Questão de Português — Interpretação de Textos — Avança SP 2026
Português›Interpretação de Textos
Código
qg649161
Banca
Avança SP
Órgão
GAMA
Ano
2026
Nível
Médio
Cargo
Técnico de Contabilidade
Leia o texto a seguir para responder a questão.
Crônica do pão e da tradição
Não era apenas o fato dele ser o melhor
pão do mundo, era o pão da minha avó. E não era
só o pão, era todo o mistério em torno dele que
me intrigava quando criança. Ela me contava
histórias desde o cultivo do trigo à descoberta da
fermentação, sobre como os primeiros pães eram
trabalhados, moldados e assados. Uma aula sobre
a fabulosa e milenar tríade base: farinha de trigo,
água
e
sal.
Os densos pães de minha avó refletiam um tanto
de sua personalidade, tão cheios de segredos e
truques que só ela parecia saber. O universo se
abria dentro de sua cozinha quando eu a
observava se deleitar dentre os pães. Com
movimentos certeiros minha avó sovava as
massas elásticas, acrescentava em alguns pães
gordura, em outros especiarias inusitadas. (...)
Com uma umidade ideal, algumas tardes
se faziam mais especiais que as outras. Minha
avó as comemorava, religiosamente, indo para a
cozinha quando o clima estava a seu favor. Ela,
em seu pequeno forno a lenha, trabalhava
incessantemente para que a temperatura e a
umidade fossem ideais para seus pães, e
explicava a mim a importância desses dois
elementos ao se assar um bom pão.
Ela, perfeccionista, dizia que o seu
cuidado era em respeito às leveduras. Brincava
me dizendo que toda vez que colocava a massa
para descansar, as leveduras trabalhariam por ela,
que, por sua vez, descansaria. “Pão é vida, minha
neta!”. E também era, notoriamente, um dos
motivos que deixava a minha avó tão viva.
Sua bisneta nasceu. Tentei ensinar a
minha filha, com muita responsabilidade, tudo o
que minha avó havia me ensinado. Minha filha,
com nojo da elasticidade da massa, intrigada ao
saber que as leveduras eram organismos vivos e
com dor nos braços de tanto sovar as massas, de
forma muito espontânea, me questionou: “Mãe,
não é mais fácil comprar?”.
Naquele momento me senti frustrada em
todos os sentidos, mas principalmente como mãe, não conseguindo despertar em minha filha toda a
curiosidade que minha avó, com tanta sabedoria,
me despertou. Tudo nela e na forma com que ela
fazia seus pães era fascinante para a criança que
fui. O tempo é outro! Mas, como se fosse hoje, o
aroma dos pães de minha avó assombra as
minhas narinas tão saudosas.
NOCE, Dani. Crônica do pão e da tradição. Gastronomia
literária .
Disponível
em <https://www.daninoce.com.br/gastronomia/gas
tronomia-literaria-ickfd/cronica-do-pao-e-da
tradicao/>. .
Em relação ao texto “Crônica do pão e da tradição”, é correto afirmar que a autora:
Aapresenta ideias com base em sua própria experiência pessoal.
Bapresenta ideias com base na experiência pessoal de uma amiga.
Cdescreve as influências que a levaram a ser vendedora de pães.
Dexige categoricamente que sua filha faça pães tão bem quanto a sua avó.
Enão prestou nenhuma atenção nas receitas de sua avó.
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GabaritoA — apresenta ideias com base em sua própria experiência pessoal.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Crônica do pão e da tradição — Compreensão de Texto
Gabarito: letra A. A autora apresenta ideias com base em sua própria experiência pessoal, pois o texto é narrado em primeira pessoa e relata memórias da infância, a relação com a avó e a tentativa de ensinar a própria filha. A passagem que ancora essa leitura está logo no início: "Não era apenas o fato dele ser o melhor pão do mundo, era o pão da minha avó" — e se confirma no trecho em que ela diz "Tentei ensinar a minha filha, com muita responsabilidade, tudo o que minha avó havia me ensinado". Tudo o que a autora afirma é vivido por ela mesma, não por terceiros.
O comando da questão
O enunciado pede que se identifique uma afirmação correta sobre o texto — ou seja, uma compreensão (informação explícita ou diretamente decorrente do que está escrito), não uma inferência profunda. A tarefa é localizar, entre as alternativas, aquela que parafraseia fielmente o que o texto diz, sem acrescentar nada de fora. Por isso, o método é: para cada alternativa, pergunte "onde o texto autoriza isto?" — se não houver passagem que sustente, a alternativa está errada.
O texto: tema, tese e movimento argumentativo
O texto é uma crônica narrativa em primeira pessoa: a autora relembra a avó, o pão que ela fazia, o mistério e as histórias em torno da receita, e o contraste com a filha, que prefere comprar pão a fazê-lo. O eixo é a memória afetiva e a transmissão de uma tradição familiar. A autora não defende uma tese abstrata; ela relata experiências vividas — da infância à maternidade. Isso é decisivo: a alternativa correta precisa refletir esse caráter pessoal e memorialístico.
A técnica que decide
A alternativa A é a única que não extrapola o texto. Veja como cada uma falha:
B inventa uma "amiga" — o texto fala de avó, filha e neta, nunca de amiga. É extrapolação (informação de fora).
C afirma que a autora virou vendedora de pães — o texto não diz isso em nenhum momento. É extrapolação com um fato que parece plausível, mas não está no texto.
D diz que ela "exige categoricamente" que a filha faça pães — o texto mostra apenas que ela tentou ensinar e se frustrou; não há exigência. É contradizer o texto (troca "tentou" por "exigiu").
E afirma que ela "não prestou atenção nas receitas" — o texto mostra o oposto: ela observava a avó, ouvia as histórias e depois tentou repassar tudo. É contradizer o texto.
A correta, A, é uma paráfrase do que o texto inteiro demonstra: a autora fala de si, de suas memórias e de sua experiência.
Compreensão de texto
1Método
Localizar passagem que sustente
Paráfrase fiel, sem acrescentar
2Erros típicos das distratoras
Extrapolação (inventa dado fora do texto)
Contradição (inverte o sentido)
3Pistas da experiência pessoal
1ª pessoa: "eu", "minha", "me"
Verbos de memória: "observava", "contava"
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O texto é narrado em primeira pessoa e repleto de marcas de experiência pessoal: "Ela me contava histórias", "quando eu a observava", "Tentei ensinar a minha filha". A autora não relata a experiência de outra pessoa; ela é a protagonista da narrativa. A alternativa A apenas reescreve essa característica central do texto, sem acrescentar nada. É a única que se sustenta integralmente.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. O texto não menciona nenhuma amiga. A autora fala da avó, da filha e de si mesma. A alternativa inventa uma figura que não existe no texto para tentar confundir quem leu rápido. Não há passagem que autorize "experiência pessoal de uma amiga".
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. O texto fala de pão, tradição e memória, mas não diz que a autora se tornou vendedora de pães. Essa informação é completamente alheia ao texto. A banca aposta no fato de o tema ser "pão" para induzir a uma associação falsa. Nenhuma passagem sustenta essa afirmação.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. O texto diz que a autora "tentou ensinar" a filha e que se sentiu frustrada por não despertar nela a mesma curiosidade. Não há exigência categórica — pelo contrário, há uma aceitação da diferença de gerações ("O tempo é outro!"). A alternativa troca o verbo "tentar" por "exigir", invertendo o sentido.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. O texto mostra a autora atenta às receitas da avó: ela observava os movimentos, ouvia as histórias sobre fermentação e depois tentou reproduzir tudo. A alternativa afirma exatamente o oposto. Basta reler o trecho "Tentei ensinar a minha filha, com muita responsabilidade, tudo o que minha avó havia me ensinado" para ver a contradição.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a extrapolação (alternativas B e C) e a contradição (D e E). A alternativa C é a mais perigosa: parece plausível porque o texto fala de pão, mas a autora nunca diz que vende pães. Sempre confira se a informação está no texto, não se ela "faz sentido".
PEGA ESSA DICA!
Em questões de compreensão, grife os pronomes e verbos em primeira pessoa ("eu", "minha", "me") — eles são a pista de que o texto é uma experiência pessoal. E desconfie de palavras absolutas como "categoricamente", "exige", "não prestou nenhuma atenção": elas quase sempre exageram ou invertem o que o texto diz.
Gabarito: letra A — a única alternativa que se limita a parafrasear o que o texto realmente afirma, sem extrapolar ou contradizer.