Questão de Português — Interpretação de Textos — UFU-MG 2025
PortuguêsInterpretação de Textos
- Código
- qg622250
- Banca
- UFU-MG
- Órgão
- UFU-MG
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
Niède Guidon era, sobretudo, guerreira. Nunca parou de lutar, muitas vezes sozinha, assim como a mulher milenar enterrada com as armas e cujo corpo ela descobriu no início deste século em sua amada Serra da Capivara. Brigou para defender a arqueologia, o meio ambiente, e superar as injustiças sociais. O Brasil e a Humanidade devem a ela a descoberta e a preservação de um patrimônio cultural e natural único.Quem teve o privilégio de conviver com ela, reconhecia que a personalidade forte e o jeito de ser que mimetizava o do sertão, podiam não ser fáceis. Niède era braba. Mas ela sabia que sem coragem e couraça não há quem enfrente os espinhos da Caatinga, as durezas da vida acadêmica, os perigos de defender o meio ambiente, a violência do preconceito e do machismo.A mesma coragem que a levava morro acima para escavar um sítio arqueológico com pinos nos joelhos quando já passara dos 80 anos, a impulsionou para fazer o patrimônio da Serra da Capivara conhecido mundo afora. E tentou protegê-lo com todas as suas forças.Há décadas a unidade de conservação criada graças a seus esforços já contava com placas trilíngues, projetos de visitação e modelo de gestão de um tipo que os demais parques brasileiros jamais chegaram a ter.AZEVEDO, A. L. Guerreira, Niède Guidon nunca deixou de lutar para defender a arqueologia, o meio ambiente e superar as injustiças sociais. O Globo, Rio de Janeiro, jun. 2025. Disponível em: https://oglobo.globo.com. Acesso em: 5 jun. 2025. (Fragmento)No trecho, a expressão destacada cumpre uma função argumentativa de
- Aatenuar o rigor da representação da personagem, recorrendo a um termo coloquial que introduz ambiguidade interpretativa quanto à intensidade de sua atuação.
- Breforçar a construção de uma imagem combativa e autêntica da personagem, mobilizando traços culturais e linguísticos que lhe conferem legitimidade afetiva e simbólica.
- Cressaltar uma força forjada na experiência concreta e na resistência cotidiana, em contraste com os atributos da vida acadêmica institucionalizada.
- Dequilibrar o tom laudatório do texto, recorrendo a uma expressão informal que sugere certa familiaridade crítica com a personagem.