Questão de Medicina — Endocrinologia — Avança SP 2026
Medicina›Endocrinologia
Código
qg654454
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Vinhedo - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Endocrinologista
No hipotireoidismo primário, a elevação do TSH precede a redução dos hormônios tireoidianos periféricos. O hipotireoidismo subclínico caracteriza-se por TSH elevado associado a níveis de T4 livre:
AReduzidos abaixo do limite inferior da normalidade.
BElevados acima do limite superior da normalidade.
CIndetectáveis por supressão completa da tireoide.
DNormais dentro da faixa de referência.
EFlutuantes com variação superior a 50% diariamente.
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GabaritoD — Normais dentro da faixa de referência.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Hipotireoidismo subclínico: TSH elevado com T4 livre normal
Gabarito: letra D. No hipotireoidismo subclínico, o TSH está elevado, mas os níveis de T4 livre permanecem dentro da faixa de referência — é exatamente essa combinação que define o quadro, distinguindo-o do hipotireoidismo clínico, em que o T4 livre está reduzido. Essa definição é consenso na endocrinologia e está expressa nas principais diretrizes da especialidade.
O hipotireoidismo é uma síndrome causada pela deficiência de hormônios tireoidianos (T4 e T3), que pode ter origem na própria glândula (hipotireoidismo primário) ou em disfunção da hipófise/hipotálamo (hipotireoidismo central). No hipotireoidismo primário, a glândula tireoide falha em produzir hormônios suficientes, e a hipófise responde aumentando a secreção de TSH — o hormônio que estimula a tireoide — numa tentativa de compensar a deficiência. Por isso, o TSH elevado é o marcador mais sensível e precoce da disfunção tireoidiana primária.
A classificação em clínico ou subclínico depende justamente dos níveis de T4 livre:
Característica
Hipotireoidismo clínico (franco)
Hipotireoidismo subclínico
TSH
Elevado
Elevado (discretamente)
T4 livre
Reduzido
Normal (dentro da faixa de referência)
Sintomas
Geralmente presentes
Frequentemente ausentes ou inespecíficos
Tratamento
Sempre indicado
Considerar conforme TSH, sintomas e comorbidades
A fisiopatologia explica a sequência: a elevação do TSH é a resposta compensatória inicial à redução da ação dos hormônios tireoidianos. No subclínico, essa compensação ainda é suficiente para manter o T4 livre dentro da normalidade, embora o TSH já esteja elevado. No clínico, a reserva funcional da glândula se esgota, e o T4 livre cai abaixo do limite inferior.
Na prática, o diagnóstico de hipotireoidismo subclínico é laboratorial: TSH elevado (tipicamente entre 4,5 e 10 mUI/L, dependendo do valor de referência do laboratório) com T4 livre normal. A conduta não é uniforme — a reposição com levotiroxina é considerada quando o TSH é ≥ 10 mUI/L, ou em pacientes com sintomas, anticorpos anti-TPO positivos, bócio, dislipidemia, diabetes ou doença cardiovascular estabelecida.
A pegadinha desta questão está em confundir o hipotireoidismo subclínico com o clínico: a banca oferece alternativas que descrevem o T4 livre reduzido (característica do hipotireoidismo franco) como se fosse a definição do subclínico. Guarde a fronteira: subclínico = TSH alto + T4 livre normal; clínico = TSH alto + T4 livre baixo — é exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o T4 livre está reduzido abaixo do limite inferior da normalidade. Essa é a definição do hipotireoidismo clínico (franco), não do subclínico. No subclínico, o T4 livre está normal; a redução do T4 livre marca a progressão para a forma clínica da doença.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que o T4 livre está elevado acima do limite superior da normalidade. T4 livre elevado é característico de hipertireoidismo (como na doença de Graves ou bócio nodular tóxico), não de hipotireoidismo. No hipotireoidismo subclínico, o T4 livre está normal, nunca elevado.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que o T4 livre está indetectável por supressão completa da tireoide. Essa situação não corresponde ao hipotireoidismo subclínico. A supressão completa da tireoide (com T4 indetectável) ocorreria em casos extremos de hipotireoidismo primário grave, não no subclínico, onde a produção hormonal ainda é suficiente para manter níveis normais.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que o T4 livre está normal, dentro da faixa de referência. Essa é exatamente a definição de hipotireoidismo subclínico: TSH elevado com T4 livre normal. A elevação do TSH é o marcador precoce e sensível da disfunção tireoidiana primária, precedendo a queda do T4 livre.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que o T4 livre é flutuante, com variação superior a 50% diariamente. Não há qualquer base fisiopatológica ou clínica para essa afirmação. Os níveis de T4 livre são relativamente estáveis ao longo do dia, e a definição de hipotireoidismo subclínico não envolve flutuação diária dos hormônios.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre hipotireoidismo subclínico e clínico. A alternativa A descreve o T4 livre reduzido — que é a marca do hipotireoidismo franco — como se fosse a definição do subclínico. O candidato que memorizou apenas "TSH elevado" sem fixar o comportamento do T4 livre cai na armadilha. Lembre-se: no subclínico, o T4 livre está normal; no clínico, está reduzido.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, associe o termo "subclínico" à ideia de "antes da manifestação plena": o TSH já está alterado, mas o T4 livre ainda não caiu. Na prova, ao ver "TSH elevado", pergunte-se: "o T4 livre está normal ou baixo?" — se normal, é subclínico; se baixo, é clínico. Essa pergunta resolve a maioria das questões sobre o tema.