Análise da progressão temática e tempo narrativo em "Encontro de memórias"
Gabarito: letra C. A alternativa C é a única que interpreta corretamente o texto, reconhecendo que o tempo narrativo não segue uma ordem cronológica linear, mas sim uma lógica afetiva e subjetiva, em que a memória individual organiza o sentido. Isso se comprova no trecho: "É ali que a memória repousa — entre acordes simples e a sensação de que, por um instante, tudo realmente ficou imóvel." O autor descreve dois momentos distintos (a infância e a pandemia) não por ordem cronológica rígida, mas pelo vínculo emocional com a música de Raul Seixas.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O uso do pretérito imperfeito (ex.: "montava", "espalhava", "brincava") não fragiliza a coesão temporal; ao contrário, ele é típico de narrativas que descrevem ações habituais ou cenários passados. O texto mantém coesão e progressão temática, sem rupturas. A alternativa contradiz o que o texto efetivamente realiza.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A progressão temporal não é rígida; há saltos ("doze anos depois") e a organização é emocional, não cronológica. O narrador é em primeira pessoa e subjetivo, não onisciente e neutro. O texto está repleto de marcas de subjetividade ("refúgio íntimo", "memória afetiva").
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Como exposto, o texto constrói o tempo a partir da afetividade: o primeiro dia (infância) e o segundo (pandemia) são ligados pela música de Raul Seixas. A memória ressignifica o passado no presente. O próprio título "Encontro de memórias" sinaliza essa lógica subjetiva.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O texto não é predominantemente descritivo e objetivo. Ele é narrativo e subjetivo, focado nas emoções e impressões do narrador. A descrição de objetos (revistas, acordes) serve à construção da memória, não à objetividade.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A expressão "Raul também estava presente" tem função coesiva e temática: conecta os dois episódios e realça o papel da música como elo afetivo. Não é decorativa; contribui para a estrutura narrativa e argumentativa (mostra a permanência da memória).
Conclusão: A única alternativa alinhada com o texto é a C, que capta a essência subjetiva e não linear da narrativa.