Questão de Sociologia — Política, poder e Estado — UECE-CEV 2025
SociologiaPolítica, poder e Estado
- Código
- qg616154
- Banca
- UECE-CEV
- Órgão
- UECE
- Ano
- 2025
- Nível
- Médio
- Cargo
- CEV - - Filosofia e Sociologia - 2ª Fase - 2º Dia (1º Semestre de 2026)
“Enquanto as gangues e quadrilhas de traficantes se moviam em territórios estáticos, e enquanto cada grupo dominava seu pedaço, matando sem mexer no pedaço do outro, as facções invadem, matam, ocupam e expulsam moradores de suas casas. Os líderes de gangues e os traficantes locais sempre tiveram um peso dentro da comunidade, mas sua capacidade de agência era limitada, e as negociações com eles eram consideradas como algo “tranquilo”. Em muitas comunidades, prevaleciam apenas os acordos tácitos de não delação dos esquemas ilegais. Desde as facções, esse equilíbrio foi quebrado, e os moradores relatam que as pessoas que fazem o crime querem “botar moral” e determinar o que pode e não pode ser feito na comunidade. [...]. É possível hoje falar de uma socialização pela violência que, desde os tempos das gangues, perdura como meio de fazer o crime e, consequentemente, fazer a própria vida nas periferias de Fortaleza. Obviamente, existem muitas outras coisas que compõem as periferias da cidade. Isso não impede de observar, entretanto, que o homicídio não é um elemento estranho a pessoas que sofrem e praticam crimes cruéis contra a própria população com a qual compartilham as dores e os sofrimentos sociais. [...]. Por isso, acredito que existe algo de insurgente no fenômeno das facções, mas também profundas conexões com as modalidades de dominação que impõem o governo dos mais pobres para geração de variadas maneiras de cooperação, atualizando discriminações, desigualdades e injustiças em larga escala.”PAIVA, Luíz Fábio S. “Aqui não tem gangue, tem facção”: as transformações sociais do crime em Fortaleza. Cadernos CRH, Salvador, v. 32, nº 85, p. 165-184, jan/abr 2019.Considerando esse enunciado, assinale a afirmação verdadeira.
- ANas periferias de Fortaleza, as maneiras como gangues e traficantes se relacionavam com as comunidades se mantiveram, mesmo com o surgimento das facções.
- BAs facções criaram formas de dominação das comunidades pobres e periféricas de Fortaleza, com as quais compartilham os problemas sociais.
- COs coletivos criminais chamados de gangues se enfrentam, buscam exercer poder sobre os mais pobres e se opõem às atuais facções vindas de fora.
- DA socialização imposta pelo advento das facções nas periferias de Fortaleza promoveu mais tranquilidade nas comunidades do que nos tempos das gangues.