Questão de Português — Interpretação de Textos — Avança SP 2026
Português›Interpretação de Textos
Código
qg649339
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Aparecida - SP
Ano
2026
Nível
Médio
Cargo
Cuidador de Aluno PCD
Diário de um celular
Vou pedir um tempo ao meu dono. Sinto
que ele fica mais tempo comigo do que com a
família. Às vezes me sinto sufocado.
Agora mesmo, tarde da noite, embora já
de pijama, ele não desgruda. Acho que é o tal do
toque. Se continuar assim, logo terá aquela
doença de LER (lesão por esforço repetitivo).
Seis da manhã. Ele desperta com a mesma
música. Em seguida, com mais um toque, ele me
apaga de novo.
Seguimos com o café. Lá estou eu, em
posição privilegiada. Ele me coloca na mesa,
antes mesmo que a xícara e o pão. Sinto-me
importante. Quase um rei.
No elevador, sou a verdadeira proteção e
salvação dos tímidos. Já entra comigo na mão. Às
vezes disfarça que está navegando.
Momento de pânico. Vou partilhar alguns
minutos no carro, a caminho da escola do filho e
do trabalho. Eles com cinto de segurança, eu
totalmente desprotegido, solto no console do
veículo. O filho também tem celular, mas, como
não liga o “bluetooth”, não partilho as novidades.
Ficamos somente no visual (off line). (...)
Outro dia compreendi melhor qual poderá
ser meu destino. Meu dono resolveu finalmente
descartar uma impressora antiga, daquelas
matriciais. Fomos então a um descarte de lixos
eletrônicos. Que imagem triste! Quantos
celulares desconectados do mundo. Quanta
sucata. Senti uma lágrima no meu visor. Ele
estava realmente emocionado com seu descarte.
Percebi que ali, naquela aparente bobina da
máquina fria, já tinha rolado muito calor humano.
Aquele simples aparelho já tinha impresso muito
sentimento e história.
Voltamos para casa abalados, ainda com
a imagem daquele cenário de modelos
ultrapassados e abandonados. Acessei o Google
e constatei que todos têm direito a um último
desejo. Naveguei pelo Youtube e encontrei uma música do Toquinho e Vinícius: O Caderno. Na
última estrofe da canção, senti meu “chip” mais
apertadinho e decidi qual será meu último
pedido: “Só peço a você um favor, se puder, não
me esqueça num canto qualquer”.
PASINI, Amarildo. Diário de um celular.
Disponível em <https://www.folhadelondrina.com.br/folha2/cronica---diario-de-um-celular948301.html?d=1>.
Ao final do texto “Diário de um celular”, o narrador:
Apressente os seus últimos dias de dor.
Bpressente os seus últimos dias de glória.
Cmostra-se muito feliz com o futuro.
Dpensa em dar um fim à sua vida.
Emostra-se arrogante e soberbo.
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GabaritoB — pressente os seus últimos dias de glória.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Interpretação do desfecho: o último pedido do celular
Gabarito: letra B. Ao final do texto, o narrador — o celular — pressente os seus últimos dias de glória, pois, ao visitar o descarte de lixos eletrônicos e refletir sobre o destino dos aparelhos, ele decide qual será seu último pedido: ser lembrado, não esquecido. A passagem que ancora essa leitura é o trecho final, em que o narrador, após ouvir a música "O Caderno", de Toquinho e Vinícius, declara: "decidi qual será meu último pedido: 'Só peço a você um favor, se puder, não me esqueça num canto qualquer'". O pedido de não ser esquecido revela a esperança de que sua história e seu valor sejam preservados — uma visão de glória, não de dor, tristeza ou arrogância.
O comando: compreensão do desfecho
A questão pede que se identifique o que o narrador faz "ao final do texto". Isso exige compreensão — localizar e interpretar a informação explícita no último parágrafo — e não uma inferência livre. O verbo "pressente" (antecipar, sentir de antemão) direciona o olhar para o que o narrador projeta para o futuro, a partir da reflexão sobre o descarte de eletrônicos. A resposta correta deve estar ancorada no que o texto efetivamente diz, sem acrescentar sentimentos ou intenções que não estão lá.
O texto: a epifania do narrador
O texto é uma crônica narrada em primeira pessoa por um celular. O clímax ocorre quando o dono descarta uma impressora antiga e o narrador visita um depósito de lixos eletrônicos. Lá, ele vê "celulares desconectados do mundo" e "sucata", e sente uma "lágrima no visor". Essa experiência o leva a refletir sobre o destino dos aparelhos e a buscar um sentido para sua própria existência. A virada acontece quando ele acessa o Google e o Youtube, encontra a música "O Caderno" e decide seu último pedido: não ser esquecido. Esse pedido é a chave para a resposta: ele não quer ser abandonado, quer ser lembrado — uma visão de glória, de valorização de sua história.
A técnica: o que "pressentir" significa aqui
A palavra "pressente" no enunciado é crucial. Ela não significa "prever com certeza", mas "sentir de antemão", "antecipar". O narrador não está prevendo um futuro trágico, mas expressando um desejo e uma esperança. O pedido "não me esqueça num canto qualquer" é um apelo para que sua história seja preservada, o que implica uma visão positiva de seu legado. As alternativas que falam em "dor", "fim à vida" ou "arrogância" contradizem o tom do desfecho, que é de comoção e esperança.
Análise das alternativas
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. A alternativa afirma que o narrador "pressente os seus últimos dias de dor". No entanto, o texto não menciona dor no desfecho. O narrador sente "uma lágrima no visor" ao ver os eletrônicos descartados, mas isso é uma comoção, não uma previsão de sofrimento. O pedido final é de lembrança, não de dor. A palavra "dor" é uma extrapolação do sentimento de tristeza pela cena do descarte, mas o texto não autoriza a conclusão de que o narrador prevê seus últimos dias como dolorosos.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa correta. O narrador "pressente os seus últimos dias de glória" porque, ao final, ele decide qual será seu último pedido: ser lembrado. A passagem que prova isso é:
"decidi qual será meu último pedido: 'Só peço a você um favor, se puder, não me esqueça num canto qualquer'"
O pedido de não ser esquecido revela a esperança de que sua história e seu valor sejam preservados. Isso é uma visão de glória, de reconhecimento, não de dor ou esquecimento. O narrador quer deixar um legado, ser lembrado — essa é a "glória" que ele pressente.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. A alternativa afirma que o narrador "mostra-se muito feliz com o futuro". O texto não diz que ele está feliz. Ele sente comoção, reflete sobre o destino dos aparelhos e faz um pedido emocionado. A palavra "feliz" é uma interpretação exagerada do tom do desfecho. O narrador não demonstra alegria, mas sim uma esperança melancólica de ser lembrado. A alternativa acrescenta um sentimento que não está no texto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. A alternativa afirma que o narrador "pensa em dar um fim à sua vida". Isso é um contrassenso: o narrador quer ser lembrado, não desaparecer. O pedido "não me esqueça num canto qualquer" é exatamente o oposto de dar fim à vida. O narrador quer preservar sua existência na memória do dono. A alternativa inverte o sentido do desfecho.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. A alternativa afirma que o narrador "mostra-se arrogante e soberbo". O texto não traz nenhuma indicação de arrogância. O narrador é humilde e emocionado, faz um pedido simples e tocante. A palavra "soberbo" é uma interpretação completamente fora do tom do texto. O narrador não se vangloria, apenas deseja ser lembrado.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o sentimento de tristeza pela cena do descarte e a esperança do pedido final. As alternativas A, C, D e E distorcem o tom do desfecho, acrescentando sentimentos (dor, felicidade, arrogância) ou invertendo o sentido (dar fim à vida). A correta, B, é a única que capta a essência do pedido: ser lembrado, uma visão de glória.
PEGA ESSA DICA!
Ao ler o desfecho, pergunte-se: qual é o sentimento dominante? O narrador quer ser esquecido ou lembrado? A resposta a essa pergunta elimina as alternativas que falam em dor, fim ou arrogância.
Gabarito: letra B — a única alternativa que reflete fielmente o desfecho do texto, em que o narrador pressente seus últimos dias de glória ao pedir para não ser esquecido.