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Questão de Português — Interpretação de Textos — Avança SP 2026

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
qg649876
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Cabreúva - SP
Ano
2026
Nível
Médio
Cargo
Assistente de Desenvolvimento Educacional

Leia o texto a seguir para responder à questão.


Crônicas de uma infância


    Eu já fiz uma coleção de pedras. Parece um pouco idiota, eu sei, mas quem não teve suas fases? (o que não exclui, de maneira alguma, a possibilidade, e até a certeza, de que possa estar sendo tolo nesse exato momento, mas a tendência é percebermos posteriormente).


    Para minha coleção, pegava todas as pedrinhas e pedregulhos que encontrava pelo caminho. Muitas eram bem parecidas, cinzas, restos de calçadas e de asfalto. Um ou outro torrão de terra mais enrijecido acabava passando pela coleção também. Não sei se é pela modificação da paisagem urbana ou pela mudança da paisagem da minha memória, mas a sensação que tenho é a de que tínhamos mais praças, árvores e calçadas de terra naquela época. (...)


    Até que um dia, caminhando pela calçada, encontrei uma pedra linda! Ela era verde, brilhante, levemente translúcida, encantadora.


    Peguei-a rapidamente, quase como que a escondendo de outro passante, como se fosse desejada por outras pessoas e eu um privilegiado por achá-la primeiro. Guardei-a junto das outras, inicialmente, mas ela era tão linda que eu não suportava o fato de apenas tê-la guardada; comecei a abrir a gaveta e brincar com ela constantemente. Colocava na palma, virava-a, admirava-a de todos os ângulos, girando nas mãos. Era o item raro da minha coleção.


    Pouco tempo depois, quando percebi, eu estava com uma coceira estranha nos dedos, quase uma dor.


    Quando reparei com cuidado, estava com a mão toda cortada. A minha pedra mais linda não era uma pedra, era um caco de vidro, talvez de uma garrafa esquecida que teve uma noite incrível e foi atirada longe em algum momento ou algo tipo. Linda e perigosa...


    Decidi acabar com minha coleção de pedra depois disso...


    E passei a ter mais cuidado com aquilo que me encanta os olhos. Sem saber, aquilo pode te ferir... Às vezes, tão profundamente que pode ser tarde demais.


SIMONE, Renan de. Crônicas de uma infância. Disponível em <https://renandesimone.com/2025/11/28/cronicas-de-uma-infancia/>.

Em relação ao narrador do texto “Crônicas de uma infância”, é correto afirmar que se trata de:
  1. Aalguém que conta cenas da sua própria vida, em primeira pessoa.
  2. Bum narrador em terceira pessoa onisciente.
  3. Cum personagem próximo do narrador, possivelmente um amigo, colega ou parente.
  4. Dum personagem distante do narrador, com quem este teve contato um dia.
  5. Evárias pessoas que contam as suas experiências de vida do passado.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — alguém que conta cenas da sua própria vida, em primeira pessoa.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Narrador em Primeira Pessoa

Gabarito: letra A. O narrador do texto é alguém que conta cenas da própria vida, em primeira pessoa — isso se prova pela predominância de verbos e pronomes de 1ª pessoa ao longo de toda a crônica, como se lê já no primeiro parágrafo: "Eu já fiz uma coleção de pedras" e "pegava todas as pedrinhas e pedregulhos que encontrava pelo caminho". A alternativa A é a única que descreve exatamente esse tipo de narrador: o narrador-personagem, que participa da história que conta.

O comando

A questão pede que você identifique quem narra e de que ponto de vista a história é contada. Isso é uma tarefa de compreensão (informação explícita no texto), não de inferência: basta observar as marcas linguísticas de pessoa — pronomes pessoais (eu, me, minha) e desinências verbais (fiz, pegava, encontrei, guardei). Não há nada nas entrelinhas para deduzir; a resposta está na superfície do texto.

O texto

A crônica é um relato em 1ª pessoa do singular: o narrador conta uma experiência pessoal — a coleção de pedras da infância e o episódio do caco de vidro que o feriu. Veja as marcas:

"Eu já fiz uma coleção de pedras." "Peguei-a rapidamente, quase como que a escondendo de outro passante" "Guardei-a junto das outras" "comecei a abrir a gaveta e brincar com ela constantemente"

Todos os verbos estão em 1ª pessoa (fiz, pegava, encontrei, peguei, guardei, comecei) e há pronomes possessivos de 1ª pessoa (minha coleção, minha memória). Isso caracteriza o narrador-personagem: ele é, ao mesmo tempo, quem narra e quem vive os fatos.

A técnica que decide

Em textos narrativos, o foco narrativo pode ser:

  • 1ª pessoa (narrador-personagem): o narrador participa da história, conta o que viveu. Marcas: eu, me, minha, verbos em 1ª pessoa.

  • 3ª pessoa (narrador-observador): o narrador conta a história de fora, sem participar. Marcas: ele, ela, eles, verbos em 3ª pessoa.

  • 3ª pessoa onisciente: além de contar de fora, o narrador conhece os pensamentos e sentimentos de todos os personagens.

Aqui, a presença constante de "eu" e de verbos como "fiz", "peguei", "guardei" elimina qualquer dúvida: é 1ª pessoa. A alternativa A é a única que afirma isso.

Foco narrativo
  • 11ª pessoa (narrador-personagem)
    • Participa da história
    • Marcas: eu, me, minha, verbos em 1ª pessoa
  • 23ª pessoa (narrador-observador)
    • Conta de fora
    • Marcas: ele, ela, verbos em 3ª pessoa
  • 33ª pessoa onisciente
    • Conta de fora
    • Conhece pensamentos de todos
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que o narrador é "alguém que conta cenas da sua própria vida, em primeira pessoa". Isso é exatamente o que o texto mostra: o narrador relata suas memórias de infância, usando a 1ª pessoa do singular. A passagem "Eu já fiz uma coleção de pedras" é a prova direta. Não há nenhuma informação no texto que contrarie essa leitura.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que o narrador é em terceira pessoa onisciente. Isso contradiz o texto: o narrador não fala de "ele" ou "ela", mas de "eu". Além disso, ele não conhece os pensamentos de outros personagens — ele narra apenas sua própria experiência. Erro: contradiz o texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Diz que o narrador é "um personagem próximo do narrador, possivelmente um amigo, colega ou parente". Isso extrapola completamente: o texto não menciona nenhum amigo, colega ou parente. O narrador fala apenas de si mesmo. Erro: extrapolação — acrescenta informação que não está no texto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que o narrador é "um personagem distante do narrador, com quem este teve contato um dia". Além de ser contraditória (o narrador não pode ser distante de si mesmo), o texto não apresenta nenhum outro personagem com quem o narrador tenha tido contato. Erro: contradiz o texto e extrapola.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Diz que são "várias pessoas que contam as suas experiências de vida do passado". Isso contradiz o texto: há um único narrador, que usa "eu" do início ao fim. Não há mudança de voz narrativa. Erro: contradiz o texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir com tipos de narrador que não aparecem no texto (3ª pessoa, personagem secundário, múltiplos narradores). A chave é grifar os pronomes e verbos em 1ª pessoa — eles decidem a questão.

PEGA ESSA DICA!

Em questões sobre narrador, pergunte: "quem conta a história?" Se o texto usa "eu" e verbos em 1ª pessoa, é narrador-personagem. Se usa "ele/ela", é narrador-observador ou onisciente.

Gabarito: letra A — o narrador é personagem, conta a própria vida em primeira pessoa, como provam as marcas de 1ª pessoa em todo o texto.

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