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Questão de Português — Interpretação de Textos — Unesc 2025

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
qg631923
Banca
Unesc
Órgão
Prefeitura de Jaguaruna - SC
Ano
2025
Nível
Médio
Cargo
Fiscal de Tributos
Com base no texto "Encontro de memórias", analise as construções discursivas presentes e assinale a alternativa que expressa corretamente uma inferência semanticamente legítima, coerente com a macroestrutura textual e com a perspectiva enunciativa adotada pelo narrador.
  1. AO texto apresenta uma sequência linear de acontecimentos, cujos marcadores temporais organizam, de forma objetiva e cronológica, a lembrança do narrador, sem subjetivações que alterem a perspectiva narrativa.
  2. BO título "Encontro de memórias" faz referência exclusiva à rememoração do pai pelo narrador, sendo pouco relevante para a articulação estrutural entre os dois momentos-chave do texto.
  3. CA repetição do referente "Raul Seixas" opera como um recurso de anáfora epifórica, mas não estabelece qualquer correlação semântica relevante com os dois momentos centrais da narrativa.
  4. DA evocação do passado, vinculada à figura paterna e à música, funciona no texto como estratégia compensatória da experiência pandêmica, mas não possui valor narrativo para além do seu simbolismo afetivo restrito.
  5. EA expressão "os dois dias em que a terra parou" articula, no plano simbólico, a intersecção entre um episódio íntimo e uma experiência coletiva de ruptura, funcionando como fio condutor da narrativa e evidenciando a permanência afetiva da memória musical como eixo de continuidade subjetiva.
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GabaritoE — A expressão "os dois dias em que a terra parou" articula, no plano simbólico, a intersecção entre um episódio íntimo e uma experiência coletiva de ruptura, funcionando como fio condutor da narrativa e evidenciando a permanência afetiva da memória musical como eixo de continuidade subjetiva.

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Análise da inferência sobre "Encontro de memórias"

Gabarito: letra E. A única alternativa que expressa uma inferência semanticamente legítima, coerente com a macroestrutura do texto e com a perspectiva do narrador, é a E. Ela capta como a expressão "os dois dias em que a terra parou" articula o episódio íntimo (infância com o pai) e a experiência coletiva (pandemia), funcionando como fio condutor que evidencia a permanência afetiva da memória musical.

O narrador declara no primeiro parágrafo: "Existem dois dias em que, para mim, a terra parou. O primeiro aconteceu quando eu tinha cerca de sete anos [...] a voz de Raul Seixas criava um refúgio íntimo". No segundo parágrafo: "O segundo dia em que a terra parou veio doze anos depois. Não foi um dia só, mas uma sequência de dias em que quase todos decidiram — ou foram obrigados — a permanecer em casa". A música de Raul Seixas aparece nos dois momentos: "Assim como no primeiro dia, Raul também estava presente" e "Raul anunciava o segundo, mas é ao primeiro que retorno sempre que escuto alguém cantar sobre 'o dia em que a Terra parou'". Portanto, a expressão "os dois dias" conecta o íntimo e o coletivo, e a memória musical é o eixo de continuidade subjetiva.

Alternativa

Análise da inferência

Coerência com a macroestrutura

Perspectiva enunciativa

Conclusão

A

Afirma que o texto é linear, objetivo e sem subjetivações.

❌ Contradiz o texto, que é marcadamente subjetivo (memórias pessoais, linguagem afetiva).

❌ Nega a subjetividade central do narrador.

Incorreta

B

Diz que o título se refere exclusivamente à rememoração do pai.

❌ Incompleta: o título abrange dois momentos (infância com o pai e pandemia).

❌ Ignora a macroestrutura que conecta os dois episódios.

Incorreta

C

Alega que a repetição de "Raul Seixas" não tem correlação semântica relevante.

❌ Contradiz o texto, que mostra a música como elo entre os dois momentos.

❌ Desconsidera a função coesiva e temática do referente.

Incorreta

D

Reduz a evocação do passado a uma estratégia compensatória sem valor narrativo.

❌ Minimiza o papel estrutural da memória como fio condutor da narrativa.

❌ Subestima a função narrativa da memória afetiva.

Incorreta

E

Articula "os dois dias em que a terra parou" como intersecção entre íntimo e coletivo, fio condutor da narrativa.

✅ Coerente: a expressão conecta o episódio íntimo (infância) e a experiência coletiva (pandemia).

✅ Evidencia a permanência afetiva da memória musical como eixo de continuidade subjetiva.

Correta

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. Afirma que o texto é "linear, objetivo e sem subjetivações", mas o texto é marcadamente subjetivo: narra memórias pessoais com linguagem afetiva ("refúgio íntimo", "memória repousa"). O comando pede inferência; a alternativa nega a subjetividade que é central.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: incompleta (restrição de escopo). Diz que o título "Encontro de memórias" "faz referência exclusiva à rememoração do pai". No entanto, o título abrange dois momentos: o primeiro (com o pai) e o segundo (pandemia). O narrador explicita que Raul Seixas está presente em ambos, e as memórias se "encontram" nas revistas antigas. Reduzir ao pai é ignorar a macroestrutura.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. Alega que a repetição de "Raul Seixas" "não estabelece qualquer correlação semântica relevante" entre os dois momentos. O texto mostra o contrário: a repetição é o elo que une as duas épocas, como prova o trecho "Assim como no primeiro dia, Raul também estava presente".

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. Diz que a evocação do passado "não possui valor narrativo para além do seu simbolismo afetivo restrito". Na verdade, a memória musical é o fio condutor da narrativa: ela organiza a estrutura do texto (dois dias) e expressa a tese de que a memória afetiva atravessa o tempo e conecta experiências. O narrador afirma: "cada vez que seus versos ecoavam, aquele recanto infantil voltava a se mover dentro de mim" — valor narrativo claro.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Fundamento no texto: a expressão "os dois dias em que a terra parou" (primeiro: íntimo; segundo: coletivo) é articulada pelo narrador como eixo estrutural. O texto encerra com "Raul anunciava o segundo, mas é ao primeiro que retorno [...] É ali que a memória repousa", confirmando a intersecção entre o episódio pessoal e a experiência coletiva, e a permanência afetiva da memória musical como continuidade subjetiva.

Gabarito: letra E.

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