabelece a relação e verifique quem é o ponto de partida. No texto, a definição "é quando" indica identidade, não consequência. Já a consequência aparece com o verbo "são postergadas ou negadas", que se refere às posições intermediárias — não às convicções opostas.

1Definição (é quando)
Duas convicções opostas
Ocupam todo o debate
2Consequência (causa)
Posterga posições intermediárias
Nega posições intermediárias
3O que NÃO é
Não é consequência das convicções
Polarização
LEVELsoulevel.com.br
Polarização: Definição (é quando) (Duas convicções opostas, Ocupam todo o debate); Consequência (causa) (Posterga posições intermediárias, Nega posições intermediárias); O que NÃO é (Não é consequência das convicções)

Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmação está errada porque inverte a relação causal. O texto não diz que a polarização produz convicções opostas; diz que a polarização é a existência de convicções opostas ocupando o debate. A consequência real é a exclusão das posições intermediárias, como o próprio texto afirma: "As alternativas... são postergadas ou negadas." A banca usou a armadilha da troca de termos: manteve as palavras do texto, mas inverteu a relação lógica entre elas.

NÃO CAIA NESSA!

A banca inverte causa e consequência. No texto, convicções opostas definem a polarização; a polarização causa a exclusão das posições intermediárias. A alternativa troca esses papéis.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de causa e consequência, sublinhe o conector ou a estrutura que indica a relação ("é quando", "tem como consequência", "porque") e pergunte: quem vem primeiro? O que é definição e o que é efeito?

Conclusão: a afirmação está errada porque atribui à polarização uma consequência que, no texto, é sua própria definição. A consequência real é a postergação das posições intermediárias. Gabarito: letra E (Errado).

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