Deficiência de Hormônio do Crescimento (DGH) na Infância
Gabarito: letra B. O quadro descrito — baixa estatura, velocidade de crescimento reduzida, IGF-1 baixo e pico de GH < 5 ng/mL em dois testes de estímulo distintos — é o padrão clássico de deficiência de hormônio do crescimento (DGH). O diagnóstico de DGH isolada exige exatamente dois testes provocativos com resposta inadequada, conforme os critérios diagnósticos de diretrizes de endocrinologia pediátrica.
A deficiência de GH (DGH) é uma condição em que a glândula hipófise não produz quantidade suficiente do hormônio do crescimento, resultando em baixa estatura e velocidade de crescimento reduzida na infância. O GH é um hormônio polipeptídico de 191 aminoácidos, sintetizado e secretado pelos somatotrofos da adeno-hipófise, e sua secreção é regulada por dois fatores hipotalâmicos: o GHRH (que estimula) e a somatostatina (que inibe). O GH, por sua vez, estimula a produção de IGF-1 (fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1) pelo fígado, que é o principal mediador do crescimento ósseo longitudinal.
O diagnóstico de DGH na infância é desafiador porque a secreção de GH é pulsátil, tornando uma dosagem aleatória inútil. Por isso, recorre-se aos testes de estímulo (como clonidina, insulina, glucagon), que avaliam a capacidade da hipófise de responder a um estímulo farmacológico. O ponto de corte clássico para DGH é um pico de GH < 5 ng/mL (ou < 3 ng/mL em casos graves). Para o diagnóstico de deficiência isolada de GH, são necessários dois testes de estímulo com resposta inadequada, como ocorre no caso da menina. Já na presença de lesão anatômica hipotálamo-hipofisária, radioterapia ou múltiplas deficiências hormonais, apenas um teste é suficiente.
O diagnóstico diferencial mais importante é com o atraso constitucional do crescimento e da puberdade (RCCP), uma variante normal do desenvolvimento em que a criança é pequena, mas tem crescimento compatível com a idade óssea e responde adequadamente ao estímulo com hormônios sexuais (priming). No RCCP, a secreção de GH é baixa, mas responde ao priming com estrogênio ou testosterona, o que não ocorre na DGH verdadeira. Outros diagnósticos diferenciais incluem hipotireoidismo, síndromes genéticas (como Turner), doenças crônicas e desnutrição.
A pegadinha desta questão está em reconhecer que o padrão de dois testes de estímulo com pico < 5 ng/mL é o critério diagnóstico de DGH, e não de outras condições que também cursam com baixa estatura. O atraso constitucional, por exemplo, pode ter IGF-1 baixo e até resposta subnormal ao estímulo, mas não preenche critérios diagnósticos de DGH com dois testes francamente alterados. Guarde a fronteira: DGH = dois testes de estímulo com pico < 5 ng/mL + IGF-1 baixo; RCCP = crescimento compatível com idade óssea + resposta ao priming.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O atraso constitucional do crescimento e da puberdade (RCCP) é uma variante normal do desenvolvimento, em que a criança tem baixa estatura, mas velocidade de crescimento compatível com a idade óssea e história familiar. No RCCP, a secreção de GH pode estar baixa, mas responde adequadamente ao priming com hormônios sexuais (estrogênio em meninas, testosterona em meninos), e o pico de GH em testes de estímulo costuma ser normal ou apenas discretamente reduzido. O padrão de dois testes de estímulo com pico < 5 ng/mL não é compatível com RCCP, que é um diagnóstico de exclusão e não preenche critérios de DGH.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A deficiência de hormônio do crescimento (DGH) é a condição que melhor explica o quadro: baixa estatura, velocidade de crescimento reduzida, IGF-1 baixo para a idade e pico de GH < 5 ng/mL em dois testes de estímulo distintos. Esse é exatamente o critério diagnóstico de DGH isolada, conforme as diretrizes de endocrinologia pediátrica. O IGF-1 baixo reflete a falta de estímulo do GH sobre o fígado, e os dois testes provocativos com resposta inadequada confirmam a deficiência.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O hipotireoidismo subclínico isolado é uma condição em que o TSH está elevado, mas os hormônios tireoidianos (T4 livre e T3) estão normais. Embora o hipotireoidismo possa causar baixa estatura e redução da velocidade de crescimento, ele não cursa com pico de GH < 5 ng/mL em dois testes de estímulo. Além disso, o hipotireoidismo subclínico isolado, por definição, não tem manifestações clínicas evidentes, e o IGF-1 geralmente está normal ou apenas discretamente reduzido. O padrão apresentado é de DGH, não de disfunção tireoidiana.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A resistência periférica à insulina é uma condição metabólica associada a obesidade, síndrome metabólica e diabetes tipo 2. Ela não causa baixa estatura nem velocidade de crescimento reduzida, e não cursa com IGF-1 baixo nem com pico de GH < 5 ng/mL em testes de estímulo. Na verdade, a resistência à insulina costuma estar associada a níveis normais ou elevados de IGF-1, e o crescimento geralmente é normal ou até acelerado. Essa alternativa é um distrator que foge completamente do contexto de baixa estatura.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O hipercortisolismo de origem iatrogênica (síndrome de Cushing por uso de glicocorticoides) pode causar baixa estatura e redução da velocidade de crescimento, mas o mecanismo é diferente: o excesso de cortisol inibe a secreção de GH e a ação do IGF-1, mas o padrão típico é de pico de GH normal ou discretamente reduzido, não necessariamente < 5 ng/mL em dois testes. Além disso, o hipercortisolismo cursa com outras manifestações clínicas (obesidade central, estrias, hipertensão, hiperglicemia) que não estão presentes no caso. O diagnóstico de DGH é mais compatível com o quadro isolado de baixa estatura e IGF-1 baixo.
Gabarito: letra B