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Questão de Português — Interpretação de Textos — Avança SP 2026

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
qg649201
Banca
Avança SP
Órgão
GAMA
Ano
2026
Nível
Médio
Cargo
Técnico de Segurança do Trabalho
Leia o texto a seguir para responder a questão. 


Nem tudo são flores


        Quando levo meu cachorrinho para passear, meus olhos vão descobrindo alguns terraços cheios de flores, janelas com cortinas de crochê e bebedouros para os bem-te-vis. Um encanto! E cada dia que faço este passeio parece que esses terraços são mais e mais festivos, e que existem pessoas muito felizes naqueles lares. O sol, as flores, os bem-te-vis... Naturalmente penso, imagino e fantasio a vida de cada um daqueles recantos vistos com alegria de quem apenas passa.

        O que estarão fazendo os habitantes daquelas casas e apartamentos? Serão realmente felizes? É difícil imaginar que por detrás daqueles jardins encantados possa existir alguém triste, solitário e com uma montanha de problemas. Mas existem; as flores e os bem-te-vis camuflam a realidade que se imagina no seu interior.

     Mas gosto de ver, são momentos de ilusão, uma vez que me afasta da violência da cidade, das encrencas entre as pessoas – em parte civilizadas –, e me permite pensar que a vida se apresenta sempre maravilhosa. Deve ser o poder das flores! (...)

         Mas aquela imagem me levou a pensar em outra coisa: será que as pessoas não se tornam ídolos justamente porque são inacessíveis?

     Fico curiosa com biografias de grandes nomes e tenho interesse pelos aspectos ocultos de grandes vultos, de cientistas e pensadores que fizeram a história da humanidade. Os ídolos nunca são nossos iguais: precisam ficar no patamar da nossa admiração, protegidos da curiosidade humana, envoltos num mistério que nos fascina. No momento que se desnudam aos nossos olhos, a coisa muda.

         Por isso, não gostaria de adentrar nos terraços da minha rua; poderei olhar as flores, os bem-te-vis e pensar, por momentos, que o caminho que tracei para passear com meu cachorro é um percurso lindo, alegre que alimenta meus sonhos num mundo imaginário. Depois volto à realidade, pronta para levar o dia, com seu lado hilário e outro mais sério; afinal, nem tudo são flores. Mas se quero um pouco de fantasia, penso que preciso manter a distância das flores, dos terraços e até dos bem-te-vis que estão pelos caminhos da minha rua. Olhá-los de longe... É um presente para minha imaginação... Não me revelam o que pode estar por trás.



CARVALHO, Tais Luso de. Nem tudo são flores. Porto das crônicas. Disponível em <https://taisluso.blogspot.com/2009/06/o-poder-das-flores.html>.  

Em relação ao texto “Nem tudo são flores”, é correto afirmar que a autora:
  1. Adesenvolve ideias com base na experiência pessoal de alguém conhecido.
  2. Bdesenvolve ideias com base em sua própria experiência pessoal.
  3. Cnão tem nenhum ídolo, nenhuma pessoa que possa admirar.
  4. Dé contra a ideia de pessoas admirarem ídolos.
  5. Efica alheia aos elementos da natureza ao seu redor.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — desenvolve ideias com base em sua própria experiência pessoal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A Base Experiencial do Texto

Gabarito: letra B. A autora desenvolve suas ideias com base em sua própria experiência pessoal, como se comprova pelo uso da primeira pessoa e pela descrição de um passeio com seu cachorro. O texto é uma crônica em que a narradora relata o que vê e sente durante esse passeio, refletindo sobre a vida alheia e sobre os ídolos. A passagem que ancora essa leitura é o trecho inicial: "Quando levo meu cachorrinho para passear, meus olhos vão descobrindo alguns terraços cheios de flores..." — a experiência é da própria autora, não de terceiros.

O comando pede uma afirmação correta sobre o texto, ou seja, uma compreensão (informação explícita ou diretamente depreensível). Não se trata de inferência nem de reescritura: basta localizar a base da narrativa. A alternativa correta deve ser uma paráfrase fiel do que está escrito, sem acrescentar nada de fora.

O texto é uma crônica em primeira pessoa. A autora narra um passeio com seu cachorro, observa terraços floridos, imagina a vida dos moradores, reflete sobre a felicidade e a solidão, e depois compara essa "ilusão" com a inacessibilidade dos ídolos. Tudo isso parte de sua própria vivência: ela é quem passeia, quem observa, quem fantasia. Não há qualquer menção a outra pessoa cuja experiência seja relatada.

A técnica para resolver é simples: localize o sujeito da experiência. Pergunte: "quem viveu isso?" A resposta está nos verbos em primeira pessoa: "levo", "descubro", "penso", "imagino", "gosto", "quero". A alternativa B é a única que capta exatamente isso. As demais ou extrapolam (A, C, D) ou contradizem o texto (E).

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir com a alternativa A, que diz "experiência pessoal de alguém conhecido" — mas o texto não menciona nenhuma outra pessoa; a experiência é da própria autora. Cuidado com a troca sutil de "própria" por "alguém conhecido".

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a autora desenvolve ideias com base na experiência pessoal de alguém conhecido. O texto, porém, é narrado em primeira pessoa do singular: "Quando levo meu cachorrinho para passear", "meus olhos vão descobrindo", "penso, imagino e fantasio". Não há nenhuma referência a outra pessoa cuja experiência seja relatada. A alternativa extrapola ao introduzir um elemento ("alguém conhecido") que não existe no texto.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa B é uma paráfrase fiel do texto. A autora narra em primeira pessoa: "Quando levo meu cachorrinho para passear", "meus olhos vão descobrindo", "penso, imagino e fantasio". Toda a reflexão parte de sua própria experiência de passear e observar os terraços. Não há dúvida: a base é a experiência pessoal da autora.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a autora "não tem nenhum ídolo, nenhuma pessoa que possa admirar". O texto, porém, diz o contrário: "Fico curiosa com biografias de grandes nomes e tenho interesse pelos aspectos ocultos de grandes vultos, de cientistas e pensadores que fizeram a história da humanidade". Ela demonstra admiração e curiosidade por ídolos. A alternativa contradiz o texto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a autora é contra a ideia de pessoas admirarem ídolos. O texto não expressa isso. Ela apenas reflete sobre a natureza dos ídolos: "será que as pessoas não se tornam ídolos justamente porque são inacessíveis?" — é uma reflexão, não uma condenação. A alternativa extrapola ao atribuir uma posição contrária que não está no texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a autora "fica alheia aos elementos da natureza ao seu redor". O texto mostra o oposto: ela observa "terraços cheios de flores", "bebedouros para os bem-te-vis", "o sol, as flores, os bem-te-vis". Ela está atenta à natureza, não alheia. A alternativa contradiz o texto.

Conclusão: a única alternativa inteiramente sustentada pelo texto é a B, pois a autora narra em primeira pessoa sua própria experiência de passear e observar. As demais ou extrapolam (A, D) ou contradizem o texto (C, E).

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, grife os verbos em primeira pessoa — eles indicam quem vive a experiência. Se a alternativa trocar "própria" por "alguém conhecido", desconfie: é extrapolação.

Gabarito: letra B

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