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Questão de Português — Interpretação de Textos — Avança SP 2026

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
qg650298
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Estiva Gerbi - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Psicólogo

Leia o texto a seguir para responder à questão.



O imediatismo tóxico das redes sociais 



    Desconheço a pessoa que não possui ao menos uma rede social ativa. Raro também encontrar alguém que só tenha uma e que pouco a utiliza. Não há como negar as grandes vantagens das redes sociais nas nossas vidas. Encurtamos distâncias entre pessoas, nos mantemos informados sobre diversos assuntos, compartilhamos nossos sentimentos, etc. Poderia ficar linhas e linhas falando sobre as coisas boas das redes sociais no nosso cotidiano.


    Mas nem tudo são flores. A rede social também é local de desrespeito, ofensas, crimes, exposição e tudo aquilo que condenamos (e que, muitas vezes, fazemos sem perceber). Contudo, tudo isso que falei até agora não é novidade para ninguém. Vantagens, desvantagens... Ok. Muitas pessoas já abordam esses assuntos. Então, qual o ponto a que eu gostaria de chegar? 


    Estamos ficando cada vez mais imediatistas. Geramos uma autocobrança desnecessária, do tipo: preciso postar, preciso falar que estou bem, preciso compartilhar a minha vida boa, preciso sorrir sempre, preciso me mostrar, preciso ser melhor que o outro. E, pior, preciso fazer isso sempre e antes de todo mundo. (...)


    Troquei boa parte das minhas horas nas redes sociais pela leitura de livros. E isso foi maravilhoso. Não estou falando que a mudança de hábito foi rápida ou fácil. Na verdade, foi demorada e gradual. À noite, antes de dormir, por exemplo, eu passava mais ou menos uma hora zapeando no Twitter ou Instagram. Hoje, dedico essa hora à leitura de um bom romance. Resultado: minha escrita melhorou, naturalmente tenho mais conteúdo para compartilhar (...) e ainda tenho sonos muito mais regulares.


    Por fim, acredito que o primeiro passo deva ser um diagnóstico. Você deve se entender, se questionar. Após isso, pense o que mais você poderia fazer para não ficar tão refém de uma rede social. Acredite, essa mudança de hábito trará bons resultados para você.



LOUREIRO, Juliano. O imediatismo tóxico das redes sociais. Bingo! Disponível em <https://www.livrobingo.com.br/cronica-o-imediatismo-toxico-das-redes-sociais>.


A ideia geral defendida pelo autor no texto “O imediatismo tóxico das redes sociais” é que:
  1. Aas redes sociais devem ser abolidas da sociedade por serem tóxicas.
  2. Bas pessoas não devem ficar escravas das redes sociais.
  3. Cas pessoas devem passar mais tempo nas redes sociais.
  4. Dquem não lê é incapaz de entender com perfeição as redes sociais.
  5. Equem usa as redes sociais é incapaz de fazer uma leitura de um romance.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — as pessoas não devem ficar escravas das redes sociais.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A ideia central do texto: o alerta contra a escravidão digital

Gabarito: letra B. A tese defendida pelo autor é que as pessoas não devem ficar escravas das redes sociais — ideia que ele desenvolve ao longo de todo o texto e sintetiza no último parágrafo, ao afirmar que o leitor deve pensar em como "não ficar tão refém de uma rede social". A alternativa B é a única que captura essa tese sem exageros: o autor não pede a abolição das redes (A), não incentiva o uso (C) e não estabelece qualquer relação de incapacidade entre leitura e redes (D e E).

O comando pede a ideia geral defendida — ou seja, a tese do texto, não um detalhe nem uma inferência solta. Em textos dissertativo-argumentativos como este, a tese costuma aparecer na introdução ou na conclusão. Aqui, ela está explicitamente na conclusão:

"Após isso, pense o que mais você poderia fazer para não ficar tão refém de uma rede social."

A palavra "refém" é a chave: ela é sinônima de "escravo" no sentido figurado — alguém que perdeu a liberdade. O autor não diz que as redes devem ser eliminadas; pelo contrário, ele reconhece as "grandes vantagens" e apenas alerta contra o imediatismo tóxico e a autocobrança que elas geram. A tese, portanto, é um alerta contra a dependência, não um ataque radical.

A técnica para resolver: localize a tese (introdução/conclusão) e teste cada alternativa perguntando se o texto a autoriza integralmente. Alternativas que acrescentam informação de fora (extrapolação), que restringem o alcance com palavras absolutas ("devem ser abolidas", "incapaz") ou que invertem o sentido do texto são automaticamente eliminadas.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"as redes sociais devem ser abolidas da sociedade por serem tóxicas."

Erro: extrapolação. O autor jamais defende a abolição das redes. Pelo contrário, ele reconhece as vantagens:

"Não há como negar as grandes vantagens das redes sociais nas nossas vidas."

A palavra "abolidas" é um absoluto que o texto não sustenta. O autor critica o uso imediatista, não a existência das redes. A alternativa pega a crítica ao "imediatismo tóxico" e a leva a um extremo que o texto não autoriza.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"as pessoas não devem ficar escravas das redes sociais."

Paráfrase fiel da tese. O autor conclui orientando o leitor a "não ficar tão refém de uma rede social". "Refém" e "escravo" são sinônimos contextuais — ambos indicam perda de liberdade. A alternativa captura exatamente o alerta central: o problema não é a rede em si, mas a dependência que ela gera. Não há exagero nem restrição indevida: o texto critica a escravidão digital, e é isso que a B afirma.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"as pessoas devem passar mais tempo nas redes sociais."

Erro: contradiz o texto. O autor faz exatamente o oposto: ele reduziu o tempo nas redes e recomenda a mudança de hábito:

"Troquei boa parte das minhas horas nas redes sociais pela leitura de livros."

A alternativa inverte o sentido da recomendação. O texto é um alerta contra o excesso, não um incentivo ao uso.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"quem não lê é incapaz de entender com perfeição as redes sociais."

Erro: extrapolação + opinião embutida. O texto menciona a leitura como um hábito benéfico que o autor adotou, mas nunca estabelece que quem não lê é "incapaz" de entender as redes. A palavra "incapaz" é um absoluto que não tem base no texto. A alternativa cria uma relação de causa e efeito que o autor não afirma.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"quem usa as redes sociais é incapaz de fazer uma leitura de um romance."

Erro: contradiz o texto + generalização. O autor usa as redes sociais e romances — ele mesmo é o exemplo de que as duas coisas podem coexistir:

"Hoje, dedico essa hora à leitura de um bom romance."

A alternativa afirma uma incompatibilidade que o próprio texto desmente. Além disso, generaliza com "quem usa" — o texto fala de um caso particular, não de uma regra universal.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a extrapolação (A) e a contradição (C e E) para testar se o candidato lê a tese global ou se apega a fragmentos soltos. A palavra "tóxico" no título pode induzir à alternativa A, mas o texto é um alerta contra a dependência, não um pedido de abolição.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de "ideia geral", grife a conclusão — é lá que o autor costuma amarrar a tese. Aqui, a conclusão traz a palavra "refém", que é a chave para a alternativa B.

Gabarito: letra B. A tese do texto é o alerta contra a escravidão digital: o autor não quer abolir as redes, mas libertar o leitor da dependência delas. Teste cada alternativa perguntando: "o texto autoriza isto, ou exige acrescentar algo de fora?" — só a B sobrevive a esse teste.

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