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Questão de Português — Funções morfossintáticas da palavra QUE — Avança SP 2026

PortuguêsFunções morfossintáticas da palavra QUE
Código
qg649874
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Cabreúva - SP
Ano
2026
Nível
Médio
Cargo
Assistente de Desenvolvimento Educacional

Leia o texto a seguir para responder à questão.


Crônicas de uma infância


    Eu já fiz uma coleção de pedras. Parece um pouco idiota, eu sei, mas quem não teve suas fases? (o que não exclui, de maneira alguma, a possibilidade, e até a certeza, de que possa estar sendo tolo nesse exato momento, mas a tendência é percebermos posteriormente).


    Para minha coleção, pegava todas as pedrinhas e pedregulhos que encontrava pelo caminho. Muitas eram bem parecidas, cinzas, restos de calçadas e de asfalto. Um ou outro torrão de terra mais enrijecido acabava passando pela coleção também. Não sei se é pela modificação da paisagem urbana ou pela mudança da paisagem da minha memória, mas a sensação que tenho é a de que tínhamos mais praças, árvores e calçadas de terra naquela época. (...)


    Até que um dia, caminhando pela calçada, encontrei uma pedra linda! Ela era verde, brilhante, levemente translúcida, encantadora.


    Peguei-a rapidamente, quase como que a escondendo de outro passante, como se fosse desejada por outras pessoas e eu um privilegiado por achá-la primeiro. Guardei-a junto das outras, inicialmente, mas ela era tão linda que eu não suportava o fato de apenas tê-la guardada; comecei a abrir a gaveta e brincar com ela constantemente. Colocava na palma, virava-a, admirava-a de todos os ângulos, girando nas mãos. Era o item raro da minha coleção.


    Pouco tempo depois, quando percebi, eu estava com uma coceira estranha nos dedos, quase uma dor.


    Quando reparei com cuidado, estava com a mão toda cortada. A minha pedra mais linda não era uma pedra, era um caco de vidro, talvez de uma garrafa esquecida que teve uma noite incrível e foi atirada longe em algum momento ou algo tipo. Linda e perigosa...


    Decidi acabar com minha coleção de pedra depois disso...


    E passei a ter mais cuidado com aquilo que me encanta os olhos. Sem saber, aquilo pode te ferir... Às vezes, tão profundamente que pode ser tarde demais.


SIMONE, Renan de. Crônicas de uma infância. Disponível em <https://renandesimone.com/2025/11/28/cronicas-de-uma-infancia/>.

“ela era tão linda que eu não suportava o fato de apenas tê-la guardada”


A palavra destacada no período acima introduz uma oração com o sentido de:

  1. Acausa.
  2. Badição.
  3. Ctempo.
  4. Dfinalidade.
  5. Econsequência.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — consequência.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Oração Subordinada Adverbial Consecutiva: "tão... que"

Gabarito: letra E. No trecho "ela era tão linda que eu não suportava o fato de apenas tê-la guardada", a palavra que introduz uma oração subordinada adverbial consecutiva, pois expressa a consequência do grau de intensidade indicado pelo advérbio "tão". A estrutura "tão... que" é a marca clássica da oração consecutiva: o primeiro termo estabelece uma intensidade, e o segundo apresenta o efeito dela.

"ela era tão linda que eu não suportava o fato de apenas tê-la guardada"

A oração "que eu não suportava..." é a consequência de a pedra ser tão linda. Não é causa, adição, tempo nem finalidade — é o resultado direto da intensidade expressa por "tão".

O que o comando pede

A questão pergunta qual o sentido da oração introduzida por "que". Isso é uma questão de classificação da oração subordinada adverbial — não de interpretação de texto, mas de gramática aplicada ao trecho. O verbo "introduz" indica que devemos identificar a relação lógica que o conectivo estabelece entre as orações.

A técnica: reconhecer a estrutura "tão... que"

A oração subordinada adverbial consecutiva é introduzida por conjunções como "que" (precedido de "tão", "tanto", "tal", "tamanho") ou locuções como "de modo que", "de forma que". A ideia é sempre de efeito, resultado.

  • Estrutura: [oração principal com intensificador] + que + [oração que expressa a consequência]

  • Exemplo: "Falou tão alto que acordou o bebê." → a consequência de falar alto foi acordar o bebê.

No trecho da questão, a oração principal é "ela era tão linda" (com o intensificador "tão") e a subordinada é "que eu não suportava o fato de apenas tê-la guardada" — o efeito de tanta beleza foi a incapacidade de deixá-la guardada.

Por que não é causa?

A pegadinha clássica é confundir causa com consequência. Na oração causal, o conectivo ("porque", "como", "já que") introduz o motivo da ação principal. Na consecutiva, o conectivo introduz o resultado.

  • Causal: "Não fui à festa porque estava doente." → estar doente é a causa de não ir.

  • Consecutiva: "Estava tão doente que não fui à festa." → não ir é a consequência de estar doente.

No trecho, a beleza da pedra (expressa por "tão linda") é a causa; a oração introduzida por "que" é a consequência. A banca tenta fazer o candidato inverter essa relação.

Análise das alternativas

  1. 1Ache o intensificador (tão, tanto, tal)
  2. 2O 'que' vem logo depois
  3. 3Pergunte: qual é o efeito?
  4. 4Se responde, é consecutiva
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Causa. A oração introduzida por "que" não expressa o motivo de a pedra ser linda; expressa o efeito dessa beleza. A causa estaria em "ela era tão linda", não na oração subordinada. A banca explora a confusão entre causa e consequência.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Adição. A oração não acrescenta uma informação simplesmente somada à anterior; ela estabelece uma relação de dependência lógica (consequência). Conjunções aditivas seriam "e", "nem", "mas também".

Alternativa C — ❌ Incorreta

Tempo. Não há qualquer noção temporal. Conjunções temporais seriam "quando", "enquanto", "logo que". A oração não indica quando algo ocorreu.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Finalidade. A oração não expressa propósito ou intenção. Conjunções finais seriam "para que", "a fim de que". O trecho não diz "para que eu não suportasse"; diz "que eu não suportava" — resultado, não objetivo.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Consequência. A estrutura "tão... que" é a marca da oração subordinada adverbial consecutiva. A oração "que eu não suportava o fato de apenas tê-la guardada" é o efeito de a pedra ser tão linda. É a única alternativa que nomeia corretamente a relação.

Conclusão

A questão testa o reconhecimento da oração consecutiva. A dica de ouro: quando aparecer "tão... que", "tanto... que", "tal... que", a oração introduzida por "que" é consecutiva — expressa a consequência. Não confunda com causa: a causa está na oração principal, a consequência na subordinada.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar orações com "que" após intensificadores (tão, tanto, tal), pergunte: "qual é o efeito?" Se a oração responde a essa pergunta, é consecutiva.

Gabarito: letra E

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