Questão de Filosofia — Conceitos Filosóficos — UECE-CEV 2025
FilosofiaConceitos Filosóficos
- Código
- qg616174
- Banca
- UECE-CEV
- Órgão
- UECE
- Ano
- 2025
- Nível
- Médio
- Cargo
- CEV - - Filosofia e Sociologia - 2ª Fase - 2º Dia (1º Semestre de 2026)
Judá Abravanel (1460-1530), também conhecido como Leão Hebreu, foi um judeu sefardita nascido em Lisboa e reconhecido por seu Diálogo sobre o Amor, onde afirma que “o mundo é produzido à maneira de um filho, a partir da beleza suprema do pai e da sabedoria suprema da mãe, que gera o belo universo. E este é o significado do enamoramento de que fala Salomão no Cântico dos Cânticos: a sabedoria ama o belo, pois é produzida e inferior ao pai, portanto você verá que ela sempre o chama de ‘meu amado’ como inferior, e ele nunca a chama de ‘amada’, mas ‘minha companheira, minha pomba, minha perfeita, minha irmã’, como superior. Mas com seu amor ela se torna plena; e remove a esterilidade ao engravidar, e dá à luz a perfeição do universo: mas o amor nele não é para adquirir a perfeição, porque ele não pode alcançá-la, mas para adquiri-la para o universo, gerando-o como filho de ambos”.ABRAVANEL, Judá. Dialoghi d'amore. Roma: Gius. Laterza & Figli, 2008., p. 342. (Adaptado).Abravanel reconstrói a concepção platônica de amor, juntando isso com o Ketuvim (Escritos) do Tanah (Bíblia Judaica). Isso posto, é correto dizer que
- Aa sabedoria é uma entidade que não consegue perceber beleza e verdade fora de si mesma e do seu filho, o universo, de modo que a alegoria aponta para o risco da arrogância dos intelectuais.
- Ba perfeição do universo vem do amor que a sabedoria tem pelo belo, bom e verdadeiro, diante dos quais ela reconhece a sua própria imperfeição, mas busca-os para seu filho, o mundo.
- Co texto de Cânticos é recordado por Judá Abravanel para combater as concepções neoplatônicas que multiplicavam a importância das Formas e simplesmente esqueciam do caráter sensível da beleza.
- Do texto de Judá Abravanel demonstra a carência de ecletismo no pensamento judaico do final do século XV e a prevalente inabilidade do Renascimento em lidar com os temas religiosos, cristãos e pagãos.