Análise do uso da conjunção 'porque'
Gabarito: letra D. Ambas as ocorrências de "porque" estão corretas e introduzem orações subordinadas adverbiais causais, exprimindo a causa real para os fatos narrados. O texto afirma que "O empregado não saiu porque o patrão também não estava lá" e "O aluno não foi à escola porque o professor não o esperava" — em cada caso, o "porque" liga o efeito (não sair/não ir) à sua causa (ausência do patrão/professor), sem ambiguidade ou desvio de regência.
"O empregado não saiu porque o patrão também não estava lá; o aluno não foi à escola porque o professor não o esperava"
A conjunção causal é perfeitamente adequada, mesmo em orações negativas, e não há necessidade de substituição por "por que", nem valor de finalidade ou consequência.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a segunda "porque" introduz oração adjetiva reduzida. Na verdade, as duas são adverbiais causais, não adjetivas. Também sugere reescrita com "por que" por natureza interrogativa — não há interrogação no trecho. Erro: classificação incorreta e suposição infundada.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que apenas o segundo uso é adequado e que o primeiro teria valor duvidoso (causal, finalidade ou concessão). O texto mostra causa clara em ambos: o patrão não estar presente é a razão pela qual o empregado não saiu. Erro: contradiz o texto, que apresenta relação causal evidente.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que só o primeiro está correto e que o segundo teria ambiguidade causal/consecutiva. Não há ambiguidade: o professor não esperar é a causa da ausência do aluno, não consequência. Sugerir troca por "de forma que" alteraria o sentido. Erro: contradiz o texto, que explicita causa.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Reconhece que ambas as ocorrências são corretas, com valor causal, sem ambiguidade ou desvio de regência. É a única alternativa inteiramente sustentada pelo texto e pela norma gramatical.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Alega que o emprego de "porque" requer oração principal afirmativa e que a negação conflita com a lógica. A gramática do português não impõe essa restrição: orações negativas podem perfeitamente ser seguidas de causa introduzida por "porque". Erro: extrapolação de regra inexistente.
Conclusão: A banca cobrou o reconhecimento da função causal de "porque" em contexto coeso e inequívoco. Gabarito: letra D.