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Questão de Português — Interpretação de Textos — Avança SP 2026

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
qg649123
Banca
Avança SP
Órgão
GAMA
Ano
2026
Nível
Médio
Cargo
Encarregado de Seção de Almoxarifado

Leia o texto a seguir para responder à questão.


Quando não havia internet


        Quando não havia internet, eu precisava ir de casa em casa na minha vizinhança comentando sobre os livros que havia acabado de ler. Batia à porta e assim que atendiam – não havia nenhum tipo de cumprimento – eu já começava a falar sobre o que havia mais me chamado a atenção na história.


        Às vezes, a pessoa levantava o polegar, em sinal de que havia gostado do que eu havia dito, e então voltava para dentro de casa, sem dizer nada. Em outras, mais raras, a pessoa comentava sobre o que eu havia acabado de falar e então a gente dava início ao que os antigos chamavam de “conversa”. Outras pessoas também podiam participar, inclusive gente que nenhum de nós havia visto na vida.


        Devo confessar que bem mais comum era a pessoa ouvir apenas o início do meu comentário e imediatamente me deixar de lado, demonstrando que não estava interessada no que eu tinha a dizer. Isso acontecia principalmente porque logo atrás de mim havia outra pessoa que também queria mostrar ou dizer algo ao meu vizinho. Geralmente, traziam uma foto, e as fotos faziam muito mais sucesso do que os comentários que eu tinha a fazer sobre livros.


        Naquele tempo, as pessoas precisavam tirar cópias das suas fotos – depois de revelar os filmes – e sair mostrando a todo vizinho, a todo amigo, a todo amigo de amigo com quem travasse relações. Muitos iam até a rua principal da cidade e lá expunham as suas fotos, geralmente do seu almoço ou seu rosto. Alguns gostavam tanto que compartilhavam a cópia.


        Bem mais complicado era compartilhar aquilo que uma pessoa dizia. Ainda me lembro bem, mais de uma vez os meus amigos gostaram tanto de uma coisa que eu havia acabado de falar que queriam que também os amigos deles ficassem sabendo daquilo. Para isso, levavamme com eles e a gente percorria as casas de todos os conhecidos deles a fim de que eu repetisse o que lhes havia dito. Era bem cansativo. (...)



FENDRICH, Henrique. Quando não havia internet. Escotilha. Disponível em <https://escotilha.com.br/cronicas/henrique-fendrich/quando-nao-havia-internet/> . 

Em relação ao texto “Quando não havia internet”, é correto afirmar que o autor:
  1. Aapresenta-se com uma postura muito contrária ao passado, desprezando-o a todo momento.
  2. Bapresenta-se com uma postura muito contrária à modernidade, supervalorizando-a a todo momento.
  3. Cé indiferente às experiências do passado, tanto as suas quanto as de pessoas com quem convivia.
  4. Dmostra-se bastante saudosista, narrando fatos do passado predominantemente em primeira pessoa.
  5. Emostra-se bastante saudosista, narrando fatos do passado predominantemente em terceira pessoa.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — mostra-se bastante saudosista, narrando fatos do passado predominantemente em primeira pessoa.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Postura do Autor e Pessoa do Discurso

Gabarito: letra D. O autor mostra-se bastante saudosista, narrando fatos do passado predominantemente em primeira pessoa — como se lê no trecho: "eu precisava ir de casa em casa", "eu já começava a falar", "Ainda me lembro bem". A alternativa D é a única que combina as duas ideias centrais do texto: a nostalgia (saudosismo) e a predominância da 1ª pessoa (o "eu" que narra suas memórias).

O comando pede uma afirmação correta sobre o autor — ou seja, uma compreensão global do texto, que envolve tanto o tema (o passado sem internet) quanto a postura do narrador. Não se trata de localizar uma informação pontual, mas de inferir a atitude do autor a partir de pistas textuais. A banca mistura dois critérios: o tom (saudosista, contrário, indiferente) e a pessoa do discurso (1ª ou 3ª pessoa).

O texto é uma crônica memorialista: o narrador relembra, com certo afeto, como era compartilhar ideias antes da internet. O saudosismo aparece em expressões como "os antigos chamavam de 'conversa'" e na descrição detalhada de um tempo que já não existe. A predominância da 1ª pessoa é evidente desde o início: "eu precisava ir de casa em casa", "eu já começava a falar", "Ainda me lembro bem". Mesmo quando fala de outras pessoas, o narrador as insere em sua própria experiência: "os meus amigos gostaram tanto de uma coisa que eu havia acabado de falar".

A técnica para resolver: teste cada alternativa perguntando se o texto autoriza a afirmação. As alternativas A, B e C atribuem ao autor posturas (contrariedade, indiferença) que não estão no texto — são extrapolações. A alternativa E acerta no saudosismo, mas erra na pessoa do discurso: o texto é narrado em 1ª pessoa, não em 3ª. A única que sustenta integralmente é a D.

Postura do autor
  • 1Saudosista (nostalgia)
    • Narra com afeto o passado
    • Lamento ("Devo confessar...")
  • 2Pessoa do discurso
    • Predomina 1ª pessoa ("eu")
      • "eu precisava ir de casa em casa"
      • "Ainda me lembro bem"
    • 3ª pessoa é só referência a outros
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A afirmação de que o autor "apresenta-se com uma postura muito contrária ao passado, desprezando-o a todo momento" contradiz o texto. O autor não despreza o passado; ao contrário, narra com nostalgia e até com certo humor as situações vividas. Não há nenhuma palavra de desprezo ou crítica ao passado. A alternativa extrapola ao inventar uma postura negativa que não existe.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Dizer que o autor é "contrário à modernidade, supervalorizando-a" é um duplo erro: o texto não critica a modernidade (apenas compara o passado com o presente de forma implícita) e não "supervaloriza" nada. A palavra "supervalorizando" é uma extrapolação — o autor não emite juízo de valor sobre a modernidade. Além disso, a alternativa inverte a lógica: se houvesse valorização, seria do passado, não da modernidade.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirmar que o autor é "indiferente às experiências do passado" contradiz o texto. O autor demonstra envolvimento emocional com as memórias: "Devo confessar que bem mais comum era a pessoa ouvir apenas o início do meu comentário e imediatamente me deixar de lado" — há até um tom de lamento. Indiferença é o oposto do que se percebe. A alternativa extrapola ao atribuir uma postura neutra que não se sustenta.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa D é a única inteiramente sustentada pelo texto. O saudosismo é perceptível na forma como o autor relembra com afeto as interações do passado, como em "os antigos chamavam de 'conversa'" e na descrição detalhada das fotos e das visitas. A predominância da 1ª pessoa é clara: "eu precisava ir de casa em casa", "eu já começava a falar", "Ainda me lembro bem". O texto é uma narrativa em 1ª pessoa, com o "eu" como protagonista das memórias.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E acerta no saudosismo, mas erra na pessoa do discurso. O texto é narrado predominantemente em 1ª pessoa, não em 3ª. A banca tenta confundir o candidato com a menção a outras pessoas ("a pessoa", "os meus amigos"), mas o narrador é sempre o "eu". A alternativa troca o referente da narração: o foco está no "eu", não no "ele".

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre 1ª e 3ª pessoa. O texto menciona outras pessoas, mas quem narra é o "eu". Desconfie de alternativas que trocam a pessoa do discurso.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar a postura do autor, procure marcas de subjetividade (verbos em 1ª pessoa, adjetivos avaliativos, expressões de sentimento). E lembre: "predominantemente" não significa "sempre" — basta que a maioria das passagens seja em 1ª pessoa.

Gabarito: letra D — a única que une o tom saudosista à narração em primeira pessoa, como o texto comprova.

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